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Transformações, Empoderamento e Liderança: Reflexões de Cristina Reis-uma Executiva Multifacetada
07 de Junho de 2023

Transformações, Empoderamento e Liderança: Reflexões de Cristina Reis-uma Executiva Multifacetada

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Por Prof Jonny 07 de Junho de 2023 | Atualizado 13 de Junho de 2023

 

Cristina Reis é administradora, com MBA em Finanças e Controladoria pela Laureate International Universities,
MBA Master Internacional em Liderança e Gestão Estratégica pela ESPM, Mestrado em Gestão para a Competitividade pela FGV. Com mais de 20 anos de experiência no mercado corporativo, ela desenvolveu sua carreira empreendendo transformações, envolvendo times multiculturais e de alta performance, sua trajetória é orientada por valores sólidos e pautados em ESG.

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Ela é membro do Compliance Women Committee, grupo de mulheres comprometidas com as pautas do empoderamento feminino e da cultura de integridade no ambiente corporativo. Atua no aconselhamento para a tomada de decisões estratégicas, visando o desenvolvimento de uma gestão mais eficiente, com foco em resultados. Co-autora do livro Mulheres nas Finanças, e coordena o projeto do livro Mulheres na Saúde, da Série Mulheres da Editora Leader. Também atua como Conselheira Consultiva.

 

Agradeço muito por sua disposição em contribuir com nossa coluna sobre carreira. Como você sabe o propósito da coluna é compartilhar ideias e histórias inspiradoras sobre sua trajetória profissional.
Para iniciar nossa conversa, gostaria que você nos contasse qual foi a maior transição de carreira que você encarou e quais aprendizados gerados?

 

Meu histórico profissional contempla passagens por dois Bancos, Multinacional de Bebidas, por Fundo de investimento com atuação no Varejo Farmacêutico e Setor de Saúde. O que exigiu a cada transição de carreira, estudo e dedicação para compreensão do funcionamento das diferentes indústrias e mercados, além claro, de resiliência e empatia em assimilação a cada nova cultura organizacional. Mas apesar destas múltiplas condicionantes, os três primeiros setores possuem vértices comuns: cultura de alta performance e ambiente organizacional competitivo. Assim, minha maior transição aconteceu quando decidi movimentar minha carreira para o Setor de Saúde, onde cliente e/ou consumidor passam a ser “paciente” e isso muda tudo!

 

Como co-autora do livro Mulheres nas Finanças, Editora Leader, você poderia compartilhar um pouco de sua participação nesta obra, quais pontos mais relevantes?

Para o meu capítulo trouxe o título “O que te move?”. Queria que minha participação fosse provocativa, que gerasse inquietudes possibilitando uma conexão entre a minha história de vida e a história do leitor, e que a partir desta conexão um caminho fosse aberto ajudando o leitor a clarificar seu propósito de vida e a lutar por ele. Para construir esta conexão trouxe subtítulos que ajudassem nesta jornada reflexiva: “Defina e redefina seus limites!”; “Orgulhe-se da sua história!”; “Sua história, Seu Legado!”; “Tenha honestidade de propósito e desafie-se a sonhos grandes”; “Tenha um plano B. Esteja pronto e surpreenda-se”; “Tenha bons conselheiros”; “Vire a chave” e “Trabalhe por propósito” que encerra meu capítulo respondendo à provocação apresentada no título (“O que te move?”).

Quando compreendi que trabalhar por propósito está para além da missão e visão da organização, que propósito não é uma algo que se produz no CNPJ e sim no CPF, passei a trabalhar mais próximo do meu time, pares e lideranças. Passei a trabalhar para além da alta performance e superação de metas organizacionais, pela beleza do autoconhecimento que movimentos desafiadores proporcionam e que disciplina na execução dos processos diz mais sobre sua capacidade de gerenciamento e resiliência do que a medida dos indicadores em dashboards marcados em verde. Que legado de carreira não é feito apenas por resultados financeiros conquistados, mas também sobre como seu time fala sobre você depois de não trabalhar mais contigo e relembra da sua importância como líder e o referência como mentor.

 

Qual é o objetivo do livro Mulheres na Saúde, e como tem sido sua participação na coordenação deste projeto?

Coordenar um projeto tão grande e relevante como este foi sem dúvida além de um desafio, um presente muito especial. Acredito que fazer a diferença requer ousadia e este livro pedia por isso, ir além do óbvio, compartilhando além de histórias incríveis de mulheres que estão na linha de frente cuidando do paciente, histórias de mulheres inspiradoras que atuam nos mais diversos elos da cadeia de valor deste vital e complexo setor chamado “saúde”.

E que a partir da diversidade das histórias, homens e mulheres se sentissem representados e inspirados a desafiar o óbvio, construindo carreiras belíssimas com origens, formações e backgrounds diferentes, mas que, com propósito, conquistaram as mais altas posições de liderança.

 

Você pode nos contar um pouco sobre sua experiência em posições executivas e como isso influenciou sua decisão de se tornar uma Conselheira Consultiva?

Sempre gostei de desafios, do novo, de estar fora da minha zona de conforto e esta postura como tudo na vida trouxe ônus e bônus. Como ponto altamente positivo, pude viver experiências que deram mais robustez a minha carreira, testando e fortalecendo minha capacidade de geração de valor nos mais diversos cenários e ambientes hostis, como gestão de orçamento base zero (OBZ), integração de operações de pós-aquisição, administração de choque cultural, incluindo
turnarounds. Em ônus, trago: tomada de decisões duras, dores de estômago e a distância dos meus filhos ainda muito pequenos. Mas é fato que, são nestes lugares de experiências e vivências que um bom Conselho é forjado, podendo então, contribuir e agregar maior valor ao presente da organização, olhando para o passado com um viés único, o de traçar melhores rotas para o futuro. 

Foi quando diante destas ponderações que, comecei a refletir sobre o valor das minhas experiências passando a ocupar posições em conselho, respirando a estratégia do negócio e ajudando a decidir o rumo da organização. Por outro lado, vi neste espaço uma oportunidade da quebra de consenso, comuns a ambientes homogêneos, o que ainda é a realidade dos conselhos no Brasil e no Mundo, onde apenas 20% das posições são ocupadas por mulheres, o que também acaba por comprometer os níveis de compliance e a qualidade da governança, bem como todos outros ganhos oriundos de ambientes
diversos.

Sabemos que existe uma considerável demanda no Brasil para Conselheiros Consultivos, por outro lado, ainda existem várias empresas que sequer formaram seus conselhos. Quais ações você recomendaria para os empresários que desejam criar seus conselhos, mas têm desafios a enfrentar, sobre a Governança Proativa?

O primeiro e mais importante passo está no desejo e consciência da necessidade em se desenvolver e evoluir com melhores práticas de gestão e consequentemente de governança, pois é esta mesma consciência é que vai nutrir três dos quatro pilares da governança corporativa: transparência, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

Minha recomendação é que o empresário nomeie um conselheiro que inicialmente atue de forma mais “operativa”, apoiando a empresa no mapeamento e diagnóstico dos pontos sensíveis ao funcionamento do negócio com um pé no presente, mas de olho no futuro.

Recomenda-se ainda que este conselheiro tenha uma experiência robusta no setor de referência, além de experiência na estruturação de conselho, sendo assim capaz de apoiar na definição dos perfis, na seleção e contratação dos demais conselheiros conforme dores e oportunidades do negócio, sendo ainda capaz de apoiar na implementação dos planos de ações e projetos em avanços ao diagnósticos e estratégia.

Chamo aqui a atenção para importância em se ampliar a avaliação dos conselheiros para além das experiências e dos hard skills, considero fundamental que se identifique um match do conselheiro com a cultura organizacional, valores, crenças e um desejo genuíno em contribuir de forma relevante para sucesso do negócio.

Como você fomenta debates sobre empoderamento feminino e cultura de integridade no ambiente corporativo?

Quando abrimos espaço na agenda corporativa para que a pauta do empoderamento feminino, estamos trazendo junto com ela a pauta de diversidade e equidade de gênero, por outro lado quando falamos em cultura de integridade, estamos falando de um ambiente de trabalho com regras claras e “consciência coletiva” sobre a importância do combate às irregularidades e desvios de conduta, que podem prejudicar tanto os colaboradores quanto o negócio.

Tal forma acredito que as duas pautas não podem ser desassociadas, vista a importância comprovada que a diversidade promove. Quando você traz alguém que vivencia e enfrenta diariamente desafios específicos, não apenas no contexto feminino, mas em toda a abrangência da diversidade, surge uma empatia genuína. Nessa situação, você tem uma perspectiva diferente da maioria das pessoas, que compartilham o mesmo viés de pensamento.

Nesse sentido, avanço um pouco mais ao abordar a questão cognitiva. Quando você tem, por exemplo, pessoas com opiniões semelhantes, seja por gênero ou mesmo pela mesma idade, que frequentaram as mesmas escolas e pertencem à mesma classe social, há uma limitação na diversidade de pensamentos. É nesse contexto que vejo a contribuição do feminino. E não só do feminino, mas também da diversidade em geral. Quando temos diferentes faixas etárias, homens de 60 e 40 anos, estamos falando de duas décadas geracionais distintas, com experiências de vida diferentes. Isso traz contribuições diversas. E a riqueza da diversidade se amplia ainda mais quando consideramos além do gênero e da idade, outros aspectos como raça, região do país e perspectivas únicas. Essa variedade de perspectivas nos permite enxergar dificuldades logísticas, desenvolvimento de produtos, embalagens, cores, rótulos e muito mais. Quando reunimos essa diversidade em um conselho, por exemplo, não estamos apenas falando sobre o conselho em si, mas também sobre a representatividade dos executivos. A capacidade de se reinventar e acompanhar as dinâmicas do mercado requer, sem dúvida, uma representatividade diversa. Essa é uma provocação que ressalta a necessidade de ter formações diferentes.

 

Quais princípios norteiam seu estilo de liderança voltada à integração cultural após uma fusão e aquisição? E como isto contribui para que a equipe permaneça motivada e produtiva durante o processo de transição?

Transparência, empatia, respeito e responsabilidade, sem estes princípios não se vai muito longe, não de maneira consistente. Fundamentalmente estes valores precisam ser percebidos por quem está do outro lado da mesa e o discurso não pode estar desassociado da prática, de outra forma não é possível aproximar e engajar as partes envolvidas no processo de integração cultural.

Uma das primeiras coisas que gosto de fazer durante o processo de integração pós aquisição é conversar com as pessoas, não apenas as pessoas da alta liderança previstas no cronograma, mas principalmente com as pessoas que ocupam posições de média e baixa gestão e com as pessoas que tocam a operação no dia-a-dia, pois geralmente serão elas as primeiras a serem impactadas pelas sinergias e a perda de renda em caso de demissão.

Para mim o ponto chave no estabelecimento da conexão com as pessoas, está no interesse genuíno da escuta, na identificação das dores e dúvidas, dos riscos e ameaças, pois o tamanho da dúvida é proporcional ao tamanho do medo que a acompanha. Esse ponto de partida nos ajuda a compreender as ansiedades e preocupações da outra parte, desarmar tensões e estabelecer um diálogo mais fluido. Ao desmembrar as preocupações em blocos e conectá-las, adquiro uma capacidade genuína de comunicação integrativa. É importante ser verdadeiro, pois as promessas devem ser cumpridas. Em todas as
reuniões pós-aquisição, foi para a mesa muito mais que a executiva, foi a mulher, a mãe, a filha, foi a Cris. Resumindo, no
pós-aquisição, é fundamental compreender a dor do outro lado, mapear as principais preocupações de quem está na linha de frente, estabelecer um plano de comunicação, com transparência, empatia, respeito e responsabilidade.

 

Você passou a integrar a FCEM – OBME, uma organização global de Mulheres Empresárias, com status consultivo junto à Comunidade Europeia e Mercosul, inclusive recentemente viajou para um encontro internacional desta organização. Você poderia comentar um pouco sobre a organização e os principais pontos abordados no recente evento?

Conheci a FCEM através da sua Presidência no Brasil, Lilian Schiavo, durante um jantar dedicado a mulheres empreendedoras, onde foi ressaltado o poder da união feminina quando unidas por um mesmo propósito, isso despertou minha curiosidade em relação à organização. Valorizo a história das coisas e das pessoas, pois acredito que ela nos ajude a confirmar posicionamento e propósito. Além disso, acredito que quando encontramos um ambiente propício para realizar nossos objetivos, conseguimos manter consistência ao longo do tempo realizando projetos e sonhos ainda maiores, chegando também ainda mais longe. Assim, minha recomendação é seja feita uma due diligence não apenas ao histórico da organização, mas também uma visita à história das suas fundadoras, conhecendo assim seus valores e motivações, pois
quando nos associamos a um grupo ou entidade, reforçamos nossas crenças e afinidades, reforçando nossos valores por meio dessa associação, vinculando diretamente nossa marca pessoal.

A FCEM teve origem na França durante a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de solucionar restrições de acesso à movimentação patrimonial familiar vividas pelas mulheres cujos maridos estavam em combate ou que tinham falecido durante os confrontos, e que mesmo diante de tal situação a legislação vigente não permitia às mulheres tal feito. Desde então, sob bandeira do empoderamento feminino através da autonomia e independência econômica e envolta por laços de amizade, a Organização se estabeleceu nos países europeus e se espalhou pelo mundo, estando presente em 120 países, em 5 continentes, contando com mais de 5 milhões de membros ao redor do mundo.

Sobre a reunião mencionada, ela ocorreu em Montevidéu e Buenos Aires entre os dias 19 à 22 de abril, nas cidades de Montevideo e Buenos Aires e que reuniu mais de 25 países de uma riqueza e diversidade cultural realmente apaixonante e o café da manhã era a prova em materialidade desta diversidade cultural: “Bonjour”, “Buenos días”, “Good morning, Buongiorno”, “God morgen”, realmente lindo de ver.

Entre outras coisas que me chamaram à atenção, estão os tímidos percentuais globais quando analisada a participação feminina por setores e indústrias, em posições de liderança e conselho, como também em menor remuneração, apesar dos percentuais revelarem um crescente na capacitação e qualificação feminina. Por outro lado, o triste cenário de ainda convivermos com altos percentuais sem retrocesso aos números de assédio e violência contra a mulher, o que revela o nível de aceitação cultural das sociedades pelo mundo em uma condição inferiorizada da mulher enquanto gênero. Mas em grande resumo, feliz em ver um movimento global acontecendo pela forma organizada e consistente, e esse é o tom da mudança. Com grande orgulho, na ocasião do evento, fui nomeada como Coordenadora do Comitê de Relações Institucionais para o Brasil a convite da Lilian Schiavo (Presidente FCEM-OBME), por quem tenho um enorme respeito, admiração e gratidão.

 

Qual seria sua mensagem final para esta entrevista?

Tenho pensado e refletido muito nos últimos tempos sobre “gratidão” e o elencado como sendo um dos nobres sentimentos. Digo isso pois alguém que expressa gratidão traz com ela tantos outros valores e atributos que realmente não deixam dúvida sobre a pessoa que valor se trata ser.

Não se pode ser grato, sem também não ser justo, empático, ético, responsável, respeitoso, consciente, digno, fiel, bondoso, entre tantas outras coisas boas. Portanto, como mensagem final, seja grato!


Lições de carreira

A entrevista com
Cristina Reis nos traz reflexões essenciais sobre governança, liderança e integridade no ambiente corporativo. Suas experiências em posições executivas, seu papel como conselheira consultiva e seu envolvimento em projetos voltados ao empoderamento feminino evidenciam a relevância de uma governança proativa para o sucesso das empresas. Além disso, seu estilo de liderança, focado na integração cultural e na motivação da equipe durante processos de transição, serve como um guia para líderes que enfrentam desafios semelhantes. As lições compartilhadas ressaltam a importância de valores sólidos, diversidade e ética nos negócios.


Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo!

Abraço,
Jonny

 

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