Coluna Inovação | Startups adaptam produtos e serviços e impulsionam negócios em plena pandemia

18 de Junho de 2020

Entenda como alguns empreendedores catarinenses "pivotaram" em um momento de crise e conseguiram expandir receitas, equipe e perspectivas de negócio.

Foto: Amplimed/Divulgação
 

Para uma significativa parte de empreendedores no ambiente de startups, muitos dos projetos, planejamentos estratégicos e até mesmo os modelos de negócio que sustentavam suas receitas até o início de março deste ano tiveram que ser completamente refeitos - quando não abandonados. 

A necessidade de "pivotar" negócios, ou seja, de mudar a concepção e a oferta de produtos e serviços em função de oportunidades do mercado, veio como uma questão de sobrevivência para empresas de todos os setores e portes em função do impacto da Covid-19 na sociedade e na economia nestes últimos meses. 

Mas e quando a crise - e a mudança de rumos - acaba ajudando a impulsionar o modelo de negócios? 

Uma das empresas que mais se beneficiou desta nova realidade é a Amplimed, uma startup que nasceu em Chapecó, em 2015, oferecendo plataforma de gestão para clínicas médicas e consultórios. Em 2018, a empresa, que atende mais de 9 mil médicos e 700 clínicas no país, tinha desenvolvido uma plataforma de telemedicina para conectar médicos e pacientes - um serviço que não podia ser oferecido até então pela falta de uma regulamentação da tecnologia no país.

Eis que em março deste ano, em função da pandemia da Covid-19, o Conselho Federal de Medicina liberou em caráter excepcional o uso da telemedicina e a Amplimed se tornou a primeira empresa do país a "virar a chave" e oferecer o serviço em sua rede de profissionais e clínicas - inclusive se tornando o prontuário padrão para milhares de médicos de uma rede de cooperativas. 

"Nossa plataforma é a única integrada ao prontuário no conceito de mesma tela, então o médico tem acesso aos dados do paciente enquanto ele faz o atendimento digital. Este é um diferencial muito grande em relação ao mercado e nossas vendas aumentaram muito em março e abril", conta o CEO e cofundador Darlan Segalin. A startup, fundada por dois profissionais de tecnologia e um médico ortopedista, tem hoje 20 colaboradores e estima dobrar o tamanho da equipe até o final do ano.

GESTÃO ONLINE DE VENDAS A PEQUENOS NEGÓCIOS

Em Florianópolis, a startup Kyte oferecia um aplicativo de gestão de vendas online e offline a pequenos negócios - e vinha expandindo bem fora do país, onde conta com 35% de seus clientes. Mas, com a chegada da Covid-19 no início deste ano, as medidas de isolamento social acabaram prejudicaram os negócios presenciais - e a saída foi focar na oferta de serviços digitais, em vez do offline. 

"Nós liberamos a parte do pedido online, que até então era pago (atuamos no modelo freemium), pois sabíamos que dava pra ajudar o comércio pelo mundo com essa mudança", explica o CEO Guilherme Galesi Hernandez. "Nas primeiras semanas, com o lockdown em vários países, começamos a perder clientes, mas depois voltamos a crescer. Agora estamos num ritmo de expansão superior do que no pré-pandemia", detalha. A empresa, que tem uma equipe de 15 funcionários, comemorou recentemente nas redes sociais a marca de 100 mil assinantes no modelo "pro". 

Guilherme acredita que o tal "novo normal" não vai matar de vez o modelo de vendas presenciais, por isso mantém a plataforma com as funcionalidades online e offline. "Acredito em um modelo híbrido daqui por diante", opina.
 

PLATAFORMA DE EVENTOS VAI PRO DIGITAL

Em outros casos, a pandemia obrigou startups a reverem completamente seus produtos e modelos de negócio. Foi o que aconteceu com a Vou Gestão de Eventos Eficiente, de Jaraguá do Sul. Criada há cerca de dois anos, a empresa que tinha uma plataforma SaaS para eventos corporativos viu todo o segmento em que atuava ser diretamente impactado pela necessidade de isolamento social.

Em poucos meses, a startup - que assim como a Kyte e a Amplimed está participando do programa de capacitação Startup SC, do Sebrae de Santa Catarina - aproveitou as mentorias e referências externas para criar um novo produto, voltado para a criação, gestão e engajamento de eventos online, chamado Hybri. "Era março deste ano e enxergamos o mundo inteiro ser invadido por eventos online, mas poucos conseguiram engajar ou entregar valor. E não queríamos ser apenas uma ferramenta de transmissão, então fizemos uma extensa pesquisa, com benchmarkings do que era tendência lá fora e só depois começamos a desenvolvê-la de acordo com o mercado nacional", resume o CEO Jeferson Amendolara. Neste meio tempo, a equipe expandiu e agora os empreendedores se preparam para captar investimento externo. 

Confira em detalhes no podcast no SC Inova Cast, disponível nas plataformas SpotifyGoogle Podcasts, Anchor, Radio Public e Pocket Casts.

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br

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