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Sobre a imprevisibilidade do futuro
08 de Abril de 2024

Sobre a imprevisibilidade do futuro

Ainda não sabemos quando o futuro começa ou termina

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Por Cristiane Soethe 08 de Abril de 2024 | Atualizado 08 de Abril de 2024

Em viagem pela Alemanha nesta semana, me chamou a atenção uma edição do jornal Frankfurter Allgemeine que trazia na capa do caderno de Vida e Sociedade um artigo intitulado algo como “A medida do futuro”, em tradução livre. O que me atraiu o interesse neste artigo de autoria de Jürgen Kaube, um dos editores do periódico, que é hoje considerado um dos principais jornais da Alemanha, foram as reflexões sobre a inconsistência das tendências e a imprevisibilidade do futuro. Ainda não sabemos quando o futuro começa ou quando um futuro termina, talvez já nesta noite, aponta (na minha percepção, com um ar de ironia).

No Marketing e nos estudos sobre comportamento de consumo vivemos buscando tendências e previsões. Mas, se Kaube estiver certo, o passado – e até mesmo o presente – não pode nos dar nenhum indicativo confiável sobre o futuro, apenas probabilidades. O futuro é aberto e a natureza não gosta de dar saltos, ele diz. As coisas mudam e os fenômenos contemporâneos não são coordenados uns com os outros, cada um tem causas diferentes e apresenta diversas razões. Na teoria social considerada a mais importante do nosso tempo, cujo principal autor é o alemão Niklas Luhmann, os efeitos diários da digitalização não desempenham um papel importante, simplesmente porque a teoria foi concluída em 1997, dez anos antes do lançamento do iPhone, mas quatro anos depois que o primeiro navegador web foi disponibilizado gratuitamente.

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Há 30 anos ninguém nos falou sobre um futuro com TikTok. Quem iria prever uma pandemia com os impactos que vivemos em 2020? Assim como ninguém previu o 11 de Setembro. Somos constantemente impulsionados a antecipar o futuro. Investimos tempo e recursos na análise de dados, na observação de padrões passados e no estudo das mudanças culturais para identificar as próximas grandes tendências. E é claro que prever tendências é fundamental para a inovação, bem como para se preparar e se adaptar para as mudanças de mercado e novos hábitos de comportamento de consumo.

Porém, o futuro é permeado pela aleatoriedade e pela complexidade. Não se trata de uma linha reta traçada a partir do presente, mas uma teia de possibilidades, moldada por uma infinidade de variáveis desconhecidas. Falamos, portanto, de um futuro aberto. O que isso significa para os profissionais de marketing e comunicação? Em primeiro lugar, devemos adotar uma mentalidade flexível e adaptável. Em vez de buscar certezas absolutas, devemos estar preparados para ajustar nossas estratégias conforme novas informações surgem e circunstâncias mudam.

Além disso, devemos cultivar uma profunda compreensão da dinâmica do mercado e das complexidades da psicologia humana. Ao invés de confiar cegamente em modelos preditivos, devemos estar atentos às nuances e sutilezas que moldam as escolhas dos consumidores e os padrões de compra.

Por fim, precisamos aceitar a incerteza como uma oportunidade para a inovação e a experimentação. Em um mundo onde o futuro é fluido e imprevisível, aqueles que estão dispostos a correr riscos e explorar novos territórios são os mais propensos a ter sucesso.

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