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Professor, ex-pesquisador na NASA, estreia como colunista do AcontecendoAqui.
15 de Março de 2022

Professor, ex-pesquisador na NASA, estreia como colunista do AcontecendoAqui.

Jonny Carlos da Silva é engenheiro, mestre e doutor em Engenharia Mecânica e Professor titular da UFSC

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Por Prof Jonny 15 de Março de 2022 | Atualizado 15 de Março de 2022

Caros Leitores!
Com satisfação apresento nosso novo colaborador: Professor Jonny Carlos da Silva, titular da UFSC que tem em sua trajetória anos dedicados aos estudos na área em que é autoridade. Tem especialização em Hidráulica Industrial pelo Kyushu International Center-JICA. Pós-doutorado junto à NASA (Ames Research Center), Mountain View, CA, EUA. Foi diretor do DIP (departamento responsável por estágio na UFSC), coordenador do Curso de Graduação em Eng. Mecânica, coordenador do PosMEC (Programa de Pós-Graduação em Eng. Mecânica), membro da Câmara de Ensino de Graduação, e coordenador do NEDIP (Núcleo de Desenvolvimento Integrado de Produtos). Formação como Master Coach. Áreas de atuação: Projeto, Modelagem Dinâmica e Inteligência Artificial Aplicada
Bem-Vindo Professor Jonny!

Jailson de Sá
Editor

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“Agora em março, com satisfação, ingresso no time de colunistas do Portal AcontecendoAqui. Como engenheiro, professor universitário e coach com foco em carreira, buscarei compartilhar reflexões, lições e ideias sobre trajetória profissional num cenário em crescente mudança”. Jonny Carlos da Silva

 

ESTREIA

Mudar ou não mudar de carreira. Qual é a decisão?

Dicas e reflexões sobre transição de carreira

No final de seu discurso numa formatura da Universidade Princeton, Jeff Bezos mencionou “Quando você tiver 80 anos e em um momento tranquilo de reflexão, contando apenas para si mesmo a versão mais pessoal de sua história de vida, a narrativa que será mais compacta e significativa será a série de escolhas que você fez. No final das contas, somos nossas escolhas”. isto implica diretamente na qualidade da decisão.

 

Como está a qualidade da sua decisão?

O momento atual, com uma combinação rara de efeitos da pandemia, crise econômica, conflito entre nações, e vários outros fatores estão levando, cada vez mais, as pessoas a refletirem sobre suas relações com o trabalho, e muitos optam por trocar de ocupação. Uma pesquisa no Reino Unido aponta que três de cada cinco entrevistados pretendem mudar de carreira. Outro levantamento similar, neste caso conduzido nos Estados Unidos pela organização Catalyst, apresenta que metade dos empregados consideram mudar de carreira, tendo a busca por maior flexibilidade no topo da lista dos motivos. A mesma organização, numa pesquisa publicada já em 2022 voltada ao Canadá, demonstra resultados semelhantes em termos de tendência à mudança. Já no Brasil, a empresa Kaspersky publicou relatório, há um ano com resultados bem próximos, mostrando que 53% dos brasileiros consideravam mudar de emprego devido à pandemia. Por tudo isto, mesmo que você nunca tenha sido abordado numa enquete pública, é bem provável que este tipo de ponderação tenha rondado sua mente.

Neste artigo que abre a “Coluna Carreira” no Portal, gostaria de compartilhar algumas reflexões sobre este aspecto. Tratando sobre esta transição, o engenheiro e executivo indiano Utkarsh Amitabh  – tendo ele mesmo mudado de ocupação durante a pandemia- em seu artigo publicado na Harvard Business Review, apresenta questões bem interessantes aplicadas a este processo. Trago estes pontos aqui como estrutura para introduzir minhas reflexões pessoais. Para aquele que está pensando em deixar seu emprego, o executivo sugere primeiro considerar três aspectos: o por que, o que e o quando realizar tal movimento.

Em relação ao por que, se questione quais razões levam você a considerar sair do seu emprego atual. Entre estas razões, podem estar: a cultura organizacional, as pessoas com quem você interage, ou mesmo outros pontos.

Numa perspectiva pessoal, como alguém que por motivo de trabalho já mudou de região, de ocupação, de área de atuação e até de país, lembro que de todas as mudanças que tive a mais “radical” foi deixar o emprego de engenheiro numa multinacional, após ter recebido promoção em plena hiperinflação do final dos anos 80, para fazer mestrado em Florianópolis. De certa forma, o principal motivo foi a limitada perspectiva profissional de um engenheiro mecânico numa empresa metalúrgica, mesmo uma gigante do setor de alumínio, cujo produto final era o lingote do metal. Naquele cenário, tanto o engenheiro metalúrgico quanto o químico tinham mais oportunidades de crescimento técnico, pois suas competências estavam diretamente relacionadas à qualidade final do produto. Ao engenheiro mecânico sobrava mais uma trajetória gerencial, o que não considerava no meu início de carreira.

Voltando aos pontos apresentados pelo executivo, sobre o item “o que”, ele sugere que você avalie a si mesmo, pois enquanto alguns já sabem que querem trabalhar em outra indústria ou buscar maior especialização ou mesmo outra formação, muitos não sabem qual deve ser o próximo passo. O fato é que é muito difícil, ou até impossível, saber para onde você está indo se não sabe seu ponto de partida. Como apoio ao processo de autoavaliação, entre as questões sugeridas pelo executivo tem-se:

• Qual é o meu objetivo final?
• Se eu continuar fazendo o que estou fazendo hoje, chegarei mais perto do meu objetivo final?

Ele também recomenda conduzir a autoavaliação com consciência, curiosidade e vontade de experimentar. No contexto da minha “mudança radical”, o exercício que me conduziu a optar por cidades separadas por mais de 3.000 km- distância entre São Luis e Florianópolis- com culturas bem diferentes, foi bem relacionado ao meu objetivo num horizonte próximo. A ideia de em poucos anos me tornar supervisor, sem me aprofundar mais nos conhecimentos técnicos estava fora do radar. Também fiz uma análise das carreiras daquelas pessoas que tinham anos na empresa, e nesta avaliação ficou claro como meu objetivo buscar uma maior qualificação. Mesmo como jovem engenheiro, vislumbrei que o diferencial profissional estaria no conhecimento científico.

Sobre o terceiro dos itens sugeridos, quando a mudança acontecerá, o executivo adverte que você deve esperar várias rejeições, já que os processos de contratação dependem muito da experiência passada. Portanto, existe a tendência que as portas se abram em papéis semelhantes ao trabalho atual. Ele aconselha a ser realista e exercitar determinação.

Fazendo um paralelo com aquela situação da minha “mudança radical”, é difícil imaginar como teria sido a trajetória profissional se tivesse permanecido naquela multinacional por mais tempo, mas o fato é que a opção pelo mestrado já nos anos iniciais da vida profissional abriu portas para pesquisar áreas estratégicas como a robótica, e interagir com outras culturas tanto dentro como fora do país, pois anos depois fiz uma especialização no Japão.

É importante estar consciente que qualquer que seja a opção- ficar ou deixar seu atual trabalho- a escolha irá gerar quase sempre ganhos e perdas. No meu contexto, em curto prazo houve evidente perda financeira, já que a primeira bolsa de mestrado era inferior ao último salário de engenheiro, e tal discrepância apenas ampliou-se considerando o congelamento das bolsas em pleno cenário de hiperinflação.

Concluindo, a natureza nos mostra que existe uma tendência do corpo a permanecer na mesma situação, pois a mudança demanda mais energia. Por outro lado, a possibilidade de crescimento profissional e pessoal bem poderá ser muito superior ao desconforto gerado. O fato é que, em várias situações, a decisão por mudar exigirá coragem e um exercício de visão, que muitos decreveriam como fé, porém a brevidade da nossa existência deve nos impulsionar nesta direção, citando o pensador britânico Benjamin Disraeli: a vida é muito curta para ser pequena.

Que estas reflexões lhe sejam úteis, e que você possa viver sua profissão na plenitude da capacidade de servir.

Grato pela leitura, conversamos na próxima!

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