Coluna Economia | Os protestos em Cuba e as consequências para quem negocia com a ilha dos Castro

26 de Julho de 2021

por Renato dos Reis

Em 1959, após destituir o ditador cubano Fulgêncio Batista, em uma entrevista ao programa norte-americano Face the Nation, Fidel Castro, prometia eleições em até 18 meses. Naquela ocasião, ele tentava conquistar o apoio do governo dos Estados Unidos. Isso ocorreu há 62 anos e nada ocorreu desde então até julho deste ano, quando a população de Cuba foi às ruas pedindo liberdade – o que parece pouco a se reivindicar e muito longe de nossa realidade.

A questão é que em 11 de julho, Cuba viveu as maiores manifestações contrária ao governo, desde o "maleconazo", de 1994, um protesto contra as políticas de governo. Os protestos foram convocados por redes sociais, com a hashtag #SOSCuba e tiveram início na cidade de San Antonio de Los Baños, estado de Artemisa, e foram observadas em mais de 20 cidades da ilha, assim como algumas cidades do EUA por conta da proximidade e da alta migração de cubanos para o país – hoje mais de 1,5 milhão de cubanos moram nos EUA. O governo fez cortes na internet para tentar inibir o chamado de mais manifestações e especula-se que a família Castro planeja sair de Cuba, buscando exílio na Espanha.

Os gritos eram de "Liberdade, Pátria e Vida", que tiveram como estopim seguidos apagões elétricos e mais uma onda de contágio da Covid-19 que faz com que a população, principalmente a de menor renda, sofra em demasia. De acordo com os números oficiais, Cuba tem uma taxa de letalidade de 137 óbitos por Covid para cada milhão de habitantes, enquanto países como Brasil, Argentina e Peru têm 2,5 mil, 2.179 e 3.509 mortes por milhão, respectivamente.

A população, obviamente, é quem mais perde com a ditadura, com a falta de liberdade e principalmente com a falta de materiais básicos e itens de higiene, mas os países que fazem negócio com Cuba acabam perdendo também.  O Brasil, por exemplo, deve sofrer calote de até R$ 561 milhões, segundo Gustavo Montezano, presidente do BNDES, em fala do fim de 2019, se referindo ao financiamento das obras do Porto de Mariel liberado por governos passados sem nenhuma contrapartida.

Sobre os protestos, o governo Cubano reconhece a reivindicação da população, mas aponta que o grande responsável pela crise financeira do país são os embargos sancionados pelos EUA desde 1962, incluindo o Banco Financeiro Internacional S.A. de Cuba, responsável por grande parte da captação de recursos internacionais. Estima-se que em 2020 Cuba teve US$ 3,5 bilhões de perdas por conta da imposição de embargos, o que ajudaria e muito a crise, já que os apagões provêm da falta de óleo diesel para abastecer as termelétricas da ilha.

Vemos o desenrolar dessas manifestações com muito pesar, pois o povo oprimido ainda sofre muito com perseguições políticas e com a falta de liberdade, o que deve trazer ainda muita turbulência na região. O presidente americano Joe Biden se solidariza com os cubanos e pede atenção do governo de Cuba aos menos favorecidos.


Renato dos Reis
- Sócio e assessor na Siglo Investimentos. Graduado em Ciências Econômicas pela Univille e tem MBA Private Bank pelo IBMEC.  Possui Ancord, PQO e CPA20 como certificações atuando como assessor de investimentos desde 2009, especialista focado em educação financeira, blindagem patrimonial e planejamento sucessório, atualmente se desenvolvendo na área de economia comportamental.

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