Coluna Cristiano Chaussard | O que nasceu primeiro: o interesse ou o interessado?

23 de Dezembro de 2020

Caro leitor,

Com satisfação informo que o empresário Cristiano Chaussard está de volta com sua coluna no AcontecendoAqui. Ele interrompeu a publicação temporariamente por motivos pessoais e, agora, volta a compartilhar com  nosso público suas reflexões inteligentes sobre comportamento humano.

Bom retorno Cristiano!

Jailson de Sá
Editor

 

Infelizmente, a maciça maioria dos novos negócios que surgem no mercado são fruto de imitação e modismo. Entre os anos 2000 e 2015, vimos surgir desde buffets de sorvete, aos montes, até paletas mexicanas, hamburguerias, temakerias, dentre outros modelos de negócios focados do mercado digital, como marketplaces, as redes de afiliados e as agências de inbound marketing. 

O fato é que boa parte da energia empreendedora está desperdiçada em modelos que tendem à rápida comoditização: quando o consumidor não consegue enxergar diferenciação entre os produtos. Não é pecado nenhum escolher vender o que todos já vendem - se você tiver capacidade financeira para comunicar mais do que o seu concorrente e fabricar ou encomendar maior volume com menor custo. Porém, novos negócios não deveriam surgir de mera imitação e sim da evolução das necessidades humanas. 

Ideias para novos negócios poderosos surgem a partir da identificação de alguma necessidade. Se você decidiu vender algo, é porque constatou – seja por meio de pesquisa ou por experiência própria - que existe alguém interessado em comprar o produto que você está criando, importando ou revendendo e que ele solucionará algum problema. Afinal, se não existe comprador, não existe venda, não existe negócio.

Tendo isso em mente, vale a reflexão: quais são os problemas dos consumidores? Quais são suas necessidades? Quais fatores sociais definem seus interesses? O quanto uma pessoa está disposta a pagar – entregando algo que valoriza em troca (dinheiro, bens, tempo de trabalho, etc.) - para satisfazer uma necessidade? 

O filósofo grego Epicuro de Samos, do período helenístico, enfatizou o prazer como o objetivo mais importante dos seres humanos. Segundo ele, as pessoas se esforçam para “maximizar o prazer e minimizar a dor”. Para o pensador, o valor reside na natural busca humana por prazer. Essa afirmação corrobora com a ideia que já falei em outros artigos, sobre a busca por comodidade, em minha opinião, a principal motivadora das inovações da história. 

Rudolf Hermann Lotze (1864), por sua vez, em seu livro Mikrokosmos, defende que o valor é algo que se aprende pelo “sentimento de estima”, uma realidade psicossocial e cultural. O “sentimento espiritual de estima”, sugere o filósofo alemão, é o instrumento da razão para organizar o que é valioso. Assim, podemos considerar que valor é a unidade de medida racionalizada do sentimento humano. 

O célebre Abraham Maslow (1943), desenvolveu a teoria da motivação humana, baseada em uma hierarquia de necessidades. Para o autor, a noção de valor é dividida no ponto de vista de necessidades fundamentais. Na base da pirâmide estão as necessidades mais urgentes, relacionadas às nossas necessidades fisiológicas e de sobrevivência. No topo desta hierarquia, estão as necessidades de estima (reconhecimento, status, autoestima) e autorrealização (criatividade, talento, desenvolvimento pessoal). 

Segundo Maslow, um indivíduo só sente o desejo de satisfazer a necessidade de um próximo estágio se a do nível anterior estiver sanada, portanto, a motivação para realizar estes desejos vem de forma gradual.

O que podemos inferir da pirâmide de desejos e necessidades de Maslow, segundo o professor Alberto Costa (2019), é que embora a necessidade de um cliente seja de mobilidade (abstrato), por exemplo, ele deseja um carro (concreto). Mas não é somente a mobilidade que ele anseia – o consumidor também tem necessidades de status, de aprovação social, de segurança, entre outros. “Quando ele junta todas as suas necessidades e as dirige a um objeto concreto específico, ele adquire um Sedan Volvo, por exemplo.” 

Depois desta reflexão, qual é sua opinião? O que nasceu primeiro o interesse ou o interessado?

Cristiano Chaussard

  • imagem de crischau
    Cristiano Chaussard é especialista em e-commerce, empresário proprietário da Flexy Negócios Digitais , exerce função voluntária como diretor de expansão e associados ADVB-SC (2009-2016). Um dos fundadores do Grupo Digital de Santa Catarina, leciona Marketing e Comércio Online na Pós-Graduação da Universidade Estácio de Sá. Pós-graduado em Tecnologia pela USP, MBA em Gestão do Conhecimento e Inovação pela USP e Pós-graduando em Marketing Estratégico pela ESPM. Escreve semanalmente no Portal AcontecendoAqui. Para contato com o colunista acesse: Twitter - @cristianojoyer Facebook - http://www.facebook.com/cristianochaussard Linkedin - http://br.linkedin.com/in/cristianochaussard Sobre o colunista - http://about.me/cristianochaussard

Notícias Relacionadas