ESTREIA | Novo colunista: Paulo Lamim, Novos Negócios da Fundação CERTI

02 de Maio de 2016

O novo status - Do status tradicional baseado no consumo para novas formas de mostrar aptidões.

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Caro Leitor,
Com grande satisfação apresentamos nosso novo colunista: PAULO LAMIM, Engenheiro de Produção pela UFSCar, com MBA em Administração pela USP e MBA em Marketing pela FGV. Ele tem mais de 20 anos de experiência com o desenvolvimento de novos produtos e serviços, marketing, estratégia de negócios e inovação tecnológica. Ele vai abordar temas como tendências de consumo e a evolução no comportamento do consumidor. 
Bem-Vindo Paulo Lamim!

Jailson de Sá
Editor

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Queria dizer que relutei um pouco no início, mas confesso que adorei o convite para escrever esta coluna, que é sobre tendências de consumo e a evolução no comportamento do consumidor. É um tema encantador, com o qual sempre estive envolvido e mantenho um olhar atento. Gostaria de dizer também que escrever nesse formato é novidade para mim e que será um prazer contar com a sua ajuda ao trilhar esse caminho. Bom, mas o meu desejo mesmo é que este material seja útil e estimule uma reflexão atual sobre os movimentos na nossa arena de consumo global. Bora lá, então?

A busca por reconhecimento e status é parte da natureza humana e se reflete diretamente nas escolhas e comportamentos dos consumidores, e por esse motivo está no cerne de todas as tendências de consumo. A necessidade de mostrar aptidão, visando a aceitação dos pares e a obtenção de conquistas em todas as esferas da vida, vem se manifestando de diferentes formas ao longo do processo evolutivo da nossa espécie. E no modelo de sociedade contemporânea, esta característica se revela fortemente no consumismo.

Nesse ponto, quero deixar clara a minha visão sobre a importância do consumo como forma de expressão da liberdade, das escolhas e do estilo de vida de cada um. Porém, o consumismo puro e simples como meio para demonstração de capacidades e obtenção de reconhecimento, se mostra muitas vezes ineficiente e dispendioso em vários aspectos, além de provocar consequências psicológicas, ambientais e sociais desastrosas.

O movimento que vem ocorrendo e que vai deixando os seus sinais, parte do consumo ostensivo e exagerado para, gradativamente, dar lugar a outras formas de mostrar capacidades que são muito mais naturais para o ser humano. Essas novas formas de "exibição" incluem, por exemplo, os conhecimentos e as habilidades adquiridos pelas pessoas, a capacidade de expressão através da linguagem em diferentes meios, a conexão e a colaboração com outras pessoas e organizações, as ações de generosidade e gentileza no dia a dia, o emprego da criatividade para tornar a vida mais fácil e bela, a valorização da ética e do caráter, a consciência ambiental, e por aí vai.

Todos esses comportamentos vão, aos poucos, permeando a vida das pessoas e começam a alterar a sua forma de ver e se perceber no mundo, influenciando assim as suas decisões sobre estilo de vida e consumo.

Essa mudança de comportamento pode trazer ganhos espetaculares e novas oportunidades em diferentes esferas da vida. Para algumas pessoas passa a haver um sentimento maior de liberdade e um aumento de consciência e significado nas escolhas, além da consequente economia de esforço, tempo e recursos no empenho quase permanente para obter a admiração de familiares, fortalecer amizades, atrair e manter parceiros sexuais e obter o tão desejado prestígio.

Para o planeta há um reflexo direto na preservação e recuperação dos recursos naturais, enquanto que na esfera social, com a valorização maior do que as pessoas são e de como podem fazer a diferença, começa a haver também a tendência de um equilíbrio maior na circulação da riqueza.

É interessante notar que esse movimento não afeta a todos da mesma forma e ao mesmo tempo, e que ainda assim é um processo influenciado pelo ego, mas vai na direção de gerar mais autenticidade, colaboração e satisfação para todos. Como disse no início, esse "jeito de agir" é parte da nossa biologia e eliminar o ego das decisões parece ainda bem distante, mas talvez sinalize para um estágio ainda mais a frente na nossa escala evolutiva. Quem sabe?

Paulo Lamim