ESTREIA | Coluna Economia: 27 meses do Governo Bolsonaro: um olhar político e econômico

24 de Março de 2021

Avaliação de onde estamos, a chegada da pandemia, e onde poderíamos estar

 

Com grande satisfação lançamos hoje um novo canal: Coluna Economia. Trata-se de um espaço colaborativo destinado à divulgação de conteúdo e notícias relacionadas à macroeconomia. Os autores dos artigos são profissionais e empresários que conhecem  as características da Economia de Santa Catarina e vivenciam as movimentações do mercado. Eles foram selecionados com base na qualidade do que entregam em suas empresas, a facilidade de entender o que publicam e o conhecimento da ciência econômica.

A Coluna Economia estreia com artigo assinado por Heber Ricardo Bobeck, sócio e assessor de investimentos na SIGLO, escritório credenciado XP em Florianópolis.

Para sugerir pautas, favor usar o e-mail redacao@acontecendoaqui.com.br ou diretamente o e-mail de cada colunista.

Abraço.

Jailson de Sá
Editor

 

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Como começou

Em 2019, iniciamos uma transformação ideológica em Brasília respaldada pelo voto popular, que trouxe um governo “conservador nos costumes e liberal na economia”. Antes disso, passamos por um impeachment, em 2016, e por um governo de centro capitaneado pelo então vice-presidente Michel Temer até o final de 2018. Esse governo de centro promoveu um início de reestruturação muito necessária através da austeridade - o teto de gastos aprovado em 2016 é um exemplo e hoje baliza os debates no Congresso sobre até onde o Estado pode chegar nas despesas.

 

Como chegamos até aqui?

O Governo Bolsonaro chegou provocando muitas mudanças e propondo ideias interessantes e efetivas – a Reforma da Previdência, por exemplo, aprovada em menos de seis meses no Congresso que proporcionou um alívio fiscal próximo a R$ 1 trilhão para os próximos 10 anos. A política de juros foi mantida e vimos a taxa Selic sair de 14,25% a.a. para 2% a.a. (veremos a importância disso logo à frente) com a inflação sob controle e vários dados apontando para um período de prosperidade pela frente, um cenário muito positivo. Era a hora do Brasil.

Mais reformas e privatizações estavam nos planos e o mercado financeiro vivia um bom momento: a bolsa batendo máximas, o dólar controlado, o setor produtivo sendo destravado, os dados de emprego em crescimento, a inflação baixa, 2020 seria o ano do Brasil, porém ninguém esperava uma pandemia no caminho.

 

A chegada do Covid-19

Em março de 2020 tivemos o primeiro caso de Covid-19 no Brasil e com ele o pânico tomou conta de nossas rotinas, dos mercados e da política. As primeiras medidas de restrição começaram a ser discutidas, o índice acionário brasileiro atingiu queda de 45% em pouco mais de 20 dias, e a política teve que voltar os olhos aos efeitos que essa situação traria ao Brasil.

Estímulos econômicos foram aprovados em todo o mundo e o Brasil não ficou para trás. Foi o país emergente que mais gastou nesse aspecto: foram linhas de crédito lançadas, auxílio emergencial para os informais, programas de manutenção de emprego, refinanciamento de dívidas e muita liquidez injetada no mercado.

Podemos voltar ao destaque da taxa de juros, que neste cenário já estava em 2% a.a. e todos esses estímulos econômicos geram custos em forma de dívida ao Brasil. Se temos que contrair dívida, a menor taxa dentro de anos parece ser o momento mais adequado. E assim foi, saímos de uma dívida de 74,3% do PIB para a marca de 89,3% do PIB no final de 2020...

 

Onde poderíamos estar

Agora vamos pensar: e se...

E se... medidas mais populistas fossem tomadas?

E se... o governo não tivesse uma política austera?

E se... nossa taxa de juros estivesse em 14,25% a.a.? Quanto nos custaria essa dívida do auxílio emergencial?

Não podemos tirar conclusões com base em suposições, porém, podemos olhar o exemplo dos nossos hermanos Argentinos. As medidas de isolamento social do governo Fernandéz foram muito mais rigorosas e bastante divergentes das do governo Bolsonaro. O cenário argentino, que pouco tempo atrás era até melhor do que o nosso, não ficou nada bom e hoje a Argentina vive um caos social: o PIB 2020 teve queda de 10% e a taxa de juros foi a 38% a.a. Naquele país, cujo desemprego oficial está em 13% e os informais em 35%, as demissões foram proibidas no país em dezembro, além de muitas outras medidas que não podemos traduzir em números – como tabelamento de preços de produtos e serviços que gera o esvaziamento de prateleiras –, mas que vêm afastando os mais ricos do país e afundando cada vez mais os miseráveis. Um dado recente mostra que mais de 20 mil empresários milionários (em dólares) já cruzaram o Rio da Prata com destino ao Uruguai.

Para onde vamos?

Agora nos resta trabalhar para contornar esse obstáculo do destino, mesmo que pareça que nunca estivemos em situação parecida, a situação poderia ser infinitas vezes pior caso não tivéssemos a austeridade em foco no debate público.

Após termos um PIB de -4,1% em 2020 – lembrando que esta queda chegou a ser estimada em até -10% por órgãos financeiros internacionais –, hoje temos condição para pensar no pós-pandemia, reformas estão no horizonte e precisamos seguir trilhando neste caminho.

Nosso foco agora deve ser o avanço do número de vacinas aplicadas para que retomemos à normalidade do dia a dia e com isso, trabalhemos para retornar à posição do final de 2019 – onde o Brasil era a bola da vez.

 


Heber Ricardo Bobeck

Graduado em Administração e em Engenharia Civil, Heber Ricardo Bobeck é assessor de investimentos na SIGLO, escritório credenciado XP, é focado em educação financeira e construção de patrimônio, gerenciamento de riscos e planejamento estratégico. Possui Certificação Ancord/2019.
heber.bobeck@sigloinvestimentos.com.br 

Coluna Economia

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