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Empreendedorismo, Felicidade e Consciência: Uma Jornada Inspiradora com Flavia da Veiga.
18 de Junho de 2023

Empreendedorismo, Felicidade e Consciência: Uma Jornada Inspiradora com Flavia da Veiga.

Felicidade é uma habilidade que pode ser aprendida

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Por Prof Jonny 18 de Junho de 2023 | Atualizado 19 de Junho de 2023

Flavia da Veiga é empresária apaixonada por aprender e compartilhar sobre a ciência da felicidade. Publicitária e embaixadora do Movimento Capitalismo Consciente, colunista na rádio BandNews e criadora da metodologia da Publicidade Positiva. Com especialização pelas universidades de Harvard, Insead, Yale e Berkeley, palestrante e ministra aulas de MBA de Felicidade na Universidade Vila Velha e na Faculdade de Direito de Vitória. Nesta entrevista, ela nos fala sobre vários tópicos, mas, acima de tudo, ela compartilha uma visão poderosa sobre como transformar positivamente nossa visão de mundo.

 

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Em seu perfil, você menciona que busca constantemente um significado maior para o que faz. Como esta busca iniciou? E como isto influencia suas escolhas de carreira e as atividades que você realiza?

Sou publicitária de formação e, como tal, sempre me incomodei um pouco com essa visão da publicidade de apenas vender produtos e serviços. Até que em 2007, fui a um congresso internacional de Publicidade em Cannes, França, e assisti à palestra do ex-vice-presidente americano Al Gore falando sobre o seu documentário “Uma Verdade Inconveniente”. Naquela ocasião, ele alertou os publicitários ali presentes sobre a urgência e sobre sua visão do aquecimento global e da necessidade dos publicitários ali presentes utilizarem seu poder de criatividade para construírem um mundo melhor. Aquilo foi como música para meus ouvidos.

Isso despertou meu interesse para o poder transformador da Publicidade e da profissão que eu escolhesse. A partir dali, planejei a minha trajetória nesse sentido para que eu pudesse utilizar as minhas habilidades, o meu conhecimento e as minhas qualidades para ajudar a construir um mundo melhor. Então, fui buscar formações para que isso acontecesse, como, por exemplo, estudar “Creating Shared Value” na Harvard Business School com Michael Porter, que é uma metodologia em que você coloca os problemas sociais e ambientais como responsabilidade social corporativa. Na realidade, você faz o seu negócio resolver um grande problema da humanidade. A partir dali, vim desenvolvendo conhecimentos para utilizar na minha profissão.

Estudar criatividade, espiritualidade, neurociência e felicidade, entre outros campos, é uma combinação interessante. Na sua visão, como esses campos de estudo se conectam e como eles contribuem para a construção de um mundo melhor e mais feliz?

Essa é uma ótima pergunta. Comecei na minha carreira estudando bastante sobre criatividade e negócios, que era o campo em que eu atuava. Até que, em 2016, sofro um trauma. Tive uma situação de quase morte e enfrentei um trauma, entrando em depressão devido ao estresse pós-traumático. Foi nesse momento que comecei a estudar sobre felicidade e neurociência. Na realidade, meus estudos sobre espiritualidade já vinham um pouco antes desse incidente. Então, iniciei minha carreira estudando criatividade e, junto com ela, estudei espiritualidade. Dentro do universo da espiritualidade, estudei budismo, espiritismo, fiz uma pós-graduação em yoga e estudei física quântica. Comecei a entender o universo sutil e o que estava por trás dele.

A partir de 2016, comecei a estudar a ciência da felicidade, psicologia positiva e neurociência, percebendo que tudo está interligado. Uma ferramenta poderosa que temos é o nosso cérebro e nossa percepção de realidade. Foi aí que comecei a fazer a conexão com a publicidade. Daniel Kannemann, um renomado estudioso e vencedor do Prêmio Nobel, tem uma teoria de que nossa percepção parte da percepção que temos da realidade. Ou seja, se a nossa percepção de realidade é moldada pela mídia, o que estamos expostos impacta nossa percepção e nossas emoções. Para exemplificar, um estudo realizado com pessoas expostas a filmes de guerra e outras assistindo a documentários sobre Madre Teresa de Calcutá mostrou uma alteração, por exemplo, no sistema imunológico. As pessoas que assistiram ao filme sobre Madre Teresa de Calcutá se sentiram mais felizes e produziram uma imunoglobulina específica associada à prevenção de doenças. Já as pessoas que assistiram a um filme de guerra tiveram uma diminuição em sua percepção de realidade e em seu sistema imunológico. Portanto, se posso usar o poder da criatividade para construir novas narrativas e transmitir essas narrativas de forma positiva para gerar emoções positivas, estou contribuindo também através da publicidade.

Você poderia compartilhar um exemplo de como a combinação entre negócios e espiritualidade influenciou positivamente sua abordagem em um projeto específico ou em sua jornada profissional?

Sobre a combinação de negócios e espiritualidade, aliás, todas as minhas campanhas e negócios têm como base valores espirituais, bondade e amor. Incentivo a gentileza e um novo olhar sobre as circunstâncias. Por exemplo, em uma campanha que fizemos para uma loja de tintas, utilizamos pessoas cegas. Descobrimos, por meio de uma pessoa com deficiência visual, que os cegos conseguem sentir a cor. Então trouxemos essa sensibilidade para a campanha, mostrando que cor vai além do que se vê, é também o que se sente. Isso traz uma reflexão sobre o que se vê e o que se sente. Todas as minhas campanhas trazem algum tipo de reflexão para levar as pessoas nessa busca que todos nós temos por um significado. Tenho uma startup chamada BeHappier, que visa ajudar a espalhar a felicidade. Um dos valores espirituais que desenvolvemos é a gratidão, o amor, a meditação e a gentileza para fazer o bem. Oferecemos treinamentos, cursos, palestras e utilizamos essa metodologia baseada em valores espirituais para espalhar essa mensagem.

Como surgiu a ideia de fundar a BeHappier e como a Psicologia Positiva influencia o trabalho realizado pela empresa? Quais são as práticas que vocês promovem para ajudar as pessoas a serem mais felizes?

O BeHappier surge após um trauma. Começo a estudar felicidade nesse período e me aprofundo muito no universo desse tema. A partir desse momento, sou convidada por uma empresa, a ArcelorMittal, cerca de um ano depois, para desenvolver um projeto de publicidade com a temática da felicidade nas organizações. Nesse projeto, utilizo a metodologia que eu mesma utilizava para sair da depressão e a trago para a campanha. Ganhamos a concorrência e desenvolvo o embrião do que seria o BeHappier, na época um aplicativo para ajudar a formar hábitos de felicidade.

A grande questão da Ciência da Felicidade é que as pessoas precisam ter conhecimento sobre o que é a felicidade e colocar isso em prática. Trabalhamos com psicologia positiva, que é o estudo das emoções positivas, e neurociência, que é o estudo de como o cérebro funciona e como a felicidade atua nele. Descobrimos que a neuroplasticidade do cérebro é o que utilizamos como metodologia. O cérebro é um órgão que aprende e naturalmente tem um viés ancestral negativo, inclinado para o que é ruim, desafiador e negativo. Nossa metodologia traz conhecimento e prática para contribuir para que o cérebro se torne mais positivo e otimista. O cérebro aprende através de repetição e prática, ou seja, formando hábitos de felicidade.

No BeHappier, atuamos da seguinte forma: entramos nas empresas e fazemos um diagnóstico, mensurando no início e no final do processo. Realizamos um onboard com as pessoas que vão colocar em prática o BeHappier na empresa, geralmente o RH ou uma pessoa de marketing. A partir daí, entramos nas trilhas de felicidade, ensinando e indicando um conjunto de práticas e tarefas, todas realizadas dentro de um aplicativo. Mensuramos esse processo, que dura entre 6 meses e um ano, e certificamos a empresa de acordo com as regras do programa como uma empresa mais feliz para se trabalhar. Isso traz uma série de benefícios, pois a ciência comprova que profissionais mais felizes são melhores, mais produtivos, criativos, inovadores e saudáveis. Além disso, relacionam-se melhor e cooperam melhor. Em resumo, é o estado ideal de funcionamento.

Como surgiu a oportunidade de se tornar palestrante no TEDxUFES? Quais são os principais temas abordados em suas palestras e qual é a mensagem que você deseja transmitir ao público?

A oportunidade de participar do TEDx foi a realização de um sonho para mim, já que acredito que compartilhar é algo que amo fazer na vida. Aprender e compartilhar sobre felicidade é a minha verdadeira paixão. Quando estou ali compartilhando, sinto uma imensa felicidade, alegria, sentido e realização. Poder compartilhar um pouco da minha história, que foi repleta de desafios, é algo muito especial. Além do trauma que mencionei anteriormente, tive outro grande desafio em minha vida. Meu filho foi baleado e ficou paraplégico. Diante dessa situação, decidi deixar a agência em que trabalhava e me dedicar exclusivamente ao BeHappier, para poder contribuir e utilizar minha própria dor para amenizar a dor de outras pessoas. Poder contar essa história no TEDx foi um sonho realizado.

Você participou do programa “Creating Shared Value” na Harvard Business School. Como essa experiência impactou sua visão sobre a responsabilidade social das empresas e como você aplica esse conceito em suas atividades profissionais?

Quando comecei no meu processo de querer construir um mundo melhor, eu buscava um método para que isso não ficasse apenas como um discurso otimista. Não queria que fosse algo distante, como quando alguém diz “Ah, eu quero ajudar a construir um mundo melhor”, mas sem saber como. Foi então que descobri a formação com Michael Porter, conhecido como o grande Papa da estratégia. Ele desenvolveu a geração de valor compartilhado como uma estratégia para os negócios, onde os problemas sociais e ambientais se tornam parte essencial do core business. Não se trata apenas de assistencialismo, mas sim de como as empresas podem obter melhores resultados ao solucionar grandes problemas da humanidade. Com essa metodologia, eu pude incorporar esses princípios nas empresas. E quando criei o BeHappier, que é uma empresa de geração de valor compartilhado, ele já nasceu com essa essência. Ou seja, o grande problema que buscamos abordar é a depressão e ansiedade, que hoje são consideradas as doenças do século, essa é a história.

Qual seria sua mensagem final para esta entrevista?

A minha mensagem final para esta entrevista é que um dos grandes aprendizados que tive ao longo da minha trajetória é que todos nós temos um papel a desempenhar no mundo, e esse ponto de partida é o propósito. É fundamental entender por que viemos aqui e de que forma iremos honrar essa curta, rápida e preciosa jornada neste planeta, deixando-o um pouquinho melhor do que o encontramos. Isso requer um processo de autoconhecimento, uma mentalidade de crescimento, acolhimento dos desafios e a compreensão de que eles existem para que possamos superá-los e nos tornarmos mais fortes e resilientes.

Existe um conceito que aprecio muito, chamado de “anti-frágil”, que nos faz enxergar como as pessoas se fortalecem a partir dos desafios. E foi exatamente isso que aconteceu comigo, aprender a utilizar os desafios como impulso para alcançar o próximo nível. Diante de tudo que passei, incluindo traumas e tragédias, a mensagem final que carrego é que não somos definidos pelo que nos acontece, mas sim pelo que escolhemos nos tornar diante desses acontecimentos. Não podemos controlar a dor, a perda ou a maldade, mas podemos controlar a forma como reagimos a tudo isso. É nesse controle que reside todo o nosso poder, o poder de não sermos escravos das circunstâncias, das situações ou das pessoas, e sim nos tornarmos senhores do nosso próprio destino.

Essa postura de protagonismo, essa visão de responsabilidade, é fundamental para construirmos um mundo melhor e também para a nossa própria felicidade. Em vez de esperarmos por fórmulas mágicas ou por uma felicidade infantil como nos filmes de Hollywood, devemos encarar a vida real. É possível trilhar esse caminho fazendo a diferença na vida dos outros, compreendendo qual mensagem viemos transmitir, crescendo, evoluindo e dando sempre o nosso melhor.

Lições de carreira

Nesta inspiradora conversa com Flávia da Veiga, fica evidente o seu compromisso em buscar um significado maior em sua vida e carreira. Sua paixão por aprender e compartilhar conhecimentos sobre a ciência da felicidade é palpável, assim como sua dedicação em promover um mundo melhor e mais consciente. Com uma combinação única de estudos em criatividade, espiritualidade, neurociência e negócios, Flávia traz uma abordagem holística para construir um futuro mais feliz. Sua startup, a BeHappier, baseada na Psicologia Positiva, busca auxiliar as pessoas a descobrirem práticas que as levem a uma maior felicidade. Com sua participação em programas renomados e seu trabalho, ela continua disseminando conhecimento e inspirando outros a buscarem uma vida mais plena. É um grande privilégio ter tido a oportunidade de compartilhar sua história e visão inspiradora nesta entrevista.

Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo!

Abraço, Jonny

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