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Cultura de aprendizagem-entenda como a NASA transforma falhas em conhecimento
20 de Junho de 2022

Cultura de aprendizagem-entenda como a NASA transforma falhas em conhecimento

A NASA já enfrentou vários desafios ao longo de sua história, um dos mais marcantes ocorreu em fevereiro de 2003 com o acidente do Ônibus Espacial Columbia

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Por Prof Jonny 20 de Junho de 2022 | Atualizado 16 de Maio de 2023

A carreira de cada indivíduo é marcada por altos e baixos, conquistas e desafios. Todos nós, independente de fase da vida, grau de escolaridade ou área de atuação, já sofremos percalços ao longo do caminho. Um dos maiores desafios que enfrentamos é justamente transformar estes percalços em degraus de aprendizagem. Já cometi alguns erros ao longo dos anos. Me candidatei a posição que não consegui, assumi função que não combinou com meu perfil profissional, usei estratégias que se mostraram ineficazes na prospecção de parcerias, enfim, a lista é longa. Contudo, tenho buscado colher frutos destas experiências, e acredito que o balanço geral tenha sido positivo até aqui.

Assim como ocorre com indivíduos, as organizações também falham. A história está repleta de casos que mostram isto. No início dos anos 70, o centro de pesquisas da XEROX no Vale do Silício, mundialmente conhecido como (PARC– Palo Alto Research Center), desenvolveu o que ficou conhecido como o primeiro computador pessoal ALTO. Revolucionário para a época, a máquina continua uma pequena CPU, interface gráfica, mouse e outros recursos. Contudo, a empresa deixou de reconhecer o real valor daquele inestimável produto. Anos mais tarde, um jovem do Vale do Silício visitou o PARC, e percebeu o potencial do que estava a sua frente, seu nome Steve Jobs, e o resto virou a origem da APPLE, que é hoje considerada uma das maiores empresas do mundo.

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Outro exemplo de erro corporativo muito conhecido ocorreu com a KODAK. Em 1975, Steve Sasson, um de seus engenheiros, patenteou a primeira câmera digital. Conforme amplamente documentado, ao apresentar sua invenção à corporação, Steve recebeu a seguinte resposta: Mas é fotografia sem filme, isso é legal, mas não conte a ninguém. O resultado foi que a empresa perdeu uma enorme oportunidade de dominar o mercado das câmeras digitais, e veio a sofrer sérias consequências.

Mundialmente reconhecida como organização de excelência, a NASA já enfrentou vários desafios ao longo de sua história, um dos mais marcantes ocorreu em fevereiro de 2003 com o acidente do Ônibus Espacial Columbia. Além das mortes dos sete tripulantes, este evento gerou várias repercussões na organização. Em seu relatório, a Comissão de Investigação do Acidente da Colúmbia (CAIB, 2003) concluiu que a organização na época não fornecia mecanismos eficazes de verificação, não possuia um programa de segurança independente e não demonstrava as características de uma organização de aprendizado. Entre outros resultados, esta lição levou a NASA a criar, em 2004, o programa que ficou conhecido como PaL- Pause and Learn (Pausar e Aprender), um programa ainda em operação. Vale destacar que este programa é administrado pelo Escritório do Diretor de Conhecimento do Goddard, um dos Centros da NASA, pois para uma organização essencialmente de tecnologia, tão ou mais importante do que o CFO (Chief Finance Officer) é o CKO (Chief Knowledge Officer), ou seja, um executivo ou órgão responsável por gerenciar o conhecimento da organização. O programa PaL desenvolve uma coleção de estudos de caso para aprimorar o aprendizado em workshops, treinamentos e conferências.

Cabe mencionar que além da NASA, outras organizações conseguiram adotar esse tipo de processo de aprendizagem (às vezes chamado de aprendizagem pela ação), incluindo: Shell Oil, IBM, Fidelity Investimentos, Exército dos EUA e Harley-Davidson.

Qual é fundamento do Método PaL?

Conforme exposto no White Paper que apresenta o objetivo do método: “ele é concebido para facilitar o aprendizado dos engenheiros, líderes de projeto e membros da equipe realmente envolvidos no trabalho. Então, e só então, as lições aprendidas podem ser compartilhadas de forma eficaz e eficiente em toda a agência”.

Quais são algumas de suas regras básicas?

De acordo com o método PaL, antes do início de cada sessão, um facilitador designado deve expor as regras claras:

Seja discreto. Uma sessão PaL é uma discussão a portas fechadas entre membros da equipe. A menos que explicitamente declarado diferente, o que é dito na sala fica lá.

Seja honesto. Quando a atividade que está sendo discutida envolve diretamente você, descreva como você vê.

Seja tolerante. As opiniões e perspectivas dos outros são igualmente importantes, independentemente da posição na hierarquia da organização ou grau de experiência.

Agir em equipe. Ao olhar as ações de um indivíduo, estas devem ser consideradas a partir da perspectiva de equipe para buscar excelência.

Qual deve ser o foco do método?
Uma típica sessão do método PaL pode explorar muitas questões, mas a equipe deve tentar se concentrar nessas cinco perguntas:

Fonte: pixabay.com


O que pretendíamos fazer?
O que funcionou bem e por quê?
O que não funcionou bem – por quê?
O que aprendemos com isso?
O que devemos mudar?

 

Quais fatores podem contribuir com a efetividade do método PaL?

Além das regras acima expostas, algumas recomendações podem ser aplicadas para maior efetividade deste método. Aqui estão algumas delas:

Realize sessões regularmente. O aprendizado acontece ao longo da vida de um projeto. Assim, tanto quanto possível, deve-se procurar manter sessões PaL como um hábito da organização, e não uma reflexão tardia quando o projeto termina.

Não se deve atribuir consequências, sejam elas boas ou ruins. Os membros da equipe serão honestos se confiarem que de uma típica sessão não haverá consequências individuais. Portanto, este método está baseado em criar um ambiente de não atribuição de culpa.

Não se deve gerar relatórios. Diferente do que ocorre em comissões de investigação de acidentes, por exemplo, a proposta do método PaL é não criar relatórios formais de uma sessão. Embora seja útil tomar notas para referência, estas notas não devem citar diretamente os participantes e destinam-se principalmente à equipe.

Torne as sessões locais. Encontre uma sala, feche a porta, e realize a sessão logo após um evento, revisão etc. Não espere até um acidente ocorrer.

Longe de ser uma forma única e independente, os proponentes do método PaL apresentam que sua aplicação pode contribuir para cultura de aprendizado da organização. Os resultados destas sessões quando combinados com registros de lições aprendidas, normas técnicas e relatórios de segurança, podem desempenhar um papel crítico no aprendizado eficaz.

Lições para carreira

É fato que as falhas podem servir como parte importante no processo de aprendizagem. Considerando que não tenham gerado perdas irreparáveis, é possível que nossos erros tenham sido as melhores oportunidades de crescimento.
Em todas as áreas do desenvolvimento humano, quer seja pesquisa médica, exploração espacial, promoção de iniciativas de paz, erradicação da fome, estratégias voltadas à sustentabilidade entre outros, organizações e indivíduos estarão em contínuo aprendizado, mas é necessário criar cultura para isto. A NASA, como organização geradora de conhecimento, contribui com a definição de padrões em várias áreas tecnológicas. A proposta é que com a promoção do método exposto acima, todos possamos pausar e aprender, para avançar na escada do conhecimento.

Pense sobre isto!

Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo artigo!

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