Coluna Ozinil | República Federativa do Cinismo!

14 de Agosto de 2020

"[...] tudo é permitido em nome de objetivos a serem alcançados"

Em nome de projetos de poder tudo é válido na República Federativa do Cinismo. Alterar versões, invadir atribuições, exercer poder paralelo, inverter papeis, tudo é permitido em nome de objetivos a serem alcançados. O fato concreto é que o resultado da escolha do povo brasileiro na última eleição presidencial, diferentemente das anteriores, não foi e não é aceito pelos que a perderam.

A ideia presente em todos os pronunciamentos dos que torcem pelo quanto pior melhor é a de culpar o presidente do país por todas as mazelas que estamos vivendo e, em sua grande maioria, herdadas de gestões anteriores. Assim impede-se o governo de agir na tentativa de torná-lo inviável e provocar sua queda.

As ações vão de medidas corriqueiras a campanhas sistemáticas de desmerecimento. Quando o Congresso deixa “caducar” a medida provisória das simplórias carteiras de estudantes há uma razão clara para isto; não permitir a perda da exclusividade da União Nacional dos Estudantes – UNE – e, sua consequente perda de receita pecuniária, afinal a UNE é o braço do Partido Comunista Brasileiro desde que existe.

Quando o Supremo Tribunal Federal – STF – resolve tirar os poderes da presidência da República na gestão da pandemia e os delega a governadores e prefeitos, está exercendo uma ação política inimaginável e pior, segundo o parecer de advogados, inconstitucional. E, o irônico da situação é que a imprensa e congressistas ficam criticando a inação do governo federal no combate a pandemia. Difícil, para quem é minimamente inteligente, entender. Retiro os poderes e cobro ação???

Ação que se definiu no envio de recursos a estados e municípios para o combate a pandemia e, para espanto de todos, dinheiro que foi desviado na maior cara de pau. São respiradores fantasmas, máscaras superfaturadas, respiradores comprados em lojas de vinho ou de empresas fantasmas e por aí segue o desatino da gestão pública no país do cinismo.

O jogo político que o país vive é pesado e em momento algum tem como foco, por parte da oposição, na melhoria das condições de vida da população e, o exemplo mais contundente foi à posição na votação do marco do saneamento em que senadores da esquerda foram contra a aprovação, preferindo que 50% da população brasileira permaneça sem saneamento básico, mas que se mantenha o serviço como público e ineficiente. Ah! O mal produzido pela ideologia é real!

A recuperação da economia dependerá do esforço de todos os brasileiros. O estrago foi enorme; o desemprego cresceu e empresas faliram. Ao mesmo tempo vivemos uma revolução nas relações de trabalho. Novas modalidades, que já estavam sendo praticadas em pequena escala, avolumaram-se e isto representa mudança no perfil profissional das pessoas, exige mais escolaridade, mais disposição para encarar os novos desafios e temo que não estejamos preparados para enfrentar as mudanças a que será exposto o país. Hora dos políticos pensarem no bem comum e não em seus projetos de poder.

Importante lembrar que a conta da pandemia está sendo paga pela iniciativa privada e pelo povo em geral. A classe política e os detentores de cargos públicos navegam na segurança de suas estabilidades. Na realidade não somos iguais perante a lei! Na República do Cinismo há cidadãos de primeira e segunda classe!

No primeiro show apresentado pelos Beatles no mais importante teatro britânico e em que se fazia presente parte da elite real, John Lennon, ironicamente, alertou: “os que ocupam as cadeiras mais baratas batem palmas, os demais sacodem as joias!"Parece que o problema é antigo!”.

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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