Coluna Ozinil Martins | A vergonha do saneamento básico

30 de Abril de 2019

O Brasil assumiu e não cumpriu o compromisso formal junto à ONU de universalizar os serviços de saneamento básico

A situação caótica da infraestrutura do país durante anos de descaso mostra sua face perversa aos mais pobres. Em pesquisa realizada em 2017 e divulgada pelo IBGE em 19.09.2018, apenas 41,5% dos municípios brasileiros possuíam o Plano Municipal de Saneamento Básico. Apenas 2314 municípios de 5570 possuíam o plano que permite o acesso a financiamentos para realização de obras na área. O Brasil assumiu o compromisso formal de universalizar os serviços de saneamento básico, junto à Cúpula da ONU, até o ano de 2030. Para isto teria que fazer um investimento de R$24 bilhões por ano. Para se ter uma ideia de como andam as coisas nesta área, o orçamento para o setor em 2019 prevê o investimento de R4 bilhões. Neste ritmo nem em 2050 a meta será atingida. A conjugação da irresponsabilidade governamental com a omissão do povo é responsável pelo desastre da poluição produzida. O Estado de Santa Catarina, por exemplo, é um dos que menos investe em saneamento básico. A cidade de Florianópolis é parcialmente coberta pela coleta, mas existem áreas densamente povoadas, sem que a coleta de esgoto seja efetivada. E o seu município como está? É sua preocupação pressionar o poder público sobre o assunto? Para pensar!

 

Paradoxo maior da humanidade
Claro que você, leitor inteligente e perspicaz, já percebeu a sinuca de bico em que se meteu a humanidade. Durante anos vivemos a crença de que a economia crescendo todas as respostas estavam postas. Esquecemo-nos pois, das mudanças a que a humanidade está, periodicamente, exposta. A economia é, simbolicamente, uma rosca sem fim; quanto mais pessoas, mais empregos, mais consumo, mais arrecadação e maior necessidade de insumos para sustentar a máquina da economia com o ciclo se repetindo ao infinito. Aí começam a surgir os contratempos; os insumos começam a declinar e há recursos no planeta que não serão repostos, a população cresce a números gritantes exigindo consumo cada vez maior e surge, inesperadamente, a inteligência artificial, que reduzirá todos os empregos braçais, substituídos que serão, pela tecnologia. População em crescimento, recursos naturais em colapso, revolução digital em pleno nascedouro e concentração de riqueza cada vez mais marcante. Este é o cenário! E o que estão fazendo os governos? Nada! Tentam, como os avestruzes, fazer de conta que o problema não existe e, que tudo ao final  dará certo. Fatalismo ou realidade? A conclusão é sua!

Hora de governar
Em momentos de crise o líder foca seus esforços no que é essencial. Claro que as reformas são prioritárias, claro que o congresso, chantagista que é, tentará criar dificuldades para vender facilidades, claro que a oposição, com raras exceções, adotará o clima do quanto pior, melhor. Mas, ao líder cabe focar em soluções dos problemas que afetam a população. São 13 milhões de desempregados e a economia estagnada ou em regressão. Quais são as propostas do governo para ativar a economia e gerar empregos por mais simples que estes sejam? O que se vê é a briga pelo poder dentro do partido do governo (chega a votar contra propostas do próprio governo), espaços preenchidos por gurus, que se fossem competentes teriam assumido o governo, alas procurando ocupar espaços sem se preocupar com o país e concessões feitas contrariando o espírito liberal que estabeleceu o norte da campanha eleitoral. Governar é contrariar interesses, governar gera bônus e ônus. Hora de governar, criar empregos, impulsionar a economia e deixar claro quem e o que está sabotando o país com intrigas e futricas que só nos levarão ao caos.

 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.