Coluna Ozinil Martins | Trezentos de Esparta e os 594 do Brasil!

22 de Abril de 2020

Enquanto em Esparta se praticava a ética e a governança para tornar a vida de todos melhor, por aqui se pratica a discórdia

Há uma passagem histórica que retrata bem o valor que homens e mulheres podem nutrir pela pátria. Esparta e Atenas foram dois leais competidores na Grécia antiga e, pelas diferenças entre ambos, construíram fortalezas tanto em cultura como na capacidade de guerrear.

Quando Xerxes, rei da Pérsia, decidiu invadir as terras gregas, mensageiros foram enviados a Esparta para solicitar a rendição grega de forma incondicional. Leônidas, rei de Esparta, devolve a Xerxes a cabeça de seu mensageiro com todas as consequências daí advindas.

Sabendo que a invasão era iminente, Leônidas, acompanhado de 300 de seus melhores guerreiros, marcha para o desfiladeiro das Termópilas, pois sabia que ali poderia organizar uma defesa que conteria os 2 milhões de guerreiros persas e, ganharia tempo para que a própria Esparta e Atenas organizassem melhor suas defesas para impedir a ocupação de suas terras.

E, assim o fez! Antes da primeira batalha, Leônidas recebe mensageiro que lhe diz que “as flechas serão tantas que escurecerão o céu.” Um capitão espartano responde que “melhor assim, pois combateremos a sombra.”

Os 300 heróis espartanos cumpriram sua missão; retardaram a velocidade das tropas persas e permitiram a estruturação da defesa grega. Os 300 morreram, mas a pátria estava salva!

O Brasil, entre senadores (81) e deputados federais (513) totalizam os 594 do Brasil. Enquanto em Esparta se praticava a ética e a governança para tornar a vida de todos melhor, por aqui se pratica a discórdia, a política do quanto pior melhor, a política do quanto eu levo nesta jogada. Infelizmente, a folha corrida de muitos deputados e senadores mostra a face real de quem não está nem aí para o povo. 

Leônidas era um homem de princípios; as atuais lideranças da câmara e senado não sabem o que significa princípios. Criados em ambientes de maracutaias entendem ser este o padrão normal de comportamento de homens públicos. As manobras feitas nos dias atuais mostram um legislativo com intenções ditatoriais e seu presidente, como menino mimado, respondendo às críticas com atos que só jogam mais lenha na fogueira.

A designação do líder do PT para ser o relator da Medida Provisória verde-amarela, que beneficiaria os jovens em busca de emprego e que, o PT desde o início mostrou-se contra, mostra a ação de um menino contrariado e que está se lixando para o país. A medida já foi retirada pelo governo. Ao mesmo tempo busca aprovar o empréstimo compulsório das grandes empresas; 10% do lucro destas empresas seria entregue ao governo, compulsoriamente, para ajudar no combate a pandemia. Isso afugenta empresas, relativiza a legislação existente e torna o país menos atraente ao capital estrangeiro. Importante saber quando Suas Excelências abrirão mão de fundo eleitoral e de seu salário carregado de penduricalhos. A conta é só para pessoas da terra? Os deuses do Olimpo não contribuirão com o esforço de guerra?

Ressalvando alguns parlamentares, que bradam em ouvidos moucos, este congresso, por nós eleito com estigma de reformista, mostra-se, cada vez mais reacionário e infestado de costumes do passado recente.

É isso que dá comparar os espartamos com congressistas brasileiros!

 

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