Coluna Ozinil Martins | Tecnologia, Mercado de Trabalho e a falta de qualificação das pessoas.

03 de Novembro de 2020

A formação não pode mais ser somente teórica/conceitual; deve ser fundamentalmente prática

Imagem de Peggy und Marco Lachmann-Anke por Pixabay 

 

Semana passada foi liberada a informação que o país atingiu mais de 14 milhões de desempregados. Desde que o número começou a ser controlado é a primeira vez que atingimos esta marca terrível de pessoas à margem da sociedade. Não bastasse isso, o nível de qualificação das pessoas que se oferecem ao mercado não é compatível com o que o mercado deseja e precisa. Logo, o impasse se estabelece e, o grande derrotado é o país, que vê aumentar, gradativamente, os índices de violência, o crescimento das ocupações clandestinas, a prostituição, entre outros males com que convive a sociedade atual.

Em plena campanha eleitoral para prefeitos e vereadores, onde se decide o futuro das cidades, não vi, em nenhum momento das várias campanhas eleitorais que acompanho o tema abordado com a profundidade que merece. Claro que o mundo mudou, óbvio que muitos dos tumultos que estamos acompanhando são originários da insegurança que as pessoas, às vezes inconscientemente, percebem ou sentem. Não há mais espaço para as pessoas sem qualificação nas áreas de atividades profissionais. 

A formação não pode mais ser somente teórica/conceitual; deve ser fundamentalmente prática. Cresce a importância da formação técnica e a necessidade de se abandonar nossa cultura bacharelesca. A Alemanha é um bom exemplo e, se formos inteligentes, deveríamos segui-lo. Os empregos mais qualificados estão na área tecnológica e, com o processo de robotização e mecanização, haverá demanda cada vez maior por profissionais técnicos. Essa é uma, se não a única, maneira de distribuir renda e de permitir o crescimento sustentável do país. Este é um aviso aos pais, já que as autoridades parecem não se sensibilizar pelo tema!

O país está sem aulas presenciais desde março deste ano. A escola que deveria oferecer condições para a busca de igualdade na vida das pessoas esbarra nas diferenças sociais e, as aprofunda, pois alunos que não têm acesso as modernas tecnologias, por mais esforços que façam seus professores, não conseguem acompanhar o ritmo imposto. A Europa, que vive sua segunda onda de infecção pelo vírus, está limitando uma série de atividades, mas as aulas terão continuidade. Os europeus sabem a importância da formação para enfrentar um mercado de trabalho em constante mudança. As afirmativas que tenho ouvido de professores, pais e, autoridades é que as aulas serão retomadas quando houver vacinas disponíveis. O preço do atraso é a ignorância!

Por outro lado, esta mesma tecnologia que destrói empregos, muda o perfil profissional exigido é a mesma que está gerando a primeira geração de crianças com Q.I. inferior aos de seus pais. Segundo neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, os dispositivos digitais disponíveis estão afetando seriamente o desenvolvimento neural de crianças e jovens. Autor do livro “A fábrica de cretinos digitais” Desmurget mostra que o caminho a ser trilhado pelas novas gerações é crítico, tanto do ponto de vista de geração de empregos, como da ocupação de postos de trabalho cada vez mais complexos e que exige das pessoas capacidade de pensar.

Se como dizem os linguistas o ser humano diferenciou-se dos animais quando desenvolveu a fala, pelo que percebemos em tempos atuais a involução está acontecendo na velocidade do século XXI.

 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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