Coluna Ozinil Martins | Sua escola tem asas ou é uma gaiola?

19 de Maio de 2021

Na filosofia de vida de Big Al Juodikis “não vê o quadro quem está dentro da moldura” ou, em bom português, é hora de sair da caixa!

Imagem de mohamed Hassan por Pixabay 

 

Aquele que considero o maior pensador da educação brasileira, Rubem Alves, tem uma frase que leva ao título da coluna. “Há escolas que têm asas e outras que são gaiolas!” Já, Immanuel Kant diz: “É por isto que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e
sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm que pôr em prática as suas ideias!” As duas reflexões levam a uma pergunta: o que estamos fazendo com nossas crianças? Como as estamos preparando para um futuro em mudanças permanentes e que exigem, cada vez mais, a capacidade de pensar, o exercício da criatividade, a capacidade de sair de situações conflituosas pela magia da improvisação e do pensamento criativo; cada vez mais “esperar o inesperado” faz parte da vida contemporânea.

A grande maioria de nossas escolas continua sua produção em série de pessoas para atuarem em um mercado industrial, que está cada vez mais informatizado, mecanizado, robotizado. O objetivo parece ser, ao invés de ensinar a pensar, adestrar. Embotam a criatividade das crianças, cortam seus sonhos no momento em que as fazem regugitar o pensamento de outros que as antecederam; não é o que elas pensam que é importante, mas repetir o que outros pensaram. Nossas salas de aula têm a mesma estrutura física do século XIX, a mesma disposição das bancadas, a mesma rigidez da ocupação dos assentos; o estudante e as nucas à sua frente são sempre as mesmas! Ah, sim! Alguns recursos tecnológicos foram incorporados à dinâmica das aulas, mas que não quebraram a relação aluno – objeto, professor – sujeito.

Hoje com o conhecimento disponível em todos os dispositivos eletrônicos basta ao interessado pesquisar. Então o papel do professor muda completamente de sentido;
quem era o detentor do conhecimento passa, agora, a ser o incentivador, o facilitador, o coordenador da busca pelo conhecimento e o estimulador para a obtenção de novos conhecimentos a partir de cada estudante. Deixar o estudante navegar pelos próprios pensamentos e, buscar aquilo que é a proposição da aula pode ser um bom caminho. Cabe ao professor definir o objetivo da aula e o conhecimento ou habilidade que deve ser desenvolvido pelos estudantes. As novas metodologias estão aí para serem usadas. A Sala de Aula Invertida é um bom começo, pois é simples e fácil de avaliar se os resultados foram atingidos.

No momento em que o importante para as grandes empresas de tecnologia são as pessoas com habilidades técnicas e competências no desenvolvimento de relacionamentos todo o sistema de educação está colocado em cheque. O próprio papel das universidades passa a ser questionado; será que são mesmo necessárias como estão organizadas? No Vale do Silício já existem universidades sem campus, universidades sem professores e a Minerva Scholl onde o foco maior do ensino-aprendizagem é o desenvolvimento das habilidades comportamentais, pois se a Inteligência Artificial ocupará o espaço humano nos trabalhos repetitivos e programáveis restará ao ser humano o desenvolvimento de suas habilidades comportamentais. E, o que estão nossas escolas fazendo para preencher este espaço?

Engessar os estudantes com conhecimentos obsoletos é o mesmo que limitar sua capacidade de crescimento e ensinar-lhes o caminho para o fracasso. Aos professores
cabe visualizar o futuro e mostrar aos seus alunos as potencialidades que existem ou existirão e, para isto, nada mais justo que ensiná-lo a pensar, pois só assim, estará qualificado para enfrentar o mundo que está em construção. Na filosofia de vida de Big Al Juodikis “não vê o quadro quem está dentro da moldura” ou, em bom português, é hora de sair da caixa!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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