Coluna Ozinil Martins | Só tem um caminho: Educação!

10 de Dezembro de 2019

Não há saída sem educação de qualidade

Recentemente foram divulgados os resultados do Exame do Pisa; exame que é organizado e realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e que nesta versão contou com 78 países. Os estudantes, de escolas públicas e privadas, com até 15 anos de idade, são os avaliados e servem de base para os resultados divulgados.

Novamente nosso país mostra resultados preocupantes para não falar assustadores. No ranking da leitura, nossa melhor posição, o Brasil situou-se em 57º lugar; em matemática a posição foi a de 70º lugar e em Ciências 65º lugar. O pior da análise divulgada é que 43% dos nossos estudantes não conhecem o mínimo necessário nas três áreas avaliadas. 

Quem trabalha ou já trabalhou como professor em cursos superiores sabe das dificuldades enfrentadas em situações comezinhas de interpretação de texto e de operações básicas de matemática como regra de três e porcentagem e entende porque o número de pessoas desempregadas portadoras de diplomas universitários é tão alto.
Ao mesmo tempo estão sendo divulgados dados como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em que caímos da posição 78º para 79º, isto é o país perdeu uma posição no ranking. Outro dado assustador divulgado recentemente refere-se à concentração de renda mostrando que o Brasil é o segundo país com maior concentração de renda entre os 189 países ranqueados. 

Ouvindo entrevista de uma senhora da ONU que comentava sobre os dados apresentados, explicava ela que, com o avanço da tecnologia de informação o Brasil poderá dar salto qualitativo e recuperar o tempo perdido ao longo de anos de uma educação, absolutamente, precária e mantenedora de pessoas subservientes e despreparadas. 
Minha pergunta é: como dar o salto tecnológico necessário com uma população de analfabetos digitais? Como suprir o mercado de trabalhos com profissionais de tecnologia se nossos estudantes se preocupam cada vez mais com ciências sociais e menos com ciências matemáticas? Se alguém tiver a resposta adoraria compartilhar, pois não consigo enxergar solução em curto prazo.

Recentemente ouvindo representante da indústria farmacêutica sobre o controle de preços exercido pelo governo, com correção anual e pela variação da inflação, dizia ele que como os insumos são basicamente importados, a indústria é afetada significativamente pela variação cambial e a gestão deve ser exercida na produção e na distribuição. Por isso até final de 2020 uma empresa do setor inaugurará nova fábrica dentro do conceito indústria 4.0, isto é, com alto grau de automação, mínimo de trabalhadores operacionais e com um perfil profissional diferenciado para os que forem contratados.

Este fenômeno é mundial! Se outros países já estão passando pelas agruras do desemprego e da falta de qualificação profissional, imaginem o tamanho do desafio a ser enfrentado pelo Brasil. Não há saída sem educação de qualidade. E, tem que ser já!
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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