Coluna Ozinil Martins | Só resta a esperança!

23 de Junho de 2021

"(...) de onde deveriam vir as ações de melhorias, nada acontecerá."

Foto de Gelgas Airlangga no Pexels

 

A Câmara dos deputados aprovou, na última semana, a lei que fortalece a impunidade no país. Foram 408 deputados e deputadas, da extrema direita à extrema esquerda, que de forma leviana, esquecendo suas divergências ideológicas, mas pensando individualmente em suas possíveis estripulias parlamentares, votaram pelo fortalecimento da impunidade. Perde o Brasil e o povo honesto. Destes 408 parlamentares 14 são da Bela e Santa Catarina! Bom guardar os nomes e relembrá-los quando vierem “pedir votos.” Espera-se que o Senado faça as correções necessárias para evitar o pior.

Ao mesmo tempo era noticiado que a inteligência policial do Rio de Janeiro descobriu que líderes de facções criminosas do norte e nordeste estão homiziados nas comunidades da cidade buscando é óbvio, a tranquilidade que lhes foi oferecida por Sua Excelência Luiz Edson Fachin, juiz do STF, ao proibir operações militares nas comunidades enquanto perdurar a pandemia. Lembro que o nascedouro do crime organizado no Rio de Janeiro teve sua origem na determinação do Governador Leonel de Moura Brizola, na década de 70, que proibiu a polícia de “subir os morros”; independente das boas intenções de Brizola o crime organizado aproveitou para fortalecer-se e criar raízes que os mantém até hoje como donatários dos morros cariocas, fazendo seus moradores de serviçais dedicados, corrompendo menores e fazendo das meninas, acompanhantes.

Durante a semana também foi notícia o matador de Goiás. Lázaro Barbosa, que por ser um exímio conhecedor da área está dando um banho de estratégia na Polícia do Estado de Goiás, que conta com ajuda da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, entre outros menos importantes. Impossível que com todo aparato tecnológico disponível o matador ainda esteja livre e caminhando pela área colocando vidas inocentes em risco absoluto. Incompetência, Incúria ou que nome se dê a isto.

Ao mesmo tempo em que tudo isto está ocorrendo é importante lembrar que, de tempos em tempos, mafiosos de várias partes do mundo são presos no Brasil, país que escolhem para se esconder e daqui comandar operações de suas facções criminosas; o mais célebre destes bandidos foi Ronald Biggs protagonista do que ficou conhecido na Inglaterra como Assalto ao Trem Pagador. Biggs ficou no Brasil por mais de 30 anos, onde foi dono de restaurante e até filho com brasileira teve. Cesare Battisti é outro criminoso europeu que se estabeleceu no Brasil, com anuência do governo brasileiro, e só recentemente foi preso na Bolívia quando a situação em terras tupiniquins ficou desfavorável. Entre criminosos latinos e europeus o Brasil transforma-se em valhacouto de bandidos pela sua indolência em combater o crime organizado e pelo arcabouço legal criado para favorecer os criminosos. Que fique claro que “não existe crime organizado sem apoio de altas figuras dos poderes da república.”
Como consequência de tudo que foi anteriormente escrito, o Ranking de Competitividade da Escola de Negócios da Suíça – IMD - mostra o Brasil caindo uma posição, para o 57° lugar e, ocupando o último lugar em Educação e Eficiência Governamental. São 64 os países aferidos pelos indicadores definidos pela escola. Suíça, Suécia e Dinamarca são as mais competitivas. As áreas mais desenvolvidas nestes países são a inovação, atividade diversificada e coesão social.

Enquanto isto, em “Terra Brasilis”, flexibiliza-se o acesso à chave do cofre aos nossos brilhantes parlamentares, a Educação afunda na mediocridade e continua estacionada no século XIX e o poder judiciário facilita o domínio da sociedade pelo crime organizado. É sugestiva a afirmação do ex-Juiz da Corte Internacional de Justiça, atualmente exercendo a advocacia, Sr. Francisco Rezek, após a quebra de sigilo dos médicos defensores do tratamento precoce que, “o problema da atual composição do STF é excesso de autoritarismo e falta de leitura"; Enfim, só nos resta a esperança e a luta dos honestos por um país melhor, pois de onde deveriam vir as ações de melhorias, nada acontecerá.

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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