Coluna Ozinil Martins | Sim! É só a costumaz incompetência

02 de Março de 2021

“O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito..."

Foito: Imagem de KLAU2018 por Pixabay
 

Desde jovem aprendi, pela necessidade, que se você quer alguma coisa da vida há necessidade de planejar-se. Imaginar o futuro não basta, mas serve para que se estabeleça o planejamento que, passo a passo, vai levá-lo à materialização do imaginado. Sonhar é maravilhoso, mas sem a realização não leva ninguém a lugar nenhum. A experiência de ter vivido 5 anos no Exército Brasileiro consolidou a importância do planejamento, entre outras virtudes vivenciadas; nenhuma operação militar é realizada sem o exaustivo planejamento, repetido tantas vezes quanto necessário e, se eventualmente erros acontecem, são resolvidos rapidamente.

Outra experiência profissional foi a de ter trabalhado por 20 anos em uma empresa multinacional líder de mercado em seu segmento de atuação. O aprendizado foi então ampliado em muito. O Planejamento anual, sempre feito em outubro do ano que o antecedia, era preciso e detalhado; implantado, era revisto mensalmente e ajustado sempre que necessário. Além deste planejamento, a cada ano, fazia-se a revisão dos próximos 5 anos. Futurologia? Não! Previsibilidade de gastos futuros, de entrada de recursos, expansão ou não de mercado, mudanças nas operações. Enfim, tudo era previsível e quando algo escapava do normal existiam os planos contingenciais, que serviam para nos preparar para o inesperado. Mas, afinal, por que estou escrevendo sobre isto?

Porque este final de semana vi e ouvi a imprensa mostrando fatos que escancaram a imprevidência do Estado. É público e notório que o Estado, por administrar um dinheiro que não é seu, mas de seus contribuintes (ou seria espoliados), planeja mal ou não planeja suas ações. Basta olhar para as obras, em que se aplicaram milhares de reais e, estão inacabadas ou que não mostram nenhuma utilidade prática. O Estado é perdulário exatamente por não apontar responsáveis pelos erros ou quando os aponta não há correspondência em punições que serviriam para repor o que do Estado foi retirado e para servir de exemplos aos patrocinadores dos “mal feitos.”

A vacinação em São Paulo, em postos previamente informados, para os “bem vividos” de 85 a 90 anos foi um exemplo perfeito de irresponsabilidade gerencial em relação àqueles que trabalharam, contribuíram e sustentaram o sistema por anos. Esperar em filas, mesmo dentro de carros, por 4h ou mais é de um desrespeito absurdo. Sem informações de que a demora seria tão grande as pessoas não se prepararam para atender suas necessidades de água, comida e o local não oferecia infraestrutura necessária para a espera a que foram submetidos. O governador, quando questionado, afirmou que melhoraria as condições para a segunda feira. 

Na segunda ao acompanhar notícias do dia somos informados que, na mesma São Paulo, em um posto em bairro da cidade, mais de 50 pessoas esperavam desde as 5h da manhã, sem nenhuma condição de apoio, em filas sem respeito ao distanciamento, pela aplicação da vacina quando foram informados pelos responsáveis, por volta das 10h, que não havia vacinas para serem aplicadas, pois não haviam chegado ao posto ambulatorial.

Nem vou abordar o abre e fecha dos estabelecimentos comerciais, o pode não pode repetitivo que indicam, claramente, que a contrapartida do Estado, no atendimento médico, não está acontecendo e o custo está sendo transferido à sociedade. 

Buscando apoio em Roberto Campos  – “O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele pode nos dar é sempre menos do que nos pode tirar.”
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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