Coluna Ozinil Martins | Será que vamos aprender?

03 de Abril de 2020

Bendito corona!!! Fez com que as pessoas acordassem para além de seus umbigos.

Foto: Dmitry Ratushny em Unsplash

O coronavírus está provocando alguns efeitos colaterais interessantes. De repente os políticos brasileiros descobriram que o país tem milhares de moradores de rua, que existem comunidades onde as pessoas vivem em condições desumanas, que os sistemas de transporte coletivo de nossas grandes cidades não atendem as necessidades básicas do ir e vir e, tem pessoas que chegam a passar 5 h diárias dentro de coletivos; descobriram também que existem quase 40 milhões de trabalhadores autônomos que têm renda precária e incerta, que o país não tem infraestrutura na área de saneamento (falta inclusive água tratada), que os hospitais encontram-se sucateados e não atenderiam o auge da crise entre outros problemas que foram descobertos, agora, pelo país e seus políticos.

Bendito corona!!! Fez com que as pessoas acordassem para além de seus umbigos. Sim, existe um país cheio de problemas e que, enquanto não nos afetem, não são percebidos ou são retratados, jocosamente, como cultura de um povo. Não! Utilizar ônibus e metrôs espremidos como sardinhas em lata, não é cultura de um povo; morar em condições precárias, quando 6 ou mais pessoas vivem em um mesmo cômodo, não é cultura de um povo, fazer suas necessidades físicas fora da casa em locais precários, não é da cultura de um povo, beber água do riacho sem tratamento, não é da cultura de um povo, jogar lixo nas ruas, não é cultura de um povo. É muito mais, produto de inexistência de planejamento, de corrupção, que é endêmica na política brasileira, e do delírio de políticos que se dedicam a obras que não têm nenhuma aplicabilidade ao povo.

Mas, antes e acima de tudo é produto de uma educação deficiente e que rouba sonhos de crianças e joga no lixo o futuro de gerações após gerações. Enquanto discutem-se políticas públicas, enquanto cada governo eleito pretende impor o seu slogan, a educação afunda e as gerações ficam, cada vez mais, à deriva. A tecnologia avança, países evoluem e, o Brasil, discutindo entre esquerda e direita, vai perdendo o caminho do futuro. Futuro que o coronavírus mostrou incerto e, sem cérebro, o “bichinho” derrubou bolsas, parou o transporte mundial, fez descarrilhar as cadeias produtivas, fechou fronteiras e escancarou uma realidade sutil, mas perceptível a alguns; o mundo atual carece de lideranças efetivas, que tenham credibilidade, que sirvam de exemplos ao povo. Desde épocas imemoriais o povo segue seus líderes, mas para isso, é preciso ter líderes que tenham credibilidade, o que não é realidade no momento vivido.

Como humano que sou espero, sinceramente, que a humanidade aprenda aquilo que o vírus procurou nos mostrar. Humildade, respeito ao próximo, compaixão, delicadeza, gestos que ficaram no passado e que eram corriqueiros devem voltar a fazer parte do cotidiano das pessoas. A pressa para chegar a algum lugar foi compensada pela quarentena. Impérios foram construídos e destruídos ao longo dos séculos. A efêmera passagem de nós, humanos, pela vida, só terá sentido pela obra que será deixada. Você tem do que se orgulhar?

 

 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.