Coluna Ozinil Martins | Será o Brasil um cemitério de sonhos?

15 de Dezembro de 2020

Sem recursos tecnológicos, materiais adequados e professores preparados para os tempos atuais, qual o resultado esperar dos exames internacionais que são submetidos nossos jovens?

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Recentemente, lendo um texto na mídia social sobre os desmandos administrativos que acontecem na gestão pública brasileira que, somados às disputas políticas que nos acometem desde sempre, pela infantilidade e megalomania de políticos pequenos ante a grandeza da missão da política e do país, deparei-me com o desabafo de um jovem brasileiro, residente no exterior, que entendia ser o Brasil um cemitério de sonhos.

Refletindo com mais calma sobre o desabafo do jovem permiti-me associar sua afirmação com a forma como é gerenciada a educação no país. Fiquei a imaginar a precariedade de salas de aula pelo país afora, as crianças transportadas em alguns lugares, por meios que mais se assemelham ao transporte de animais; outros enfrentam longas jornadas caminhando até chegar às suas escolas.

E chegando a escola encontram professores que, sem atualização permanente nas novas metodologias, repetem processos e métodos que há séculos vêm sendo praticados; também deixam de encontrar recursos tecnológicos corriqueiros que facilitariam em muito a tarefa de ensinar e, para isto não é preciso ir muito longe.

Sem recursos tecnológicos, sem recursos materiais adequados, sem professores preparados para os tempos atuais, qual o resultado a esperar dos exames internacionais a que são submetidos nossos jovens? Com certeza nada diferente dos que estão e foram obtidos até agora.

Se esta não é uma receita perfeita para manter o país no atraso e matar talentos que sequer foram mostrados, desconheço. O que deixa triste qualquer pessoa que trabalha com a educação de maneira séria é a quantidade de jovens talentosos que ficam pelo caminho sem possibilidade de mostrar suas potencialidades. Quantos cientistas tiveram seus sonhos abortados? Quantos médicos, que poderiam estar prestando trabalho em comunidades carentes, tiveram seus sonhos ceifados? Quantos professores, que poderiam fazer a diferença, ficaram soterrados na incompetência dos gestores políticos deste imenso Brasil, que mostra, cada vez mais, sua profunda fragilidade no que é essencial para o desenvolvimento harmônico do país?

Como afirma Piaget “A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo o que a elas se propõe.” Só se consegue fazer isto em escolas que ensinem as crianças a pensar. Este é o papel fundamental da escola: ensinar a pensar!

Quando este papel não é exercido na plenitude e ensinamos as crianças a memorizar conhecimentos do passado, que servem de referencial, mas não atendem o papel de ensinar a pensar estamos contribuindo para transformar crianças talentosas em adultos medíocres e, transformando o país em um cemitério de sonhos.

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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