Coluna Ozinil Martins | Será a Educação da Finlândia um modelo a ser seguido?

27 de Abril de 2021

Hoje, o país é apontado em vários rankings como um dos que possui a melhor Educação

Até meados do século XX a Finlândia era um país muito pobre; nos anos 70, por decisão do parlamento, a Educação passou a ser a principal prioridade do país e, a mudança aconteceu. Hoje, a Finlândia é apontada em vários rankings de Educação que são feitos no mundo como um dos países que possuem a melhor Educação. Mas, o que foi, de fato, realizado?

A primeira decisão foi de incluir todas as crianças nas escolas e de forma, absolutamente, gratuita. Lá o filho do pobre e do rico estudam nas mesmas escolas, pois não existe ensino privado; todas as instituições escolares são públicas. Outra mudança significativa é que os currículos são comuns, mas observam as peculiaridades da região onde a escola atua trazendo maior efetividade ao processo de ensino.

Outro ponto importante é a personalização da Educação; cada aluno aprende de acordo com seu tempo e sua formação básica; não existem provas aplicadas de maneira genéricas a todos os alunos e as provas não são aplicadas nos anos iniciais de estudo. Até o quinto ano do ensino fundamental, nem provas nem notas, mas avaliações da evolução dos alunos com a finalidade de identificar e corrigir suas dificuldades. Outro dado importante é de que os alunos têm tempo para tudo e as lições de casa são feitas nas próprias escolas, com a sempre presença do professor. Dentro do princípio de que todo aprendizado deve ser lúdico e que criança existe para brincar não há o dever de casa. 
Como o conceito de que escola existe para ensinar o estudante a pensar todo o ambiente escolar é preparado para incentivar a criatividade. Disciplinas de Inovação e Empreendedorismo são bases deste processo. A redução da jornada escolar e o intervalo de 15 minutos entre uma aula e outra facilitam o desligar de uma disciplina para começar a pensar na próxima aula. Os alunos com dificuldades são auxiliados por professore específicos, pois os finlandeses acreditam que todos podem aprender. Nas escolas, equipes de apoio institucional com psicólogos, pedagogos, dentistas e médicos estão presentes. As refeições são as mais fartas possíveis com farta oferta de frutas e legumes e até com cardápio vegetariano para os que o preferem.

E os professores? Foi à categoria mais valorizada na Finlândia a partir da decisão tomada em relação à Educação. Sua remuneração equivale a 50% da de um membro do parlamento; todos devem ter mestrado; a preparação das aulas faz parte da jornada de trabalho do professor e nenhum professor tem estabilidade. Anualmente as escolas colocam suas necessidades em um “site” do governo e os professores se candidatam as vagas existentes, podendo este contrato ser renovado ou não.
As crianças são obrigadas a frequentar as escolas a partir de 6 anos de idade e até atingirem esta idade permanecem sob a responsabilidade familiar; importante salientar que a evolução aconteceu, também, em função do envolvimento familiar com a Educação. 

É possível fazer diferente? Óbvio que sim e depende de vontade política transformar a Educação em prioridade absoluta do país! Finlândia, Israel e recentemente a Polônia provam que isto é possível. 

 

Foto: thinkstock

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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