Coluna Ozinil Martins | A revolução da extinção II !

09 de Novembro de 2020

A entrevista divulgada esta semana com o historiador e escritor israelense Yuval Noah Harari é muito elucidativa sobre os riscos que corre a humanidade

Foto de Markus Spiske no Pexels

A entrevista divulgada esta semana com o historiador e escritor israelense Yuval Noah Harari, autor de vários livros que fizeram e fazem sucesso em todo o mundo, é muito elucidativa sobre os riscos que corre a humanidade. O historiador cita três problemas potenciais vividos pela humanidade e que podem trazer consequências definitivas para o planeta.

O primeiro dos grandes problemas seria originado a partir de um conflito nuclear. Apesar de ter ficado para trás a guerra fria dos anos 60/70 do século passado deve ressurgir a partir do crescimento econômico e militar da China e de suas ambições de se tornar a potência hegemônica mundial; o segundo grande problema citado por Harari refere-se às mudanças ambientais que atingem o planeta e ao que parece ainda não é tratado pelos países com a importância que merece; e o terceiro grande problema a ser enfrentado pela humanidade é a ruptura tecnológica, principalmente, pelo surgimento da Inteligência Artificial e da Bioengenharia.

Estes problemas, segundo o historiador, só poderão ser enfrentados quando e se, houver cooperação internacional. Nenhum país, isoladamente, poderá assumir a resolução de problemas que afetam a humanidade como um todo. Para termos uma pequena dimensão do problema que vive a humanidade, vamos nos ater aos problemas ambientais.

Recentemente a ONU divulgou o relatório da Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) que nos mostra dados concretos. Um milhão de espécies, da flora e fauna, encontram-se em risco de extinção; 60 bilhões de toneladas de recursos renováveis ou não são extraídos da Terra a cada ano: a degradação do solo já reduziu a produtividade mundial em 23%; a eliminação das abelhas impede a polinização destruindo safras em todo o mundo; cardumes inteiros estão sumindo abatidos de forma predatória, junto com os corais que são os grandes viveiros dos oceanos; fora a poluição dos oceanos que é gigantesca. Estes dados são corroborados pela Dra. Elizabeth Kolberg em seu livro “A Sexta Extinção” em que mostra provas de que o mundo já começou a viver a sexta extinção de espécies e a espiral é crescente.

Não é sem motivo que jovens do mundo inteiro estão se mobilizando em favor do planeta. Os movimentos pelo clima são criados e crescem em países em que o nível de educação é elevado e permitem aos jovens analisar e entender que eles serão as maiores vítimas das mudanças climáticas. Recentemente, pressionada pelos jovens ingleses, a Câmara de Lordes declarou Emergência Climática em toda Inglaterra. Esta é uma medida de efeito mais simbólico do que real, mas sinaliza para uma tomada de posição dos jovens ingleses e que, devem servir de exemplos a outros países.

As últimas gerações cometeram um enorme estelionato ambiental contra as novas gerações ao utilizar os recursos do planeta como se nada tivesse fim. A comodidade trazida por alguns luxos trouxeram prejuízos irreparáveis ao planeta. Será que ainda tem tempo para recuperar? Sugestão para leitura complementar sobre o tema: Guerras Climáticas de Harald Welzer.

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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