Coluna Ozinil Martins | A Revolução da Extinção!

21 de Maio de 2019

Quem diria que uma garota sueca, Greta Thumberg de 16 anos, daria início a um movimento que, tenho certeza, mobilizará o mundo

Durante uma semana Londres foi abalada por um movimento de jovens escolares pressionando os políticos do país a se envolverem na causa do meio ambiente. Sim, os jovens perceberam que serão eles  as vítimas da grande catástrofe que se desenha. Na última segunda feira a ONU divulgou o relatório da Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) que nos mostra dados concretos. Um milhão de espécies, da flora e fauna, encontram-se em risco de extinção; 60 bilhões de toneladas de recursos renováveis ou não são extraídos da Terra a cada ano: a degradação do solo já reduziu a produtividade mundial em 23%; a eliminação das abelhas impede a polinização destruindo safras em todo o mundo; cardumes inteiros estão sumindo, abatidos de forma predatória junto com os corais que são os grandes viveiros dos oceanos; fora a poluição dos oceanos que é gigantesca. A Câmara de Lordes da Inglaterra declarou Emergência Climática em toda a Inglaterra depois da mobilização das crianças. O ato é simbólico, mas foi a primeira vitória; outras virão. A pergunta que deve ser feita é: quando nossas crianças vão se mobilizar? Quando este movimento chegará às crianças e municípios do Brasil varonil? O que está impedindo nossas escolas de tomarem a iniciativa?

A visita do Papa à Bulgária

Nos dias 05 e 06 maio o Papa visitou a Bulgária. País que já pertenceu à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e que hoje faz parte da União Europeia. Este país desde que se separou da antiga URSS convive com problemas sociais e econômicos, entre eles o desemprego. Em sua fala ao povo búlgaro, o Papa exortou-os a não fechar as portas aos refugiados, já acolhidas que foram 21 mil pessoas para uma população de 7 milhões de búlgaros. Estes refugiados são o resultado de guerras e crises econômicas como as da Síria, Líbia, Sudão do Sul. Crises geradas em outros países e que têm que ser administradas pelos países receptores de refugiados, mesmo que estes também estejam às voltas com problemas econômicos. Entendo que o Papa errou ao não abordar o principal problema mundial: o crescimento vertiginoso da população. É importante que, após o relatório emitido pela ONU (abordado em outra parte da coluna) a Igreja, como instituição, se posicione a respeito do crescimento populacional. A política de crescimento com responsabilidade, paternidade responsável, não funcionou em países em que a educação é precária e a saúde não cumpre seu papel social. Cobrar de quem não tem condições de dar respostas positivas não me parece algo salutar. É o que o Papa fez com o povo búlgaro. O roto cuidando do esfarrapado!

O Estado paternalista e o brasileiro 

Tenho um amigo que diz “o Brasil não tem perigo de dar certo.” Quando se parte para uma análise de como funciona a cabeça do brasileiro encontramos uma verdade: o brasileiro é viciado em Estado!  Queremos que o Estado faça as coisas de maneira correta, mas não queremos nos envolver com nada. Começa com qualquer eleição. Votamos e entendemos que nosso papel foi cumprido; um mês depois das eleições não nos lembramos em quem votamos. Fiscalizar, não é nosso papel. Queremos segurança para andar nas ruas, mas se a polícia no cumprimento de sua missão constitucional for rígida, a casa cai. Criticamos a falta de prestação de serviços por parte do governo, mas compramos produtos oriundos de contrabando. Não é atoa que o Brasil é um dos países do mundo que tem mais empresas estatais. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) o Brasil tem 418 empresas controladas direta ou indiretamente pela União, Estados e municípios. Pasmem, até municípios têm empresas estatais! Para não ficar vexaminoso vamos comparar com a Argentina que tem 15 empresas estatais. Quando o país tem que fazer pelo cidadão o que ele deveria fazer, as chances de dar certo são reduzidas a quase zero.

Prof. Ozinil Martins de Souza

  • imagem de ozinil
    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.