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Coluna Ozinil Martins | Quem planta, colhe!
29 de Abril de 2022

Coluna Ozinil Martins | Quem planta, colhe!

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 29 de Abril de 2022 | Atualizado 30 de Abril de 2022

As informações vindas a público, esta semana, mostram a queda de entrada de estudantes nas Universidades Federais do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Na Bela e Santa Catarina a queda no número de estudantes, quando se compara 2020 com 2022, é significativa (de mais de 22 mil estudantes para 18 mil). Pior são os números da Universidade gaúcha em que a queda na entrada de novos estudantes beira os 80%. Diriam alguns observadores que isto é consequência do desencanto dos estudantes com o estudo superior e suas perspectivas e, acrescento eu, além da gestão praticada nas instituições. Basta, apenas, lembrar que do início da pandemia até a retomada foram percorridos dois anos com a negativa das instituições federais em utilizarem as novas tecnologias de ensino ou buscarem soluções alternativas.

Mas, enquanto o mundo dá exemplos de Universidades que operam sem base fixa (campus), sem a presença de professores, utilizando-se das novas metodologias de ensino-aprendizagem, as Universidades Federais brasileiras teimam em permanecer no passado. Cursos sem aplicabilidade no mercado, currículos extensos e cheio de teorias dispensáveis e utilizando-se de metodologias arcaicas compõem o quadro que faz com que a fuga de estudantes para as instituições privadas seja um fato. Hoje as instituições privadas recebem, praticamente, 80% dos estudantes universitários do país. A negativa das Universidades em aceitarem parceiras com instituições privadas no desenvolvimento de pesquisas só se suporta em nome de um preciosismo acadêmico ultrapassado. O que acontece, hoje, é que a Universidade voltou-se para a doutrinação ideológica de seus estudantes em detrimento da formação de profissionais que continuam a ser demandados pela sociedade.

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Hoje as Universidades, privadas ou públicas, não entregam o que o mercado busca e o problema é antigo. Em 2012 o Instituto Paulo Montenegro (braço do ex-Ibope para pesquisas na área educacional) entrevistou 2000 estudantes e concluiu que, apenas 62% dos estudantes universitários dominam a escrita e a leitura. É possível, a partir deste dado, concluir que estamos formando analfabetos funcionais em medicina, odontologia, direito, entre outros. O Exame da OAB parece confirmar esta afirmação.

Enquanto estudos indicam que as armas das pessoas para o futuro que já vivemos serão as habilidades pessoais, nossas Universidades teimam em ensinar o que está disponível para qualquer cidadão na internet. O que é técnico está disponível, aprender a lidar com gente, não! Carros autônomos, robotização em marcha acelerada e continuamos a formar gente para fazer o que os robôs já estão fazendo e farão melhor do que nós. Hora de acordar!

Enquanto isto, o Ministério da Educação, com 300 mil funcionários à disposição, não justifica sua existência ante os números apresentados em avaliações internacionais. Ter a humildade para reconhecer os erros cometidos já seria um bom começo. As novas gerações agradeceriam.

 

Foto do topo de Stanley Morales no Pexels.

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