Coluna Ozinil Martins | Que tal ouvir o Príncipe William?

20 de Outubro de 2021

Enquanto o planeta dá claros sinais de exaustão, milionários brincam de turismo espacial

 

Príncipe William, duque de Cambridge e segundo monarca na linha de sucessão ao trono britânico, em entrevista à BBC disse que os empreendedores bilionários deveriam pensar em achar soluções para salvar a Terra, ao invés de se dedicar ao turismo espacial. Nada contra o passeio espacial do Capitão Kirk da Star Trek, mas tudo a favor de ajudar o planeta a salvar-se da catástrofe que, para alguns cientistas, será inevitável.

Enquanto o planeta dá claros sinais de exaustão, milionários brincam de turismo espacial e, mostram que estão à procura de novos locais onde a vida seria possível. O questionamento do Príncipe William de que seria melhor investir este dinheiro na recuperação do planeta faz todo o sentido e mostra, claramente, como as elites estão desconectadas das necessidades do povo que habita a Terra.

Tudo começou com o crescimento populacional descontrolado. Era óbvio, para qualquer observador com algum senso crítico que, em algum momento, o crescimento populacional levaria ao surgimento de governos autoritários e ao aparecimento de alguma doença que atingiria a população mundial, além da destruição do meio-ambiente. Era só uma questão de tempo! Segundo o relatório Strategic Trends – 2007-2036, do governo britânico, a população saltará de 7 para 10 bilhões de habitantes, sendo que países subdesenvolvidos representarão 98% deste crescimento. Segundo o mesmo relatório 50% da população viverá em áreas urbanas em precárias moradias e em terras degradadas. A conclusão a que chegou a elite dominante, que gostaria de viver para sempre e beneficiar-se de riquezas acumuladas, é de que seria necessário conter este crescimento e, se possível, provocar algum despovoamento. Este pode parecer um cenário de ficção, mas não deixa de ser plausível, segundo o jornalista Daniel Estulin em seu livro TransEvolução – A Era da Iminente Desconstrução da Humanidade.

A humanidade, quando pega pelo emocional, é presa fácil para quem planeja provocar o caos. Primeiro o “fique em casa” que desmantelou a estrutura produtiva mundial e trouxe como consequência o desabastecimento e a inflação; agora, como uma forma de manter a população manietada, vêm os passaportes para acessos aonde venha a se reunir grande número de pessoas. As constituições dos países estão sendo rasgadas no maior descaramento, mas as reações começam a acontecer na Alemanha, Itália, França, entre outros países. Não há bens mais preciosos que a liberdade de expressão e o direito de ir e vir. Viver da maneira que alguns poucos querem nos impor, não tem sentido.

A fome atinge os mais pobres em todo o mundo; no Brasil são 20 milhões sem acesso ao mínimo de alimentação e mais de 60 milhões com deficiência crônica na alimentação. Impossível que exista tanto dinheiro para tantas mazelas praticadas pelo Estado e não haja dinheiro para garantir a alimentação dos mais pobres e, que são os mais afetados pela inflação, que foi, em essência, provocada pelos governantes. Só para ter uma ideia o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afirma que, nos últimos 4 anos, foram gastos, somente com a indenização de férias dos senhores juízes (venda de parte dos 60 dias a que têm direito), 2,42 bilhões de reais. Dinheiro existe! Na verdade é mal aplicado.

Na verdade o questionamento do Príncipe William é oportuno e escancara a não importância do povo para a elite que pretende impor um novo modelo de vida a todos.  Parece-me que o momento para fazer grandes e planejadas mudanças, ficou no passado; agora, só a “fórceps.” Mas, esperemos que o Príncipe não fique só nas palavras e, lidere ações em benefício do meio-ambiente e das pessoas!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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