Coluna Ozinil Martins | Quando a miséria é planejada!

30 de Março de 2021

Tudo o que se vê nas imagens que nos são mostradas poderia ser atribuído a esta nefasta pandemia que assola a humanidade há mais de ano. Mas, no Brasil o problema é mais sério, pois a miséria é planejada

Foto de Eman Genatilan no Pexels

As imagens se repetem! Geladeiras vazias, cestas básicas distribuídas, hospitais lotados, transporte público com trens, ônibus, metrô empilhando pessoas qual um antigo trem transportando gado; pessoas abnegadas, com os parcos recursos que lhes são oferecidos por doadores, fazem refeições para garantir pelo menos uma refeição decente aos moradores que vivem em precárias condições pelas ruas das cidades brasileiras.

Tudo o que se vê nas imagens que nos são mostradas poderia ser atribuído a esta nefasta pandemia que assola a humanidade há mais de ano. São ondas sobre ondas de contaminação que não escolhem ricos ou pobres, jovens ou idosos, mais ou menos letrados. Tudo isto seria compreensível e fácil de ser explicado se olharmos para o crescimento populacional a que submetemos o planeta, este crescimento obriga a criação de espaços para moradias, aumentar as áreas de plantio, a poluição cresce em função da ausência de trabalhos preventivos como esgotamento sanitário e fornecimento de água potável. Todas estas ações comprometem o planeta e podem permitir o surgimento de pandemias como a atual e imaginar que outras complicações atingirão a humanidade se nada for feito.

Mas, no Brasil o problema é mais sério, pois a miséria é planejada. Somos 220 milhões de habitantes ocupando um espaço de 8,5 milhões de Km²; isto nos dá uma densidade demográfica de, aproximadamente, 25 habitantes por Km², que é baixa se comparada a outros países. A faixa de 200 Km, da costa até o interior, concentra mais de 60% da população. Só para comparar, a densidade populacional da Índia é de 328 habitantes por Km². Portanto, o problema não é de espaço. No espaço físico brasileiro temos uma das mais eficientes agriculturas do mundo, jazidas de todos os tipos de minérios (principalmente os estratégicos), a maior reserva de água potável do mundo (12% de toda água potável), então o que falta ao Brasil para ocupar o lugar que de fato merece no contexto das nações?

Falta gestão! Os hospitais não estavam um primor antes da pandemia; as pessoas ficavam em corredores e macas eram usadas de forma provisórias como leitos; as escolas cumpriam seu papel de abrigar alunos e dar-lhes, pelo menos, uma refeição ao dia, mas a precariedade da formação destes estudantes era, explicitamente, mostrada nos testes internacionais a que são submetidos nossos estudantes. Quando um bacharel em direito publica, feliz, em seu FB que “paçei no exame da OAB”, algo de muito errado ocorre na Educação. A educação precária implica em o Estado e seus políticos assumirem o papel de protetor dos pobres. Comida, moradia, educação, saúde, tudo fornecido pelo Estado. Assim age o Estado brasileiro desde a implantação das Capitânias Hereditárias. Transforma, por falta de educação qualificada, o povo em um ente submisso que se sujeita a viver com migalhas, enquanto os donatários se lambuzam com os banquetes e suas ajudas pecuniárias como aluguel, saúde, verbas de gabinete e, por aí segue o baile onde quem dança é o povo.

Com educação o povo poderia se autodeterminar; comprar sua comida, escolher a escola em que seus filhos estudariam, poderia comprar sua casa, mas o retrato perfeito do brasileiro, digno e honesto, mas mal preparado para a vida, vi em um telejornal; o entrevistado e a mulher vendem pipocas nas ruas de Belo Horizonte; com a proibição do comércio o entrevistado perguntou ao repórter “como vou sustentar meus dez filhos?” Em pelo século XXI, em que os empregos estão sendo radicalmente modificados, como criar dez filhos e torná-los aptos a viver no mundo que se desenha? As autoridades, vivendo em bolhas imperiais (com a permissão do Jornalista Paulo Alceu), não estão nem aí para isto. Assim perpetua-se o ciclo da pobreza!

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