Coluna Ozinil Martins | Quando a geração de empregos será prioridade?

09 de Fevereiro de 2021

Enquanto a tecnologia avança exigindo profissionais com maior qualificação, o nível educacional do país é atingido em cheio pela pandemia

Há um binômio atuando fortemente para a não geração de empregos e, pior, para o aumento do desemprego. Importante ressaltar que o fenômeno é mundial. A pesada carga tributária, além da legislação trabalhista que penaliza o empreendedor, e as novas tecnologias que expulsam o ser humano das atividades laborais. Sim, a ação da tecnologia, quando não elimina postos de trabalho, muda o perfil do profissional procurado. Isto tudo associado ao baixo nível educacional existente no país forma o caldo que acelera o desemprego e marginaliza as pessoas.

Percebam o que de fato acontece. Em recente entrevista de representante da indústria farmacêutica foi exemplificada a dinâmica de gestão das empresas do ramo. A indústria farmacêutica tem os preços controlados pelo governo que, só autoriza aumentos nos produtos anualmente e, com base na variação da inflação. Como os insumos são importados na sua quase totalidade a indústria sofre com a variação cambial; o que resta aos gestores fazer? Administrar a produção e a distribuição dos produtos usando o que for possível para reduzir custos e otimizar a produção. Decisão? Uma das maiores indústrias do setor construiu uma fábrica na versão 4.0, onde a automação será o fator dominante; esta fábrica foi posta em marcha no final de 2020 e terá o número de empregados reduzidos e com qualificação técnica e gerencial de alto nível. 

A discussão que estamos acompanhando sobre o preço dos combustíveis é bastante elucidativa sobre o efeito dos impostos no custo do produto final. Governo federal e governos estaduais, de forma a não ter que se incompatibilizar com a máquina pública, não reduzem seus impostos e mantem a estrutura de preços em espiral ascendente inviabilizando negócios e reduzindo, quando não eliminando, a capacidade empresarial na geração de novos negócios e empregos. O que se vê em São Paulo, com o governo na ânsia louca de manter suas estruturas, é o aumento indiscriminado de impostos atingindo itens básicos para a população como remédios e alimentos. Reduzir custos não faz parte da agenda governamental!

Por outro lado enquanto a tecnologia avança exigindo, cada vez mais, profissionais com maior qualificação, o nível educacional do país, não bastasse as péssimas avaliações em testes internacionais, é atingido em cheio pela pandemia que nos assola e pela disputa política que transforma a educação em propósito ideológico. Quando fica claro que o papel das escolas é ensinar as pessoas a pensar, as escolas, principalmente as públicas, ainda estão a praticar a memorização como metodologia de ensino. O importante não é criar o novo, mas repetir o velho! 

O grande desafio que se impõe a legisladores e profissionais da educação é buscar e propor alternativas para aumentar a qualificação das pessoas e a oferta de empregos em áreas tecnológicas. Enquanto isso, no Brasil, tem deputado federal com projeto de lei que obriga as empresas comerciais do ramo de calçados a vender apenas um pé do calçado para pessoas deficientes. E, o deputado é catarinense! Como não houvesse assuntos mais importantes a serem propostos.

Como diz Rubem Alves “O que é mais importante, saber as respostas ou saber fazer as perguntas?” Ensinar a pensar é ensinar a fazer perguntas!
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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