Coluna Ozinil Martins | Qualificação dos jovens e a oferta de empregos

21 de Junho de 2019

São 13 milhões de pessoas em idade funcional que não encontram colocação no mercado de trabalho

Há muito tempo a preocupação desta coluna tem sido a geração de empregos em função do número de desempregados no país. São 13 milhões de pessoas em idade funcional que não encontram colocação no mercado de trabalho. Recentemente, vários mutirões de ofertas de trabalho foram organizados no país e a resposta dos organizadores é que as empresas não conseguiram preencher as vagas ofertadas por falta de qualificação dos candidatos que se apresentaram. Portanto, importante frisar, que empregos existem; o que está faltando é qualificação aos nossos jovens. As mudanças no mercado de trabalho excluem, de forma primária, pessoas que não saibam pensar, escrever, decodificar um texto e fazer operações matemáticas básicas; as profissões estão mudando rapidamente e caminhando celeremente para a área de tecnologia, onde a matemática é fundamental. Recentemente uma empresa de Santa Catarina decidiu preparar 200 jovens para atuarem na área de tecnologia; vai treiná-los e depois admitir os que se mostrarem capazes. Penso que este é um caminho que as empresas terão que buscar para qualificar as pessoas já que as escolas não estão entregando o que o mercado necessita. Somos todos culpados pelo problema adquirir a dimensão que adquiriu! Pais que não se envolvem na educação e formação, filhos que não querem estudar, professores com metodologias do século XX, Ministério da Educação dormindo em berço esplêndido e a população sendo empurrada para uma discussão inócua produzida por quem se interessa em manter o país no século passado. Emprego existe, falta qualificação!

Meio ambiente pede socorro

Pesquisas recentes feitas no rio Tapajós na Amazônia mostram que 80% dos peixes do rio estão contaminados por micropartículas de plástico. Sabe-se que este é um problema que afeta todos os oceanos do mundo, depositário de milhares de toneladas de plástico por ano, que se degradam em micropartículas e acabam fazendo parte da cadeia alimentar dos peixes, os quais não distinguem alimentação de lixo. O que assustou os pesquisadores foram os locais aonde a poluição já chegou, isto é, áreas remotas da Amazônia, habitadas apenas por ribeirinhos e que não têm acesso a produtos industrializados. Outro ataque ao meio ambiente que o país tenta remediar refere-se às ararinhas azuis. Habitantes do sertão baiano, as ararinhas foram, oficialmente, declaradas extintas na natureza em 2010; as que existiam estavam em cativeiro no Brasil ou em outros países para onde foram levadas de maneira clandestina. Vítimas de um crime cometido por caçadores inescrupulosos às ararinhas capturadas eram vendidas a altos preços para felicidade de seus captores. Acordo feito com a Alemanha reconduzirá ao Brasil 50 exemplares da ave  que serão readaptadas à vida selvagem para que possam repovoar a área original que habitavam. Será que os caçadores permitirão que o projeto dê certo?

Cuba e novo Período Especial

Em 1996 trabalhei durante boa parte do ano em Cuba. Estavam os cubanos vivendo o que chamavam de “período especial.” Com o desmoronamento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas o dinheiro que de lá vinha, deixou de vir. A crise se abateu em cheio sobre a pequena ilha caribenha. Em função da falta de dinheiro o governo começou a incentivar o turismo para permitir a entrada de moeda forte no país. Junto com a entrada de turistas veio à prostituição, pois era a única forma de se conseguir dólares, que permitiam o acesso a “tiendas internacionales” onde se adquiriam produtos importados. A precariedade da situação era vista em todos os locais da ilha, menos nos hotéis destinados aos turistas. Recentemente li que os cubanos passam por um novo “período especial”, pois o dinheiro que vinha da Venezuela e do Brasil, em forma de petróleo e do Programa Mais Médicos deixou de vir e a crise instalou-se novamente. A Venezuela porque mal consegue abastecer seus veículos, pois os combustíveis estão racionados e o Brasil porque rompeu o acordo existente. Hora de ressurgir a cantilena muito comum quando lá estive: culpa do embargo econômico estabelecido pelos Estados Unidos. Culpar o “grande irmão do norte” tem sido o mote para manter os cubanos debaixo do jugo da ditadura. Quando a ditadura cubana será vista como o que de fato é? Uma ditadura!
 

 

Foto:G1.com/Divulgação

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.