Coluna Ozinil Martins | Priorizar a Educação é o caminho!

01 de Setembro de 2021

"Resistir à mudança tem sido um padrão constante na história da humanidade (...)"

Foto de Katerina Holmes no Pexels

Imagem: Pexels

 

Segundo Heráclito, filósofo grego, “ninguém se banha duas vezes no mesmo rio!” Com esta frase, Heráclito nos propõe o entendimento de que a água corrente nunca será a mesma e, tal qual a mudança, estará, permanentemente, em movimento. Resistir à mudança tem sido um padrão constante na história da humanidade que o faz pelo não reconhecimento de sua existência, pelo comodismo e pelo desconhecimento. Independente das consequências, é mais fácil resistir do que aceitar as mudanças; só que elas são inevitáveis e não pedem licença à humanidade para cumprir seu propósito. 

De tempos em tempos a humanidade passa por mudanças significativas que alteram sua dinâmica de funcionamento. Hoje, vivemos um destes períodos! Aceitar ou resistir? Como conviver com o inevitável crescimento da Inteligência Artificial? Com a automação? Com a robotização? Com as mudanças nos costumes? Como entender que o que acreditamos, por anos e anos, está perdendo seu significado? A resposta a esta questão é muito difícil! Não é só uma questão de política, de esquerda ou direita. É uma questão de perspectiva de futuro e da vida das pessoas! 

O empresário Elon Reeve Musk, um dos homens mais ricos do mundo e, fundador de várias empresas, entre elas, Space X e Tesla Motors, divulgou no dia em que se comemorou a criação da Inteligência Artificial, que o seu novo projeto – Tesla Bot – será transformado em realidade a partir do ano de 2022. O produto em questão será um robô humanoide projetado para realizar trabalhos considerados perigosos, repetitivos e enfadonhos. O robô pesará 56 kg e terá 1,70m de altura, podendo realizar operações mecânicas e buscar alimentos em supermercados, entre outras ocupações.

Com a abertura democrática ocorrida no final dos anos 70 do século passado, os sindicatos, principalmente os mais poderosos (metalúrgico e bancário) elencaram suas pautas reivindicatórias que visavam à melhoria das condições de trabalho e melhorar a renda do trabalhador. Por outro lado os empresários, em contraponto, buscaram alternativas para tornar seus produtos cada vez mais competitivos; a consequência foi a busca pela mecanização e automação de funções operacionais, tanto nas fábricas como nas agências bancárias.

Na indústria a mecanização foi a arma usada e que, posteriormente, evoluiu para a robotização. A fábrica da Volkswagen que chegou a ter 34 mil empregados para produzir o “fusca” e a Kombi, hoje, tem 4 mil empregados para produzir todos os veículos da empresa. Os bancários, que em 1990 somavam 732 mil trabalhadores, hoje, em função do avanço tecnológico e de mudanças operacionais, somam 452 mil (dados do Dieese referentes a 2018) com tendência à diminuição deste número e, com agências funcionando cada vez mais com menos pessoas. É o futuro acontecendo!

Claro que há países mais preparados para enfrentar as mudanças em processamento; os exemplos mais significativos vêm de países com pequenas massas de terra e fortes investimentos em educação. Japão, Cingapura, Nova Zelândia, Suíça, Suécia, Taiwan mostram que o maior investimento feito na educação resulta em resultados concretos e garantem a qualidade e o bem estar das pessoas. Estes países são carentes de recursos materiais e importam praticamente tudo que consomem; seu maior patrimônio é a educação de sua gente!

Olhando sob este prisma o Brasil e seus governantes (em todos os níveis)l, com um contingente de analfabetos acima de 10 milhões de pessoas entre 14 e 65 anos, com o analfabetismo funcional atingindo quase metade de sua população, obrigatoriamente, deve elencar como a maior das prioridades a educação ou seremos um país, eternamente, periférico e fornecedor de matéria prima para outros países. Como não acredito que isto acontecerá...  
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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