Coluna Ozinil Martins | Pelo fim do voto obrigatório!

20 de Maio de 2019

Nos países mais desenvolvidos, econômica e socialmente, o voto é facultativo

Sei, o tema é polêmico e existem os prós e os contras. Vou externar o meu ponto de vista do porque sou favorável ao fim do voto obrigatório. Há um motivo óbvio que são os exemplos dados no mundo a respeito do assunto. 236 países realizam, periodicamente, eleições; destes, em 205 o voto é facultativo e em apenas 31 o voto é obrigatório, sendo 13 deles na América Latina (isso lhe diz algo?); nos países mais desenvolvidos, econômica e socialmente, o voto é facultativo. Nas últimas eleições presidenciais no Brasil, entre votos nulos, em branco e abstenção, tivemos um índice de 40%; são pessoas que se negaram a votar e que representam, em essência, sua desconfiança com candidatos, sistema e descrença em relação à realidade em que vivem. Em um país em que, estudantes universitários não sabem fazer regra de 3 simples e interpretar um texto mais complexo, obrigar analfabetos funcionais a votar é perpetuar o ciclo perverso de eleger políticos inexpressivos e condenar o país a um futuro medíocre. O analfabeto funcional representa, segundo várias publicações, 40% da população brasileira. Este eleitor, pouco esclarecido, é que compõe os currais eleitorais e que perpetua o populismo que nos lidera há muito tempo. Votos dados em troca de dentaduras, de lugares em filas para cirurgias, calçamento de ruas, satisfazem alguns em detrimento do que, efetivamente, deve ser feito. Se o voto obrigatório fosse à solução dos problemas, países mais avançados já o teriam assumido. Para pensar!

Espécies invasoras e suas consequências

Um dos problemas que afetam o meio ambiente vem de muito longe; são as espécies invasoras. Santa Catarina é um dos estados mais afetados por estas pragas. Aqui encontramos, sem predatores, o Sagui, Javali, Pinheiro e o Caramujo Africano. Os prejuízos são imensos! Javalis destroem as plantações de pequenas propriedades deixando seus moradores em dificuldades; saguis, oriundos do nordeste (chegaram nos anos 60 trazidos por caminhoneiros) eliminam os macacos prego (originários da região) e afetam as aves pelo consumo de seus ovos; o Pinheiro exótico transformou-se na principal espécie com a qual a indústria madeireira faz o reflorestamento, independente de não trazer nenhum benefício à natureza e o caramujo africano, trazido ao Brasil com a ideia de substituir o escargot, prato da culinária francesa e de alto custo, mostrou-se inadequado e acabou sendo solto na natureza de forma inconsequente. O caramujo africano é altamente nocivo à saúde pública e é vetor de sérias doenças exigindo combate efetivo das autoridades sanitárias. Vale a pena citar  o caso do Mexilhão Dourado, que chegou ao Brasil em cascos de navios e, hoje, representa altíssimo prejuízo à Usina de Itaipu porque reveste as turbinas, obrigando a paradas desnecessárias para fazer a limpeza das mesmas. Brincar com a natureza tem custo; as espécies exóticas provocam o desequilíbrio ecológico pela inexistência de predador e nos mostram que tudo que se faz ao meio ambiente tem consequência. Nada fica impune! 

Caminhoneiros e estudantes: vítimas do populismo!

Sempre que se toma uma decisão é importante fazer a Análise de Problema em Potencial (APP) já escreveram Koepnner e Tregoe em seu livro Análise de Problemas e Tomada de Decisão. Quando se faz a APP, prováveis problemas poderão surgir fazendo com que a decisão tenha que ser revista. Se isso já é difícil de fazer em empresas, imagina em um governo populista e que tem no seu radar apenas a próxima eleição. Crises nascem assim; a crise atual dos caminhoneiros foi provocada pelos governos Lula/Dilma quando abriram financiamentos para os caminhoneiros a condições extremamente favoráveis e desequilibraram a lei da oferta e da procura. Resultado? Sobram caminhões e faltam produtos a serem transportados. Em relação ao FIES algo parecido aconteceu. Ofertou-se crédito muito generoso aos estudantes, em cursos em que o mercado já atendia com facilidade, acreditando-se que a economia teria um crescimento que absorveria os universitários formados. Ledo engano! Resultado? Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) 58% dos 899.957 contratos em andamento estão em atraso; isso significa que de 5 estudantes que usaram o FIES 3 estão inadimplentes. O atraso já chega aos bilhões de reais e o governo pensa em fazer uma espécie de refis para a educação. Quando não se faz análise estratégica da macro decisão a conta será sempre cobrada do povo.
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.