Coluna Ozinil Martins | Ouvidos Moucos, Fala Vazia!

12 de Junho de 2020

Problema ou oportunidade: atitudes que dependem de quem olha a situação

Qualquer crise que venhamos a viver pode ser encarada como um problema sério e imobilizar pessoas e ações ou pode ser vista como uma oportunidade de mudança. Depende de como cada pessoa enxergue o problema gerado pela crise.

Na presente crise da pandemia tem muita gente perdendo, e muito, como tem muita gente procurando e achando soluções para os problemas enfrentados. Os profissionais do comércio que tiveram suas lojas fechadas por força de decretos entenderam que se ficassem esperando a crise passar, com certeza, teriam encontro marcado com recuperação judicial ou mesmo o encerramento das atividades. A saída foi à venda online e o crescimento de adesão ao novo modelo bateu em quase 1.000%. E, a nova forma de vender veio para ficar; o que era tendência transforma-se em realidade.

Mas, na outra ponta temos o crescimento acelerado do desemprego, o fechamento de empresas, principalmente micros e pequenas, e um grande número de pessoas que já se encontravam desempregadas e, autônomos que ficaram sem ocupação e dependem, exclusivamente, da ajuda emergencial do governo e de pessoas que se mobilizam, voluntariamente, para procurar minimizar o desespero que começa a acometer estas pessoas.

Por outro lado temos os que se encontram totalmente protegidos da intempérie provocada pelo vírus. São os habitantes do Olimpo brasileiro! Preservados de quaisquer necessidades, recebendo seus consistentes salários e amparados por um seguro plano de benefícios, nadam de braçada na tempestade vivida pelos simples mortais. Infelizmente, os brasileiros não vivem a mesma crise!

Os altos funcionários do país, vivendo em redomas de vidro, não têm ideia da crise que acomete os cidadãos deste pobre país. Em entrevista recente à Jovem Pan, Sua Excelência, Ministro Marco Aurélio Mello, fez-se de desentendido quando o jornalista perguntou-lhe se poderia haver alguma ação de colaboração de parte do judiciário, abrindo mão de algum percentual para ajudar os desassistidos. A resposta, vazia de conteúdo, perdeu-se na falta de efetividade.

Da mesma forma o Presidente da Câmara alta do país quando perguntado se os deputados federais iriam propor algum desconto em seus salários para ajudar os carentes, respondeu que estava trabalhando para um desconto de 10% nos salários, mas desde que acompanhado pelos poderes judiciário e executivo. A resposta dada indica que dos altos escalões da República não virá nenhuma ação em benefícios dos que estão perdendo empregos e até suas vidas. Ah! Virão mais leis aprovadas no açodamento da crise, que servem, apenas, para restringir direitos individuais.

Quando Maria Antonieta – Imperatriz da França - disse para dar ao povo brioches, pois o pão teria acabado ela desconhecia a força que a fome pode trazer a um povo desesperado. No caso francês o resultado foi à guilhotina; no caso brasileiro pode ser um pouco de bom senso e ações que se traduzam em alívio para um povo acossado, de um lado pelo vírus de outro pelo desemprego e fome. Fácil entender porque a educação é tão maltratada no país. Só a Educação nos libertará da submissão!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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