Coluna Ozinil Martins | Os problemas do Brasil não são raciais

02 de Dezembro de 2020

Com apoio da grande mídia subvertem-se valores e transforma-se qualquer fato em motivo para tentar destruir a ordem vigente

Foto de Michelle Wiles no Unsplash

 

Recentemente assisti a um vídeo nas redes sociais em que, Elisa Macedo da Silva, relata sua preocupação com as narrativas criadas pela esquerda no sentido de discutir fatos que lhe interessa diretamente em detrimento da visão mais ampla sobre os problemas mostrados. Com apoio da grande mídia subvertem-se valores e transforma-se qualquer fato em motivo para tentar destruir a ordem vigente.

O desabafo da Elisa, formada em Administração e com mestrado na área, além de ser jovem e negra, nos remete à agressão covarde a que foi submetido um senhor em um estabelecimento comercial de Porto Alegre. Sua abordagem passa pela seletividade com que a esquerda adota temas do mesmo matiz com olhar diferenciado. O exemplo citado permite a comparação entre o evento de Porto Alegre e a morte de Simone Barreto Silva em Nice, na França. Diferente de outros casos em que a estridência da esquerda se fez e faz ouvir, às vezes por anos, no caso da senhora brasileira não se ouviu uma palavra. Será por que foi morta por um militante do Estado Islâmico? Ou é o uso das minorias para atingir seus objetivos políticos?

O Brasil acabou de viver eleições municipais em que se deveria discutir o planejamento das cidades, as ações emergenciais para combater a “pandemia” e geração de empregos, mas onde havia candidato de esquerda, se discutiu ideologia de gênero, não retorno às aulas, a forma de se expressar a linguagem, o espaço das minorias. Assim, definitivamente, não se constrói o futuro!

Segundo Elisa, com quem concordo absolutamente, todas as vidas importam e o problema que aflige o Brasil não é racial, mas social. O Brasil precisa sim de saúde para todos, de Educação de qualidade para todos, de segurança para todos, de infraestrutura para todos. Não é mais possível viver em cidades em que uns têm muito e outros quase nada têm. Tudo o que foi escrito até aqui está no âmbito político para ser resolvido. 

Serão os políticos os responsáveis por levar água para as pessoas que não a têm, de organizar a segurança para que o brasileiro possa ir e vir sem medo de não chegar, de mudar o padrão da educação oferecida para que ela seja mais criativa e menos memorizada. Mas, tem dinheiro para fazer tudo isso?

A “pandemia” provou que sim. Em vários países do mundo surgiu dinheiro do nada para combater a doença. Onde estava este dinheiro? Por que quando é para se informatizar uma escola, a resposta é: não tem dinheiro? Por que quando, mais de cem milhões de brasileiros chafurdam no esgoto, a resposta é: não tem dinheiro? Por que o prefeito de Colatina no Espírito Santo, Sérgio Meneguelli, conseguiu fazer uma administração primorosa em sua cidade nas áreas prioritárias para seus munícipes? 

As diferenças sociais existentes no Brasil são frutos da má gestão do dinheiro público, do favorecimento, do manter-se a grande maioria deste país em estado de analfabetismo funcional, da má definição de prioridades. A tecnologia aumentou a concentração de renda no mundo, vai modificar a sociedade em que vivemos de forma brusca e profunda, espero que os prefeitos eleitos tenham noção das necessidades existentes e trabalhem, seriamente, para oferecer a seus munícipes, não só asfalto, prédios bonitos, mas saúde, educação e segurança de qualidade. Simples assim!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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