Coluna Ozinil Martins | Olimpíadas de Tóquio! Nada de novo debaixo do sol!

03 de Agosto de 2021

"Mais uma vez, apesar do esforço dos narradores, sofremos com o desempenho medíocre da delegação brasileira e com os espasmódicos sucessos de alguns atletas."

Escrevo alguns dias antes do término das olimpíadas para reafirmar que um país com mais de 200 milhões de habitantes não pode ser apenas participante do evento. Mais uma vez, apesar do esforço dos narradores, sofremos com o desempenho medíocre da delegação brasileira e com os espasmódicos sucessos de alguns atletas.

Analisando o quadro de medalhas das últimas Olimpíadas estes são os resultados: Atenas 2004 – 5 ouros, 2 pratas e 3 bronzes; em Pequim – 3 ouros, 4 pratas e 10 bronzes; em Londres – 3 ouros, 5 pratas e 9 bronzes e, no Rio -  7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes. Tudo indica que o resultado de Tóquio não será tão diferente. Razões?

Enquanto o país de tamanho continental e com a sexta maior população do mundo não massificar a prática dos variados esportes que formam a Olimpíada continuaremos pagando vexames e vivendo de episódios espasmódicos como só é acontecer. As políticas públicas para o esporte de massa não existem ou, se existem, não são colocadas em prática. É inconcebível que o Brasil não seja um dos líderes mundiais na área do esporte. Pela miscigenação deveríamos estar qualificados a participar de quaisquer dos esportes praticados. Por que o futebol brasileiro, apesar da balbúrdia que é o seu gerenciamento, é sucesso mundial? Pela massificação a que é exposto. Cada cidade tem seu campo de futebol, é uma prática de baixo custo e acena, aos mais carentes, com a possibilidade de sucesso e dinheiro. Os praticantes surgem ao natural. Com exceção do futebol e vôlei (desde os anos 80 com planejamento próprio), os demais esportes dependem de boa vontade e muito esforço dos seus participantes e de alguns abnegados.

Faltam equipamentos esportivos, que deveriam estar espalhados por este país, faltam recursos como bolas, raquetes, tênis e apoio institucional para a prática esportiva em grande escala. As escolas não cumprem seu papel de formar atletas; o máximo que fazem são jogos coletivos em que a maioria das crianças faz de conta que participam. As universidades, que nos Estados Unidos, são as grandes formadoras dos atletas olímpicos, inexistem em termos esportivos.

O desabafo de alguns atletas ouvidos após atuações medíocres em provas classificatórias expõem problemas comuns e corriqueiros que, Olimpíada após Olimpíada, são vivenciados. Falta o convívio com atletas de outros países como uma forma de alavancar desempenho. O que é comum no voleibol, falta em outros esportes; atletismo, então, só se ouve falar em Olimpíadas. Quando Guga Kuerten foi campeão em Roland Garros falou-se no aproveitamento do feito para alavancar a prática do tênis e, nada foi feito. Assim vive o esporte no país!

O Programa Bolsa Atleta, criado em 2005, tem a finalidade de bancar atletas de alto potencial (entre os 20 melhores do mundo) com rendimentos entre R$ 5 a R$15 mil mês; de acordo com os resultados obtidos nacional ou internacionalmente há bolsas que variam de R$1,850 a R$925,. Importante frisar que em 2020 não houve pagamento da Bolsa Atleta ficando os atletas durante meses sem receber seus auxílios. Em 2021 a normalidade voltou. Também a ressaltar os atletas que são bancados pelo Programa de Alto Rendimento das Forças Armadas com salários de R$3.500, assistência médica e odontológica e podem usar as instalações para seus treinamentos podendo ficar como militar temporário por até 8 anos. São esforços realizados no sentido de qualificar os atletas participantes; imaginem se de fato existissem programas efetivos desde a infância para formar atletas; se parte do dinheiro que transitou em cuecas, em obras fraudadas, em fundos eleitorais fossem destinados a formar atletas. Enfim, sonhar que, algum dia, estaremos no alto do pódio como regra e não como espasmo, é possível. Em 3 anos, 2024, a Olimpíada acontecerá em Paris e torçamos para que, até lá, as mudanças aconteçam!
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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