Coluna Ozinil Martins | Obras paralisadas: a face do desperdício no Brasil!

04 de Junho de 2019

Recentemente a Rede Bandeirantes veiculou uma série de reportagens sobre o desperdício de dinheiro público abordando as obras paralisadas em todo o território brasileiro

São mais de 5 mil obras, algumas em fase de conclusão e, outras que recém iniciaram; vão de metrôs a estações de saneamento básico, de escolas a hospitais, passando por obras rodoviárias, entre outras. O descaso é total! O dinheiro enterrado em obras que deveriam estar atendendo a necessidades dos contribuintes está em bilhões de reais. Para exemplificar, o Museu da Imagem e do Som no Rio de Janeiro já consumiu R$ 150 milhões e a obra está paralisada sofrendo a deterioração normal em casos como este. Algumas obras, inclusive, com alguns milhares de reais poderiam ser rapidamente concluídas, mas o marasmo de atuação, em todos os níveis governamentais, impede que isso venha a acontecer. Na comparação com outros países salta aos olhos a diferença com obras públicas. Nos EUA, a cada obra iniciada, a construtora contrata um seguro no valor equivalente ao da obra e, é a seguradora que faz todo o acompanhamento da mesma fazendo com que não haja atrasos e, muitas vezes as obras são entregues antes do prazo. Por que o modelo não é adotado no Brasil? Porque ele impede a corrupção, ele afasta o agente público do acompanhamento da obra, ele impede que o dinheiro seja desviado ou conchavos entre o poder público e as construtoras. Simples assim! 

As consequências do poder insano!

Esta semana acabei de reler um livro sobre a Segunda Guerra Mundial, Batalhão Maldito de Sven Hassel. Hassel foi soldado do Exército regular da Alemanha e lutou nas frentes polonesa e russa. É a visão de um soldado sobre a loucura que foi a guerra que jogou o mundo em uma desastrosa aventura. Em um discurso feito aos oficiais da SS em Kharkov, Himmler disse: “A melhor arma política é a arma do terror. A crueldade gera respeito. Podem odiar-nos se quiserem, pois não queremos que nos amem. Queremos que nos temam.” Esta frase sintetiza bem os governos autoritários, sejam eles de esquerda ou de direita. Nenhum governo autoritário tem como objetivo principal o bem estar da população, pois sua preocupação maior é com a manutenção do poder. As atrocidades cometidas na Segunda Guerra mostram claramente que o que interessava era o objetivo final, mesmo que para isso e, é isso que o autor nos mostra, tivesse que sacrificar suas próprias tropas. Quando analiso as tendências trazidas, principalmente, pelo excesso populacional, penso na possibilidade do surgimento de governos autoritários pelo mundo com a justificativa de manter a organização e a ordem em suas fronteiras. De certa forma já estamos vivendo, em muitos países, esta situação. Ah! O autor escreveu mais dois livros sobre este período; são eles: Gestapo e OGPV – Prisão Soviética. Já que a história se repete vale a leitura!

Exemplo a ser seguido!

O bilionário americano Robert F. Smith foi convidado para ser o patrono de uma turma de formandos em uma Universidade de Atlanta nos EUA. Ele é o afrodescendente mais rico dos EUA. Ao fazer seu discurso surpreendeu os acadêmicos dizendo que irá quitar as dívidas destes estudantes com o financiamento estudantil feito para que pudessem estudar. O valor? U$40 milhões! Esta é a segunda vez que o bilionário faz doação para a educação no país; a anterior foi de U$50 milhões. O ato veio a calhar para a discussão que estamos vivendo no Brasil. O modelo brasileiro de universidades gratuitas esgotou-se e, cada vez fica mais provado, que professores, salvo exceções, não são bom gestores. O contingenciamento de despesas provocou um alarido como há muito não se via. 3,4% em média é o valor a ser administrado. 

Os números divulgados informam que um estudante das universidades federais custa, anualmente, R$40 mil contra R$14 mil nas universidades particulares. Estes estudantes ao se formarem, construírem seu patrimônio, muitos acumulam fortunas e qual o retorno que dão às universidades em que se formaram? Quais serviços gratuitos prestam à sociedade que sustentou seus estudos? Hora de mudar a forma de pensar e ver que o dinheiro que foi utilizado durante o período dos estudos veio da sociedade, de pessoas que talvez não estudaram, mas pelos impostos que pagaram contribuíram com a formação de doutores de hoje. Hora de retribuir!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.