Coluna Ozinil Martins | O populismo e a Educação!

17 de Julho de 2020

Enquanto na Federação Russa e Estados Unidos o nível de formados no ensino básico gira ao redor de 95% da população, aqui convivemos com menos de 50% dos estudantes formados

Governos populistas tendem a manipular a população com promessas ambiciosas e acenos vazios. Apostam que a ignorância é uma benção, para os governos é claro; ao povo caberá o pagamento da conta na forma do possível.

As manipulações mais recentes no tocante a Educação foram “Universidade para todos” e o FIES. No que se refere à “Universidade para todos” a manipulação foi grosseira e basta compararmos aos cinco países com maiores contingentes de pessoas formadas em ensino superior na faixa entre 25 e 64 anos. Este é o quadro: Federação Russa tem 53% da população com curso superior na faixa etária citada; Canadá 51%; Japão e Israel 46% e Estados Unidos 42%. Logo, mesmo em países altamente desenvolvidos o índice de pessoas com curso superior gira em torno de 50% (Fonte OCDE).

Em 2012 foi divulgada uma pesquisa do Professor Celso Tanus Galvão da Universidade Católica de Brasília em que ele identifica um índice de analfabetismo funcional acima de 50%. O estudo, como foi limitado aos acadêmicos de quatro faculdades do Distrito Federal, não foi muito considerado.

Mas, se levássemos em conta a pesquisa feita pelo Instituto Paulo Montenegro com estudantes universitários, que diz que apenas 22% dos universitários ou graduados são proficientes em leitura, será correto concluir que, quase 80%, não atingiram o nível ideal de alfabetização? A situação é muito ruim!

Vale também citar que em 2000 a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE – em relatório emitido afirmou que 75% dos brasileiros eram analfabetos funcionais. Lá se vão 20 anos e apesar de termos saltado de 8% de pessoas com curso superior para 21% parece que a situação não mudou muito. Infelizmente!

Quando se analisam os dados do último PNAD 2020 divulgados esta semana, a informação que chega é que existem pessoas, entre 15 e 60 anos que são, absolutamente, analfabetas; 11 milhões de brasileiros estão nesta condição. Pior, a mesma pesquisa indica que 52,6% dos brasileiros com idade igual ou superior a 25 anos não completaram o ensino básico. É assustador!

Bem parece que aí reside o fulcro do problema. Educação básica! Enquanto na Federação Russa e Estados Unidos o nível de formados no ensino básico gira ao redor de 95% da população, aqui convivemos com menos de 50% dos estudantes formados. Ainda há que se considerar o péssimo nível de formação daqueles que chegam lá e, o reflexo se estende por toda a cadeia da Educação.

Se o governo atual tiver a percepção de mudar o foco da Educação, de superior para básica, provavelmente teremos uma formação dos estudantes mais qualificados e o país terá uma população em condições de pensar por si, de não se deixar manipular por políticos e política ardilosa. O nível de conhecimento de nosso povo, escancarado nas redes sociais, desde a grafia das palavras, à concordância e ao entendimento de conceitos permite pensar que, se nada mudar, a manipulação terá vida longa no país e continuaremos a malhar em ferro frio.

Com a evolução da Inteligência Artificial, com a mecanização, robotização e virtualização eliminando postos de trabalho e com o nível educacional pós pandemia em franca fragilização, pelo abandono e desinteresse dos estudantes, o que poderemos esperar do futuro deste país? Será que seremos o primeiro país do mundo a se desenvolver apesar da população precariamente alfabetizada? Para pensar!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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