Coluna Ozinil Martins | “O politicamente correto é um porre!”

05 de Outubro de 2020

O título que nomeia esta coluna está entre aspas para referenciar que a frase foi feita pela repórter Glória Maria

A frase da repórter Glória Maria lavou a alma de muita gente que pensa como ela e é, frontalmente, contrário à manipulação proposta pelo “politicamente correto.” Mulher, negra e vencedora, Glória Maria, afirma que sua equipe a chama de Neguinha e ela percebe o carinho com que isto é dito.

O “politicamente correto” teve seu nascedouro nos Estados Unidos, durante o governo de Barak Obama. Apesar de setores sociais brasileiros abominarem tudo que vem daquele país, o “politicamente correto” foi assimilado e, visto como uma forma de influenciar minorias em suas lutas políticas. Rapidamente espalhou-se pela sociedade brasileira e começou ser usual a abertura de cerimônias com o “Bom dia a todos e a todas”, abolindo-se o masculino genérico, transformando a norma gramatical em debate político em defesa das minorias que se sentiam subordinadas a regras antigas definidas por homens. Agora surge o uso do x como forma de caracterizar a igualdade de gênero; todos e todas, transformado em todxs.

Na verdade o que se pretende com o “politicamente correto” é quebrar a identidade de um povo, é descaracterizá-la criando um povo submisso e dócil, sem responsabilidade com seus atos onde, se tem um passado, este é culpado por tudo.

Recentemente algumas empresas de grande porte lançaram ações afirmativas em processos seletivos visando a privilegiar pessoas em detrimento de outras por características individuais que as diferenciam. É importante ressaltar que processos seletivos, e durante muitos anos fui partícipe deles, se notabilizam pela busca de pessoas que sintonizem suas competências com as competências exigidas pelo cargo ao qual se candidatou. Forçar este processo em nome de qualquer argumento pode ser perigoso para o futuro da empresa, pois em um clima radicalizado, as consequências são imprevisíveis. E, se as pessoas decidirem só comprar em empresas que defendem seus princípios?

Da mesma forma o Boticário está substituindo a expressão “Black Friday” por “Beauty Week”. É uma decisão de marketing visando o mercado consumidor e a eliminação de uma expressão que faz referência ao negro. Muito trabalho pela frente, pois há muitas expressões que precisarão mudar.

Bons tempos em que o que nos unia era o propósito pelo qual se lutava. Cresci em meio a uma juventude composta por pessoas de várias etnias que conviviam de forma pacífica e ordeira. No time em que jogávamos futebol os apelidos caracterizavam a forma como nos tratávamos; Tinha o Molho, o Colorido, o Pig, o Ticão, o Arruda e, ninguém se incomodava com isso, porque a camisa que vestíamos era a mesma.

Em tempos bicudos como os vividos atualmente, com aquecimento global mostrando sua força, com desmatamento sendo praticado em todo mundo, com o desnivelamento social ficando a cada dia mais agudo, com o explosivo crescimento populacional gerando mais pobreza com todos seus efeitos colaterais, com os incêndios se proliferando mundo afora mostrando que, com toda a tecnologia disponível, a natureza é soberana, penso na pobreza intelectual que é dedicar esforços a temas que só servem para nos dividir ainda mais. “Boa leitura a todos e a todas!”.

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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