Coluna Ozinil Martins | O lixo será um luxo!

02 de Junho de 2021

A produção de resíduos sólidos no mundo chega a 1,4 bilhão de toneladas por ano

Imagem de Hier und jetzt endet leider meine Reise auf Pixabay aber por Pixabay 

 

A sociedade de consumo transformou tudo em produto essencial, em necessidade vital que as pessoas têm que usar ou exibir para as demais. Isto provoca um excesso de consumo que traz ao planeta sérios problemas de reposição para alguns insumos essenciais à vida na Terra. As pessoas observadoras já perceberam que a equação não fecha; excesso de gente, consumindo cada vez mais e o planeta com seus recursos limitados. O despertar de necessidades faz as pessoas comprarem ou quererem comprar tudo que enxergam e isto está produzindo resíduos de forma como nunca a humanidade o fez. Pare um pouco e veja, em sua casa, quanta coisa existe que você comprou e não usa? De produtos de ornamentação a vestuário; de utensílios de cozinha a brinquedos infantis. A compra satisfaz momentaneamente e cria um problema permanente cuja solução, quase sempre, é jogar fora, jogar no lixo!

Pois bem, a produção de resíduos sólidos no mundo chega a 1,4 bilhão de toneladas por ano ou 1,2 kg de lixo por habitante/dia. Os países que mais geram lixo são Estados Unidos seguido da China, Índia e Brasil. Apenas Japão e Alemanha apresentam números decrescentes. A previsão da ONU é de que em 2050 este número seja de 4 bilhões de toneladas por ano para 9 bilhões de habitantes. (Revista Em Discussão de Set/2014). Se hoje já temos problemas sérios com a coleta e reciclagem do lixo é de se imaginar o que nos espera.

Soluções se fazem necessárias! Olhar para o processo de produção das empresas e perguntar-se: tudo que usamos é necessário? Alguma etapa do processo pode ser eliminada? Sim, praticar a velha reengenharia que nos anos 90 revolucionou os processos produtivos. Um exemplo interessante vem da Suíça; lá, cerca de 70 mil toneladas de pneus usados são descartadas anualmente; parte deste material é reciclado, mas a maior quantidade é usada como combustível em usinas produtoras de cimento. Na região da Baviera, Alemanha, pneus são usados na composição do asfalto com resultados excelentes e proporcionando vida útil mais longa ao próprio. Apesar da resistência da indústria do asfalto a Suíça vai adotar este procedimento. 

Outra estória interessante é contada no livro “Um toque na Cuca” de Roger Oech. Em uma cidade da Holanda os gestores perceberam que, apesar de todos os cestos de lixo disponíveis, as pessoas estavam jogando seus resíduos no chão. Após reuniões em que se discutiu o problema, as conclusões foram as mais variadas, mas sempre com a intenção de punir os infratores; até que alguém pensou “e se recompensarmos os que agirem corretamente?” Imediatamente pensou-se em recompensar financeiramente os que jogassem o lixo nas lixeiras, mas a proposta seria inviável e o que foi feito surpreende. Ao jogar o lixo nas lixeiras, equipadas com sensores de movimento, estas respondem contando uma piada. As pessoas chegaram a mudar seus itinerários para ouvirem as interessantes piadas contadas, que eram renovadas a cada duas semanas.

As soluções para resolver um dos mais sérios problemas que enfrentaremos terão que ser criativas. No Brasil o fim dos lixões deveria ter acontecido até 2014, porém poucas cidades conseguiram atender o proposto na lei. O novo marco regulatório estendeu este prazo de 2021 a 2024 dependendo do tamanho da população. Segundo relatório da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), de 2018, há cerca de 3mil lixões em funcionamento no país, em cerca de 1.600 cidades. 

Pesquisa divulgada pela KPMG Internacional mostra que o crescimento da classe média atingirá, até 2030, 172%. Isto significa maior pressão sobre os ecossistemas. Que os gestores públicos olhem para esta área com atenção e as pessoas se conscientizem em consumir apenas o necessário. 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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