Coluna Ozinil Martins | O lado humano na tragédia pantaneira!

25 de Setembro de 2020

Que o exemplo sirva para aqueles que se especializaram em dilapidar o país!

Foto: ONG Ecotrópica

O Pantanal é um bioma constituído, principalmente, por uma savana estépica, alagada em sua maior parte, com 250 mil quilômetros quadrados de extensão e altitude de 100 metros. Situa-se, no Brasil, entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de ocupar parte do Paraguai e Bolívia. O Pantanal é considerado a maior planície alagada contínua do mundo com 140.000 Km² no Brasil. 

A região é considerada pelo Unesco como Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera. Em que pese o nome, há um reduzido número de áreas pantanosas. Mas, por ser uma planície o alagamento produzido pelos rios da região é muito facilitado.

O Pantanal também se destaca pela riqueza de sua flora e fauna. Répteis, aves, mamíferos e peixes caracterizam uma fauna única e extremamente rica; iguanas e jacarés, tuiuiús e araras azul, lobos guará, ariranhas, onças pintada e os peixes como pintado, dourado e piranha fazem a diversidade tornarem o Pantanal uma área especial em todo o mundo. A flora do pantanal é única e é constituída pela migração de plantas da Amazônia, do Cerrado, da Mata Atlântica e do Chaco paraguaio. Em síntese, é um bioma único!

Pois, anualmente, e com intensidade cada vez maior o Pantanal tem sido vítima de ações da natureza, produzidas pelas secas cada vez mais intensas e, por ações criminosas de pessoas que ateiam fogo à vegetação castigada pela falta de água, transformando este santuário ecológico, em um imenso braseiro com consequências incalculáveis para a flora e a fauna pantaneira.

Mas, nem tudo está perdido, pois há pessoas que se importam com o Pantanal e seus habitantes, que decidem largar tudo que estão fazendo, suas vidas pessoal e profissional e, às suas próprias custas, resolvem encarar desafios extremos ao entender que o mínimo que se faça é muito para ajudar o Pantanal e seus habitantes.

Ontem, assistindo a um telejornal, conheci pela reportagem a médica – veterinária Duda. Ela, ao tomar conhecimento do que ocorria no Pantanal, deixou todos seus afazeres e, às próprias expensas, foi para o pantanal ajudar no resgate de animais feridos e passíveis de serem salvos pela ação médica. Como ela, o Pantanal, recebe muitos voluntários que ao perceberem que sua ajuda poderia fazer a diferença para lá se dirigiram e atuam, incansavelmente, para trazer algum conforto aos atingidos.

A reportagem mostrou o trabalho destes voluntários, não só no atendimento veterinário, mas em prover os animais o essencial para a sobrevivência. Cochos com água são distribuídos nas áreas mais atingidas pelo fogo, pois não existe água e, alimentos são cortados e deixados em pontos estratégicos para que os animais que sobreviveram tenham com que se alimentar. Este trabalho é realizado diuturnamente.

Alguém poderia dizer que este trabalho é, apenas, um paliativo. Até pode ser, mas quero lembrar uma estória que contava em sala de aula, sempre que a oportunidade permitia, “um senhor, caminhando ao longo de uma praia, viu um jovem jogando estrelas do mar da praia para o mar; o esforço era grande e a praia tinha centenas de estrelas. O senhor dirigindo-se ao jovem disse: você não vai conseguir, não fará nenhuma diferença. O jovem jogou mais uma estrela e respondeu: para esta fez a diferença!”

Assim pensam os voluntários do Pantanal! Que o exemplo sirva para aqueles que se especializaram em dilapidar o país!
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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