Coluna Ozinil Martins | O grande irmão está de olho em você!

10 de Julho de 2020

Escrito em 1948 e publicado em 1949, o livro 1984 de George Orwell está mais atual do que nunca

Escrito em 1948, publicado em 1949, o livro 1984 de George Orwell está mais atual do que nunca e, retrata, com perfeição, o momento vivido pela humanidade. Apesar de suas convicções socialistas, George Orwell, era contrário a qualquer modelo de governo baseado no autoritarismo e um crítico contundente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e de Stalin.

1984 descreve o que acontecia em um país fictício, Oceania, dominado pelo medo e repressão. Orwell criou algumas imagens e termos interessantes e que vem, aos poucos, se consolidando pelo mundo. País de partido político único – INGSOC – cujos lemas mostram as consequências do que hoje se identifica como politicamente correto. “Guerra é paz! Liberdade é escravidão! Ignorância é força!”

O conceito de novilíngua retrata bem o que vivemos hoje com o politicamente correto. Altere o sentido das palavras, provoque reflexões que mudem o sentido de tudo que está posto. Moldar o passado à luz dos interesses do presente é o intuito do politicamente correto. As ações de arrivistas destruindo estátuas pelo mundo é a tentativa obtusa de mudar a história como se isso fosse possível. Renegar o passado é apagar a história da humanidade e no mínimo a impossibilidade de permitir às novas gerações a reflexão sobre nossa caminhada no planeta. A visão dos estúpidos comemorando a destruição de monumentos públicos mostra o fracasso da educação e escancara a atuação nefasta de professores engajados em ideologias ultrapassadas.

Orwell cria em sua narrativa o Ministério da Verdade. Este ministério é o responsável por emitir as regras que norteiam o funcionamento do país Oceania. Qualquer habitante que contestasse as regras emitidas pelo Grande Irmão cometia o que era classificado como crimideia e seria conduzido à Polícia do Pensamento para averiguação e reeducação. Se você, caro leitor, está encontrando alguma similitude com o que estamos vivendo, está correto. Às vezes, os ministros do Ministério da Verdade não gostam de ver seus atos contestados pela plebe rude e ignara. Em certos regimes políticos pensar diferente pode ser um crime muito violento.

E, ainda há que observar as existências das teletelas. Espalhadas por todo o país imaginário tinham a função de vigiar os cidadãos em busca de seus pequenos ou grandes deslizes. O detalhe importante é que estas câmaras também eram instaladas dentro das casas das pessoas. Portanto, a vigilância era exercida 24h por dia, ininterruptamente. Qualquer semelhança com o que vivemos hoje é mera coincidência. Só na China a existência destas câmaras ultrapassa a casa de 200 milhões com previsão de chegar a 400 milhões em 2020 e, com reconhecimento facial, praticamente, instantâneo.

A existência de uma população crescente e beirando os 8 bilhões de habitantes, de um planeta com recursos finitos, alguns em rápido processo de exaustão, com a sexta extinção de espécies da flora e fauna em andamento (Dra Elizabeth Kolbert em seu livro Sexta Extinção) devem produzir ambientes que estimulem os mais autoritários a
pensarem como o Grande Irmão de Orwell.

Enquanto, cada vez mais o processo do politicamente correto se consolida, a restrição aos direitos individuais progride, a obtusidade de seus praticantes cresce e a radicalização atua deixando o processo de nós x eles agudizado e fica cada vez menor a esperança para encontrar uma saída democrática em que o grande ganhador seja a humanidade.

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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