Coluna Ozinil Martins | O capitalismo criou um monstro?

10 de Abril de 2020

O monstro foi criado, quem se encarregará de colocar o sininho em seu pescoço?

De a muito empresários brasileiros veem denunciando a competição desleal entre os produtos chineses em comparação aos produtos nacionais. A primeira área a sentir o impacto foi à indústria têxtil, que encolheu significativamente nos últimos anos, enquanto via crescer a invasão de produtos chineses com base, especificamente, no preço.

Em pouco tempo outras áreas da economia começaram a sofrer com a concorrência chinesa; a evolução da qualidade dos produtos começou a acontecer com a transferência de fábricas para o território chinês dentro de regras chinesas. Empresas transferiram suas produções totalmente para aquele país, que começou a ter acesso a tecnologias de ponta e a copiá-las naquilo que lhe interessava. As empresas do mundo inteiro concordaram, pacificamente, para o quadro que hoje se vive. O importante era o design, a marca, o resto pode ser feito na China, com um custo bem menor.

Surge então o que sempre foi o objetivo: custo de produção. O trabalhador chinês, sem nenhuma garantia trabalhista, trabalha em regime de semiescravidão ou escravidão, morando no local de trabalho, fazendo suas refeições e trabalhando sem recebimento de horas extras, sem sistema de aposentadoria, sem nada. Mas, o que interessava ao capitalismo ocidental era a produção a baixos custos e as vendas que não paravam de crescer.

No Brasil, primeiro vieram as lojas de R$1,99, depois produtos de alta tecnologia e, a desindustrialização começou a evoluir e a ser discutida nos meios acadêmicos e depois na imprensa, chegando às casas pelo fenômeno do desemprego.
Há alguns anos o Diretor de Marketing de uma multinacional de autopeças visitou a China e ficou impressionado com a grande fábrica em que se havia transformado a “pobre” China e, escreveu um texto de alerta sobre o momento em que o país se transformaria na grande fábrica do mundo e imporia o preço de seus produtos ao mundo ocidental. A profecia se concretizou! 

A indústria nacional se tornou muito menor, em termos de participação no PIB e agora, em plena pandemia, temos que importar da China, a preços de leilão, máscaras, respiradores e insumos para a indústria de medicamentos. Segundo o Prefeito de Curitiba, Sr. Rafael Greca, um respirador mecânico, que antes da crise custava U$ 7 mil, hoje custa U$ 49 mil.

 A China, maior detentora mundial de títulos públicos da dívida americana, maior compradora de commodities do mundo, financiadora de países da Ásia e África, com mais de U$ 3 trilhões de dólares em reservas cambiais, aparece como salvadora da economia mundial. 

No Brasil o olho gordo da China dirige-se ao sistema elétrico do país; já é proprietária de uma série de usinas hidrelétricas, 14 parques eólicos e se o governo leiloar a Eletrobrás, com certeza, o arremate será feito pela estatal chinesa.
Mas, o pior reside na área de telecomunicações, onde a China se associou a Rede Bandeirantes de Televisão, com transmissão de programas chineses em que fica implícita a capacidade de interferência chinesa em nossa forma de vida, e o convênio com a Rede Globo de Televisão para produção conjunta de produtos que interessam à TV. A expansão chinesa, que havia começado no mar da China, com a ocupação das águas internacionais pela criação de ilhas artificiais, está apenas começando.

O monstro foi criado, quem se encarregará de colocar o sininho em seu pescoço?

Fontes: Livro – A China sacode o mundo de James Kinge, Chindia – Como China e Índia están revolucionando el mundo de Pete Engardio e artigos da Revista HSManagement.

 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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