Coluna Ozinil Martins | Não será por falta de avisos!

28 de Julho de 2021

"Se você ainda não pensou sobre isso, Pense!"

Foto de Oscar Chan no Pexels

 

Há 10 anos postei no Facebook uma informação da qual acabara de tomar conhecimento. “Acabo de receber informação, através da Euromonitor International, sobre as cinco tendências que moldarão os mercados do futuro: Deslocamento do poder global para a Ásia, prevalência de empresas ambientalmente corretas, expansão da classe média global, envelhecimento e urbanização e a revolução digital. Se você ainda não pensou sobre isso, Pense!”

Pois bem, lá se foram 10 anos e as informações se transformaram em fatos. A mudança do poder global para a Ásia caminha, concretamente, em direção à China; sua evolução tecnológica e seu papel desestabilizador do ocidente mostram uma ambição cada vez mais clara de liderar o mundo e, de acordo com suas condições.

A exigência de preservação ambiental fica cada vez mais evidente em função da ameaça aos ecossistemas e da realidade que se mostra através da extinção de espécies. A realidade, cada vez mais implacável, excluirá do mercado as empresas que “fingem” praticar a preservação ambiental. Recomendo a leitura do livro a Sexta Extinção – Uma História Não Natural de Elizabeth Kolberg, onde a autora prova que esta extinção é provocada pelo homem.

O fenômeno do crescimento da classe média mundial é um fato. A entrada da China no mercado de consumo e a necessidade de alimentar 1,4 bilhão de pessoas, mexe com o consumo e a produção de alimentos pelo mundo. O crescimento da classe média produzirá consequências no meio ambiente, consumo de água, maior produção de alimentos e, por aí vai. A China, recentemente, abandonou sua política de um filho por casal em função da queda da taxa de natalidade no país, logo isto pode ser uma solução para a China e um problema para o resto do mundo.

O envelhecimento e a urbanização nos permite expor o exemplo brasileiro. O Brasil, até os anos 50 do século passado, era um país, tipicamente, rural. Suas mulheres tinham, em média, 5 filhos por casal; atualmente a média de filhos por mulher no país, segundo o IBGE, é de 1,9, o que não atinge a taxa de recomposição da população que é de 2,1 filhos por casal. Ao mesmo tempo em que isto acontece, há uma inversão no que se refere à urbanização. De país que tinha sua população vivendo em áreas rurais para um país urbano;  atualmente mais de 84% da população brasileira vive em áreas urbanas e, aí, agravam-se os problemas brasileiros.

A população deslocada, do campo para a cidade, não tem a formação necessária para atender as necessidades do trabalho moderno. Com isto engrossam o cinturão de miséria que envolve as principais cidades do país tendo como consequência o aumento da violência, a prostituição e o crime organizado encontra solo fértil para seu desenvolvimento. 

Avisos como o Euromonitor International não faltaram; tempo para se planejar e organizar o que vinha pela frente existiu e, se nada foi feito é porque as gestões políticas, seja qual for sua cor, não cumpriram seu papel de garantir o crescimento harmonioso. A conta está chegando e vai cobrar um alto preço!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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