Coluna Ozinil Martins | Na pandemia é mais fácil culpar o povo!

26 de Junho de 2020

O fecha, abre, fecha não é plano contingencial, é improviso de quem não tem solução

Foto:FilipeBispo/LeiaJa

 

Tenho lido e ouvido críticas pesadas ao comportamento do povo durante a pandemia em que vivemos. São críticas que vão de termos mais amenos, inconsequentes, a termos mais pesados, responsabilizando-o por tudo que acontecer. 

Segundo dados do IBGE o Brasil tem, hoje, 14 milhões de analfabetos com idade acima de 15 anos; como não existe nenhum sistema de educação de adultos como os que o país já teve, cabe presumir que estas pessoas, a não ser por esforço pessoal, não serão alfabetizadas e se transformarão em um peso a ser carregado até o fim de suas vidas. Será a ignorância uma benção?

As estimativas sobre os analfabetos funcionais variam entre 40 a 60% da população; vale lembrar que analfabetos funcionais são aqueles que não conseguem decodificar uma mensagem. Apesar de ler e escrever são incapazes de interpretar o que leram.

Os habitantes das comunidades nas grandes cidades, que vivem em um ou dois cômodos em grupos familiares de 10 ou mais pessoas não têm condições de praticar o isolamento social e mostram as pesquisas, em comparação com áreas nobres destas cidades, que a contaminação pode ser até 6 vezes maior para estes moradores. 

A deficiência, mostrada exaustivamente antes da pandemia, da infraestrutura da área da saúde do país, era e é notória. Doentes se acomodando em corredores de hospitais, médicos tentando fazer o seu trabalho com equipamentos de proteção individual precário e por aí seguem nossas estórias.

O período imposto pela quarentena a partir de meados de março e estendido até junho, mais de 90 dias, tinha a finalidade de preparar o serviço de atendimento à saúde de Estados e municípios. Era a hora para desenvolver os planos contingenciais que seriam acionados em caso de desvios no planejamento inicial. O fecha, abre, fecha não é plano contingencial, é improviso de quem não tem solução. 

E, a culpa é do cidadão!

Cidadão este que acompanha as marchas e contra marchas da Organização Mundial de Saúde, que não teve acesso à educação básica familiar e a educação formal de qualidade, que viu as verbas para a educação aumentarem a cada ano e se perderem no meio do caminho em compra de merendas fraudadas, em material escolar desperdiçado, em discussões bobas sobre ideologias que a nada levam, 

E, a culpa é do cidadão!

Que não sabe o que é cidadania, que viu caixões sendo enterrados cheios de pedras, que viu compras de material hospitalar superfaturadas, que viu a montagem de hospitais de campanha que sequer foram usados. Que não pode sequer despedir-se dignamente de seus entes queridos e que acompanha, estarrecido, a ação do Ministério Público e da Polícia Federal na busca dos fraudadores de compras sem licitação e do desvio do dinheiro do povo que é, sem dúvida, a grande vítima de tudo que acontece, no mínimo pela ignorância de que é portador por falta da ação básica do Estado em sua formação como cidadão.

Sem esquecer-se do desvio provocado por pessoas inescrupulosas que, mesmo empregadas e sem redução de salários, se candidatam ao benefício emergencial, em detrimento dos que precisam. Políticos que usufruíram do benefício ou que tiveram parentes próximos beneficiados, além de devolver o dinheiro “roubado” do povo, deveriam perder seus mandatos. São nocivos à ordem política e social!
E, a culpa é do povo!
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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