Coluna Ozinil Martins | Na esteira da pandemia, a fome!

23 de Março de 2021

Bom não brincar com a fome do povo ou começaremos a ver atos desesperados de quem até a dignidade foi roubada!

Foto de Jimmy Chan no Pexels

Não bastasse a pandemia, dados divulgados pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – indicam que os 9 milhões de brasileiros que compunham a parcela abaixo da linha da pobreza passaram a ser 27 milhões, isto é, triplicou o número de pessoas que vivem com até R$240, por mês.

Por outro lado os doadores de mantimentos que ajudavam a manter o fornecimento de marmitas aos que nada têm para comer caíram em 70%. Os doadores sofrem pela perda de empregos ou pela proibição dos trabalhos informais nas ruas das cidades. Reportagens de telejornais mostrando geladeiras vazias são imagens corriqueiras e, mostram o nível de desespero a que pode chegar o ser humano em situações como estas; as manobras feitas para servir algo para comer a seus filhos são heroicas e tristes ao mesmo tempo. Um país tão rico que pela incompetência de seus gestores de plantão relega seu bem mais precioso, sua gente, à fome, à miséria, ao não ter futuro.

Por outro lado, os mesmos telejornais, mostram a forma como é gerenciado o dinheiro público no país. Em Duque de Caxias – RJ – uma escola inaugurada há 3 anos e fechada a 2, provoca revolta dos moradores que, sem condições para que seus filhos possam acompanhar as aulas remotamente, veem o futuro esvair-se por entre seus dedos. A escola está, simplesmente, caindo aos pedaços. A prefeitura informou que vai acionar a construtora. É sempre assim! Obra mal feita, dinheiro desviado, inquérito abertos e o povo paga a conta. Até quando?

O recrudescimento da pandemia na Europa está obrigando a revisão dos planos originais para toda a região. A ideia inicial era retomar as atividades econômicas no início do segundo semestre. Tudo se encaminhava para que isto acontecesse, mas o ritmo de vacinação caiu dramaticamente por falta de vacinas; apenas 30% da meta de vacinação estabelecida foi atingida. A AstraZenecca não está conseguindo atender as necessidades de produção para satisfazer a procura dos países europeus. A Itália, radicalizando sua posição, proibiu a exportação de vacinas (250 mil doses) já comprometidas para a Austrália e, utilizou-as para uso próprio. A Comunidade Europeia está analisando a possibilidade de tornar este procedimento como regra.

Como a pandemia afetou todos os países, como não existia vacina adequada ao combate, como há procedimentos técnicos que devem ser seguidos para que o remédio não se transforme em veneno, como são poucos os desenvolvedores de vacinas no mundo era óbvio que o problema, cedo ou tarde, seria colocado em pauta para discussão e segundo o ditado popular “farinha pouca, meu pirão primeiro.” Não é fácil atender as necessidades de 8 bilhões de pessoas espalhadas pelo mundo. Além das vacinas serem suscetíveis à temperatura, há o problema da logística. Como fazer chegar aos mais recônditos lugares, preservando suas condições para o uso e atendendo a bilhões de usuários? Tudo tem que ser planejado e organizado para que não haja perdas de vacinas e se vacinem o mais rapidamente possível as pessoas.

Felizmente os europeus, mesmo em seus países mais pobres, não têm que se preocupar com a fome e, vem de lá um recado dito pelo Imperador Napoleão Bonaparte: “os exércitos marcham sobre seus estômagos!” Bom não brincar com a fome do povo ou começaremos a ver atos desesperados de quem até a dignidade foi roubada!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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