Coluna Ozinil Martins | “Memento Mori!”

10 de Junho de 2021

O exemplo dado pelo Império de Roma de lembrar da mortalidade de seu poderio deveria ser seguido pelo parlamento brasileiro e por alguns segmentos do poder judiciário

Os generais romanos após batalhas épicas em que se sagravam vencedores eram recebidos em Roma para serem ovacionados pela população. Nada mais justo que a população rendesse suas homenagens ao vencedor. As tropas sob seu comando ficavam acantonadas em áreas reservadas fora dos limites da cidade; afinal, prevenir é o melhor remédio. Em sua biga, conduzida por um escravo, o General trazia mais um acompanhante que não aparecia para o público, pois vinha agachado e, em dados momentos pronunciava a frase que dá título a esta coluna: “Memento Mori!”, ou seja “Lembra-te que és mortal”.

Em síntese o escravo lembrava que nada pode ser mais destrutivo a qualquer pessoa do que se deixar levar pela vaidade, pelo senso de que pode tudo, pelo poder absoluto. Este exemplo de bom senso que vem da Roma antiga e de seu poderio demonstrado durante o que se convencionou chamar de Império de Roma poderia muito bem ser seguidos pelo parlamento brasileiro e por alguns segmentos do poder judiciário.

Alguns senadores que compõem a CPI da pandemia deveriam levar, às sessões de que participam, um dos seus assessores, possuído de bom senso e abstraído de puxa-saquismo, que ficará agachado atrás da cadeira, para lembrar sempre que viesse a cabeça algo como a fronteira estabelecida entre o Brasil e o México, este assessor murmurasse “memento mori.” Quanta besteira poderia ter poupado os ouvidos e mentes dos desavisados que ainda perdem seu tempo ouvindo os descalabros que são, diariamente, proferidos.

Tal procedimento poderia ser utilizado em sessões da Suprema Corte, onde aqueles serviçais que servem água, café e ajustam as capas de Suas Excelências, poderiam, sem aumento de salário, incorporar a função de alertar os ínclitos representantes da elite judiciária, quando estivessem para cometer equívocos, como os que têm sido vistos contra a constituição brasileira, como votar em benefício próprio, relativizar a propriedade privada mesmo que por tempo definido ou julgar se podem ou não ser jogadas partidas de futebol, apenas exemplos. Óbvio que isto é só uma elucubração do escrevinhador da coluna.

Ah! Em tempos de disputas pelo poder a humildade se esconde, a soberba e a prepotência sobrepõem-se a tudo que chame à razão. Mentir, deturpar, escamotear a verdade faz parte do papel de parlamentares e juízes? Invadir o poder alheio para criar o estado de “quanto pior, melhor” mesmo que o maior prejudicado seja o país, é valido?

Nas cortes europeias a figura do Bobo da Corte era bancada pelo soberano com o fundamento de fazer o rei rir e refletir. Mas, era seu papel ser, em determinadas ocasiões, extremamente desagradável quando apontava os erros reais e os vícios e peculiaridades da sociedade. Talvez se tivéssemos no parlamento o singular Bobo da Corte, erros seriam evitados, leis estúpidas deixariam de ser aprovadas e o povo seria lembrado como o pagador de todas as besteiras que lá são aprovadas e o patrão que efetivamente é de todos os 513 deputados federais e 81 senadores da República Federativa do Brasil.

Que nossos parlamentares e juízes nunca esqueçam que “são mortais.” Que nada que aqui temos seguirá conosco na jornada que nos espera; que por maior que seja a fortuna amealhada, ela aqui ficará e outros serão os beneficiários. Ambição e avareza nunca foram bons conselheiros. Memento Mori!

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