Coluna Ozinil Martins | Meio Ambiente pede socorro!

25 de Agosto de 2021

A conclusão mais significativa a que chegaram os cientistas foi a de que não há como desconsiderar a atuação humana no aquecimento do planeta com todas as consequências previsíveis

O último relatório do clima divulgado pelo IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – em 09.08.2021, aponta, claramente, para o agravamento do processo de mudança climática no planeta e, desta feita, é preciso em fazer a correlação entre atividades humanas e as mudanças climáticas, principalmente o aquecimento do planeta. Este relatório foi aprovado por 195 governos e 234 cientistas foram seus autores e houve concordância com as conclusões a que chegaram.

A conclusão mais significativa a que chegaram os cientistas foi a de que não há como desconsiderar a atuação humana no aquecimento do planeta com todas as consequências previsíveis. A previsão é de aumento na temperatura média do planeta em 1,5º graus Celsius até 2030; se avançar além deste patamar o risco será imprevisível. Poderão ocorrer pontos de ruptura, em escalas global e regional, originando ruptura do sistema climático, tal como: forte aumento do derretimento da camada de gelo da Antártica.  Outra constatação do relatório é que a elevação média global do nível do mar aumentou mais rapidamente desde 1900, do que em qualquer época nos últimos 3000 anos. Muitas destas consequências são irreversíveis, especificamente para mudanças nos oceanos, camadas de gelo e no nível global do mar.

Os incêndios de grandes extensões nos Estados Unidos, Grécia e Portugal contrapõem-se às enchentes ocorridas no Reino Unido, Alemanha e França para ficarmos em exemplos recentes. A sequência dos eventos naturais que se multiplicam ao redor do mundo com tendência ao agravamento preocupam os cientistas do IPCC. Na Rússia, mais especificamente na Sibéria (localidade de Duvanny Yar), o rápido derretimento do gelo está provocando o colapso do solo, formando uma gigantesca cratera no meio da tundra siberiana. Permafrost – solo composto por terra, sedimentos e rochas, até então permanentemente congelado, está derretendo e liberando grandes emissões de carbono, metano, mercúrio, vírus e bactérias causadores de doenças antigas. Em 2012 a cientista Sue Natali esteve na Sibéria e conferiu a evolução do fenômeno e segundo ela a quantidade de carbono aprisionada no gelo é de, aproximadamente, 1.500 bilhões de toneladas que pode, em até 70%, ser liberadas à atmosfera caso persista o descongelamento (Fonte:BBC Future). A Austrália, através de ação de sua Marinha, já está recolhendo habitantes das ilhas menores situadas próximo ao país em função da invasão destas ilhas, pelas águas do mar; são os primeiros refugiados pelo clima.

No Brasil, a crise hídrica pela qual o país está passando, é a pior da história. Pelo segundo ano consecutivo, o país sofre com secas agudas e vê seus reservatórios e rios secarem como nunca. Possibilidades concretas de se racionar a água (em Curitiba e outras cidades menores já está acontecendo), com reflexos na geração de energia elétrica. Como consequência da seca e da baixa umidade do ar, a prática das queimadas, que visam à regeneração e preparo do solo, provocam prejuízos imensos à flora e fauna das regiões afetadas. Segundo o MapBiomas (envolve Universidades, ONG’s e empresas de tecnologia) a superfície coberta por água no Brasil perdeu 15,7% de sua capacidade nos últimos 35 anos ou seja 31 mil km² evaporaram. Pantanal, Caatinga e Amazônia foram as áreas mais atingidas. 

Em Florianópolis os fenômenos naturais começam a cobrar seu preço. Ingleses e Morro das Pedras mostram a reação da natureza à inconsequência com que a tratamos. Quanto tempo durará o “engordamento das faixas de areia?”

Neste quadro ambiental caótico em que vive a humanidade ainda presenciamos a destruição do Parque do Juquery, reserva ambiental próxima a São Paulo, pela ação criminosa de um grupo que, ao brincarem de soltar um balão, provocaram a catástrofe que acompanhamos nos últimos dias. O tempo esvai-se lentamente, mas de forma inexorável. Será que teremos tempo? 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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