Coluna Ozinil Martins | As lojas autônomas estão chegando!

22 de Abril de 2019

São Paulo e Espírito Santo acabaram de inaugurar as primeiras

Temo estar ficando chato com minhas observações sobre as mudanças na área do trabalho e a eliminação de empregos. São Paulo e Espírito Santo acabaram de inaugurar as primeiras lojas autônomas do Brasil. Não há nenhum tipo de atendimento presencial. Para entrar na loja o cliente usa seu telefone, que através de um aplicativo o identifica, reconhece seu cartão de crédito e abre as portas; aí é tudo com o cliente. Apanhar as mercadorias, colocar na cestinha que, ao mesmo tempo, vai contabilizando seus gastos e, após compras feitas, libera a saída do cliente informando-o, via telefone, do valor que será debitado em seu cartão de crédito. Este modelo de negócio começa a espalhar-se pelo mundo com todas as suas consequências positivas e negativas. Pretendo ressaltar com este exemplo, de muitos que tenho arquivados, que as mudanças são irreversíveis e é fundamental, enquanto país, que tenhamos uma educação de base muito forte para fazer frente ao que nos espera para que não sejamos obrigados a conviver com situações de desemprego em massa, aumento da violência e a instalação de governos autoritários para fazer frente a um possível caos. Os exemplos estão pelo mundo!

Sim! É possível ser profissional e competente

A última vez que havia entrado em um estádio de futebol foi em 1982. Trabalhava na Souza Cruz e havíamos recebido uma comissão internacional do grupo empresarial para verificar se estávamos cumprindo as orientações sobre segurança do trabalho. Um dos auditores, chileno, mostrou interesse em ver a uma partida de futebol no estádio Olímpico do Grêmio. Acompanhei os auditores a Porto Alegre e assistimos a Grêmio 2 x Vasco 0. Recentemente estive em Curitiba e fui convidado a assistir um jogo do Clube Athetico Paranaense. Fomos então à Baixada assistir ao jogo. As surpresas começaram quando nos dirigimos para comprar os bilhetes de acesso. Tive que fazer o cadastro biométrico antes de comprar o ingresso (fato que se repete com todos os torcedores e identifica pessoas com problemas perante a justiça), o que mostra a preocupação com a segurança de todos. Feito o cadastramento (muito rápido), fomos às lanchonetes no interior do estádio, onde o alimento é feito na hora e, próximo do final do jogo tudo é vendido a 50% do valor para que não haja sobras. O estádio um brinco em termos de limpeza, com lugares marcados e, o que me chamou a atenção foi à inexistência de alambrados. Nenhum incidente de invasão de campo foi, até então, notificado. Tratar as pessoas com responsabilidade tem como resultado a imediata correspondência. É possível sim, ser educado e respeitado em um estádio de futebol ou em qualquer lugar desde que se ofereçam as condições adequadas aos espectadores.

Para onde vai a indústria brasileira? 

O parque industrial brasileiro construído ao longo de décadas é extremamente diversificado e robusto. Porém, dados divulgados recentemente, revelam que estamos frente à menor participação no PIB nos últimos 70 anos. A indústria representa, hoje, apenas 11,3 % do produto interno bruto do país. E, o pior é que não se vê luz no final do túnel. A saída de empresas multinacionais do país atinge níveis alarmantes e não há sinais de reversão. No primeiro bimestre de 2019, 54% das empresas apresentaram queda em sua produção; enquanto perdemos tempo discutindo temas aleatórios e supérfluos deixamos de focar no essencial e perdemos competitividade no contexto global e, isso é mais sério quando se trata de indústrias sofisticadas que garantem, a qualquer país, vantagens competitivas imensas. A análise feita pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) mostra isso claramente. Além do que, convivemos com uma brutal carga tributária e, pior, com uma burocracia infernal que chega a consumir 1,2% do faturamento das empresas (FIESP). No vazio deixado pela indústria cresce o setor de serviços e varejo, sem compensar a perda da área industrial. Além das reformas da previdência e tributária, o governo deve se preocupar com a gravidade que representa o desemprego no país. São 16 milhões de residências sem uma pessoa sequer empregada e, isso exige ações imediatas do governo no sentido de evitar uma possível explosão social. Hora de agir!

 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.