Coluna Ozinil Martins | Lamentos de um brasileiro comum

11 de Agosto de 2021

15 milhões de desempregados, 11 milhões de analfabetos absolutos acima de 14 anos segundo o IBGE

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay 

 

Acordar antes de clarear o dia, encarar ônibus e trens lotados com o desconforto proporcionado por frotas velhas e decadentes, além de trafegarem, absolutamente, lotados, enfrentar assaltos institucionalizados pela ausência de forças de segurança e pela ousadia dos criminosos que a nada temem, assim começa o dia a dia do brasileiro comum nas grandes cidades.

No transporte que o leva para o “trampo” vai pensando em como será o dia, nas desavenças familiares provocadas pela falta de dinheiro e pelas contas vencidas (mais uma vez vai ter que escolher que conta pagará e qual deixará pendurada), nos problemas criados pelos filhos e seus desempenhos escolares, no pagamento do seguro aos milicianos que lhe garantem a segurança para morar no apartamento financiado pelo Minha Casa, Minha Vida. Melhor parar de pensar e encostar minha cabeça no banco e tentar dormir um pouco; a anestesia provocada pelo sono me afastará da realidade. 

Mês fechado, o salário é depositado e a maratona de gastos se repete. Pagar as contas prioritárias e revezar as que podem ser revezadas. A cada dia sobra mais mês no final do dinheiro e, os serviços que deveriam ser prestados pelo Estado em contrapartida ao dinheiro que é descontado do salário, nunca vêm na qualidade que se espera. Com a pandemia o atendimento médico foi esquecido; a prioridade passou a ser a Covid-19; as escolas da garotada, ou atendem presencialmente parte das crianças ou atendem virtualmente e aí o problema é mais sério, pois não há recursos tecnológicos disponíveis para atender as crianças. Imaginem as crianças se revezando no uso do único aparelho de telefone celular existente, pois não há computador na maioria das casas do brasileiro comum. Fora as escolas que ainda estão fechadas e sem nenhum tipo de atendimento. Só nos resta pensar em como será o futuro destes jovens!  

As propagandas veiculadas na televisão mostram os objetos de desejo em suas últimas versões; é o carro, o telefone celular, a roupa da moda, a geladeira que avisa quais produtos estão em falta, a viagem dos sonhos e por aí segue a vida e, nós, brasileiros comuns, só queremos o básico para viver com dignidade. Será tão difícil assim atingir este objetivo?

Nas mais diferentes áreas, mais de 220 mil moradores de rua segundo o IPEA em março de 2020, formam um contingente de pessoas alienadas do futuro que está sendo construído muito rapidamente. Pior, em 2020, 4 milhões de jovens e crianças abandonaram as escolas; o contingente maior é no ensino superior e no ensino médio. São pessoas que, infelizmente, terão que ser tuteladas por programas sociais do governo e muito suscetíveis a manipulação política. 

Este brasileiro não é fruto do hoje, de tempos recentes; este brasileiro foi construído ao longo de anos e anos de fervorosa doutrinação política, sem educação de qualidade, sem oferta de saúde pública adequada, sem o  básico para seu sustento, o brasileiro comum se acostumou a ver outros tomando decisões por ele e, estas decisões nunca eram a seu favor, mas quase sempre da Casa Grande e seus abnegados seguidores! A senzala continua igual, se não pior! 
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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