Coluna Ozinil Martins | Impunidade e ganância: receitas para o fracasso!

07 de Abril de 2021

“Um povo ignorante é o instrumento cego de sua própria destruição.”

Imagem de Steve Buissinne por Pixabay 

 

O impostômetro, criado em 2005 pela Associação Comercial de São Paulo, no dia 07.04.2021 (9h 40 min) acusava o valor de R$ 707 bilhões em impostos arrecadados. Deste valor a parte do leão permanece com o governo federal que deveria garantir a qualidade da saúde, educação, segurança e infraestrutura para permitir ao país competir em igualdade com os países de primeiro mundo. Mas, o que vemos é um país estrangulado em despesas, sem poder de investimentos e com uma elite preocupada em manter privilégios tendo o povo como mero contribuinte deste banquete em que só uns poucos participam.

O fato concreto é que em nenhum momento na pandemia viu-se autoridades abrirem mão de qualquer um dos privilégios que são tão comuns em beneficiar o topo da cadeia que gerencia este gigantesco e ineficiente país. O exemplo mais recente é o aumento do auxílio médico às Suas Excelências da Câmara Federal que é de um cinismo sem tamanho aos 27 milhões de brasileiros que vivem com até R$ 246 reais por mês (IBGE). De R$ 50 mil para R$ 135 mil, um modesto aumento de 171%, é o quanto cada um dos 513 deputados poderá ter como reembolso por eventuais despesas médicas. Não nos assustemos se, em breve, despesas médicas forem usadas como são o auxílio combustível em que deputados gastam o equivalente, em um mês, a uma volta ao redor do planeta.

Pesquisa feita em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) com 30 países que têm a maior carga tributária do mundo, o Brasil aparece como o país que traz o menor retorno à sua população; segundo o presidente do IBPT, temos a 15ª maior carga tributária do mundo e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ano após ano, varia entre as posições 77ª a 79ª. O Brasil é o país que menos transforma tributos em benefícios à população. Mas, afinal, aonde vai parar todo o dinheiro arrecadado? Se não há retorno na forma de prestação de serviços, se o Estado perdeu sua capacidade de investimento, se a dívida pública não para de crescer, o que fazem com o nosso dinheiro?

É evidente que há privilégios e mais privilégios beneficiando a elite do funcionalismo público do país. Sim, o senador que você elegeu, o deputado federal que recebeu a delegação para falar e agir em seu nome, custam aos cofres brasileiros mais de R$ 10 bilhões por ano (dados de 2019). As mordomias exercidas por membros de órgãos estatais que deveriam dar o exemplo de austeridade são um tapa no rosto do brasileiro honesto e que quer o bem do país. Os exemplos que chegam à base da pirâmide social são muito ruins!

E, com o estrangulamento da Operação Lava – Jato, com a libertação do ex- presidente Lula da Silva, com a revisão de processos que foram julgados pelo juiz Sérgio Moro, volta com toda a força, a impunidade a cumprir seu papel no país do futuro. O brasileiro comum trabalha 5 meses por ano para garantir os impostos que sustentarão as mordomias e estripulias da elite dirigente do país e não existe nenhuma perspectiva de que isto venha a ser revisto, pelo menos por parte dos beneficiários. Se o brasileiro fosse socialmente comprometido agiria de uma forma muito simples; se é pelo dinheiro do imposto que a farra existe, assumiria o compromisso de comprar somente o essencial; evitar gastos e recolher menos impostos é o caminho para que, o Estado, reveja seus gastos e passe a encarar o povo com a seriedade que merece. Deixe para amanhã o que compraria hoje! A falta de dinheiro fará os políticos pensarem melhor na hora de gastar o dinheiro que você ganhou tão laboriosamente.

“Um povo ignorante é o instrumento cego de sua própria destruição.” Simon Bolívar

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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