Coluna Ozinil Martins | Hora de resgatar os sentidos!

28 de Fevereiro de 2020

Só há uma forma de nós, seres humanos, nos comunicarmos com o mundo que nos cerca. Através dos sentidos! Sim. Visão, audição, tato, paladar e olfato são responsáveis pela nossa capacidade de interpretar o ambiente, ou seja, captar diferentes estímulos ao nosso redor. Sem os sentidos não seríamos capazes de perceber as variações do meio e, consequentemente, de produzir uma ação adequada diante de um perigo.

Interessante é que o processo de mecanização que nos atinge na produção de bens parece estar afetando, de maneira significativa, nossos sentidos e por extensão nossa forma de comunicar com aqueles que nos cercam e, pior, conosco mesmo.

Analisando, um a um dos sentidos, o que se percebe é assustador. Quando se analisa o paladar o que se vê nos remete a um mundo apressado, sem tempo, em que a prioridade de comer não existe; na verdade as pessoas querem livrar-se da comida para assumir o próximo compromisso. Come-se em situação de desconforto, em pé, em balcões sujos ou amontoados em restaurantes que cobram por peso consumido. Sentir o gosto da comida? Nem pensar, pois o importante é consumi-la o mais rapidamente possível e sentir a saciedade que é trazida pelo estômago cheio de comida. Consequência da vida moderna!

O tato, este sentido que nos propõe à sensibilidade, parece não mais existir. A pressa nos impede de sentir! Só se sentem as sensações extremas de frio e calor; perde-se a sensibilidade do sentir a suavidade existente nas coisas que nos cercam e, isso deixa o mundo mais frio e desumano. Filmes mostram a desumanização crescente em que retratam a realidade brutal de nossas ruas e cidades. Consequência da vida moderna!

O pobre sentido da audição sofre com a violência dos ruídos que transformam as cidades em criadouro de deficientes auditivos. Não bastassem as autoagressões produzidas por equipamentos de sons que mutilam a capacidade auditiva de seus usuários, a falta de educação produzida por condutores de carros com som nas alturas, há que se conviver com escapamentos abertos de motos e carros em uma demonstração da pobreza intelectual de seus proprietários. Consequência da vida moderna!

O que falar da pobre visão? Este é o sentido que mais usamos e, provavelmente, o que mais nos induz ao erro, pois não basta ver, é preciso interpretar o que se está vendo. Para isto precisamos usar o cérebro e aí reside o problema. Como emocionalmente vivemos pressionados, corre-se o risco de interpretar de forma errônea e isto leva ao processo de tomada de decisão a erros irreparáveis. Sob o ponto de vista físico a que considerar os alertas de médicos que mostram os riscos trazidos, para as crianças, em relação ao uso indiscriminado de aparelhos eletrônicos que exigem a concentração da visão por largos períodos de tempos. Consequência da vida moderna!

E, o que falar do olfato? Este sentido, que permitiu a nossos antepassados sobreviverem em um mundo hostil, em que os sentidos eram essenciais para a sobrevivência humana, está relegado a um plano secundário. Como o tato, só se sentem os extremos. Consequência da vida moderna!

Como a vida moderna nos condicionou ao apertar botões, abrir e fechar recursos eletrônicos, as ações que nos conduziram até aqui foram se perdendo no tempo. Antes que seja necessário, seria interessante um esforço na direção de recuperar a efetividade dos sentidos. Para pensar!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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