Coluna Ozinil Martins | A história se repete!

24 de Fevereiro de 2021

Eles se elegem como democratas e defensores dos princípios de liberdade, e depois mostram suas verdadeiras intenções

Eles se elegem como democratas e defensores dos princípios de liberdade, livre economia, defensores ferrenhos do povo. Com o passar do tempo surgem suas verdadeiras intenções e o que estava por trás do pacote de bondades com que convenceram a população a aderir ao seu projeto de governo. Foi o que ocorreu na Venezuela, país que conheci em 1996, em que se podia caminhar pelas ruas sem grandes sobressaltos e, que hoje vive uma calamidade social que obrigou mais de 5 milhões de venezuelanos, segundo a ACNUR – Agência da ONU para Refugiados, a buscarem melhores condições de vida em outros países, Brasil incluso.

Após a tentativa de tomar o poder através de um golpe de estado, o Tenente Coronel Hugo Chaves trilhou o caminho democrata e governou a Venezuela por 14 anos, reelegendo-se sempre, pelo voto popular. Vitimado por um câncer foi substituído pelo seu vice, Nicolás Maduro, que está no poder até hoje, reeleito em sucessivos pleitos eivados de irregularidades. A Venezuela, que já foi durante muitos anos e fruto de seu único produto de exportação – petróleo – o país mais rico da América do Sul, hoje, destruído seu parque fabril, comercial e sua agricultura, destruída sua classe média (a maior inimiga de governos totalitários), joga sua população na mais absoluta miséria, destrói sua moeda, reduz a produção de seu único produto a níveis inimagináveis e expõem sua população a um sistema arbitrário liderado por forças repressivas que só seguem as orientações de Maduro.

A nossa vizinha Argentina, de tantas comparações com o Brasil, flertou durante muito tempo com a esquerda e, finalmente, conseguiu seu desiderato. Depois de anos de ditadura de direita, com consequências que perduram até os dias atuais, a Argentina, que saiu fortalecida economicamente da Segunda Grande Guerra e já foi uma das cinco nações mais ricas do mundo, enveredou em um ciclo brutal de governos populistas. Vale lembrar os governos da Argentina pós-governos militares: Raul Alfonsin, Carlos Menen, Fernando de la Rua, Adolfo Rodriguez Sáa, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner, Cristina Kirchner, Maurício Macri e, atualmente, Alberto Fernández. As aventuras governamentais desta turma jogaram a Argentina na maior crise humanitária em que vive hoje. Vale lembrar que houve um presidente da Argentina que, com a Casa Rosada cercada pelo povo, fugiu de helicóptero para não ser agredido. A Argentina repete a Venezuela; 40% da população na pobreza, indústrias abandonam o país pela insegurança jurídica, os empregos somem, a agricultura (hoje seu principal produto de exportação) é fortemente taxada pelo governo para manter seus serviços essenciais funcionando e, os argentinos começam um processo de migração para o vizinho Uruguai. Macri prometeu romper com o passado e modernizar o país e, não conseguiu. O populismo, de esquerda ou direita, como doença degenerativa que é, voltou com toda força com Fernández.

Como quem migra no primeiro momento são os mais qualificados e os que possuem algum capital, o Uruguai reduziu as exigências para argentinos que queiram morar no Uruguai. Com U$ 380 mil compra-se uma casa e se obtém o direito de viver no país e se for empresário com U$ 1,700, milhão pode constituir empresa e começar a produzir. Segundo a revista The Economist 20 mil argentinos já cruzaram o Rio da Prata.

Como a história se repete e a paixão latino-americana pelo líder paizão e pela miséria é muito grande, é bom colocar as barbas de molho. Lembra do “eu sou você amanhã” propaganda de uma vodca nos anos 80?

 

Imagem do topo de Free-Photos por Pixabay.

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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